Recentemente, o DJ inglês Paul Oakenfold
disse ao Observer que, "nesse momento, não há lugar mais empolgante que a China" quando o assunto é cultura noturna. Para o promoter chinês Neebing, porém, o hype não convence. "Não há uma cena musical verdadeira aqui, e a cultura clubber é só uma parte do negócio do entretenimento, da mesma maneira que as zonas de baixo meretrício e os centros de massagem".
"Os DJs superstars realmente são bem pagos e servidos com champanhe, mimos e literalmente tudo que eles querem. Mas como clubes undergrounds não podem bancar o cachê, eles sempre tocam em lugares grandes e comerciais, onde só ricos freqüentam. Esses clubes têm pistas minúsculas e todos ficam sentados nas mesas bebendo uísque. Tiesto, Armin Van Buuren e Paul Van Dyk tocam nessas casas, mas as pessoas só conseguem mexer o corpo do lado das mesas", disse Neebing ao
rraurl.com.
O DJ chinês Calvin Z, responsável pela programação dos super clubes G Plus em Shanghai e Hangzhou, concordou que a cena local ainda tem muito a desenvolver. "Há anos atrás eu lembro de pensar que a cena poderia ficar melhor depois de alguns anos, mas ela não mudou em nada", disse Calvin.
Segundo a revista inglesa DJ Mag, muitos dos votos para sua última votação dos 100 melhores DJs do mundo vieram da China. O fato fez com que o Publisher, Jason Robertson, fizesse a previsão de que o "mercado para música eletrônica está mudando para o exterior". Apesar disso, Jacky - colega de Calvin no G Plus - disse que questões práticas para DJs locais continuam um problema. "Se tornou mais fácil comprar equipamento para discotecar, mas ainda é difícil comprar música, particularmente vinil. De fato, havia poucos clubes por aqui até recentemente".
Apesar da desilusão com a cena atual, Neebing abriu recentemente seu próprio clube, o Song, em Pequim. Além de oferecer serviço de bar, a casa conta também com uma pista de dança espaçosa e um sistema de som poderoso. "A China precisa de mais visitantes e de mais pessoas gastando dinheiro. Então você vê mais e mais bares e clubes abrindo".
"Alguns DJs daqui estão começando a seguir os passos de gente como Richie Hawtin, que é um ídolo. O minimal techno é extremamente popular aqui. Pelo menos entre clubbers que não são estúpidos suficiente para seguir essa coisa dos 100 melhores DJs", disse.
é preciso dar tempo para a cultura eletrônica ser assimilada. Acho meio preciptado do Oakenfold fazer tal afirmação, talvez confundiu muito as coisas (china, mercado financeiro emergente, com uma China, mercado cultural emergente).
Não faz muito tempo a China ainda era um país completamente restrito a toda cultura externa... mas sem dúvida é um mercado a ser explorado.