O reino de Prins Thomas
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O reino de Prins Thomas
Norueguês divide seu tempo entre uma prolífica carreira de DJ, produtor e pai de família. Ele é atração do fim de semana no eixo Rio-São Paulo (FASE e D-Edge)
18.01.08 00:05
Conceito superficial para alguns, mas essencial na hora de por no papel o cacife de um DJ: tocar bem. Somando a conta, Prins Thomas (nascido Thomas Hermansen), um dos noruegueses expoentes dos baixos BPMs que ressuscitaram a disco em 2005, alcança bons pontos porque o cara toca muito. Dentro desses BPMs lesados cabe techno calminho junto com house, pop e outras faixas de disco music obscura.

Essa condição sine qua non desperta nostalgia em tempos de softwares que remexem no genoma das mixagens e elevam ainda mais Fulanos da Silva à condição de DJ. Também produtor, Prins Thomas e o parceirão Lindstrom jogaram luzes em toda uma cena norueguesa e na estética de produção nórdica classuda (que não tem medo de experimentar até ser cheesy, cafona mesmo). É um som abrangente o suficiente para reativar os ombrinhos de houseirose em pistas e para o papai lá em casa relembrar com ternura seus tempos de boca larga.

Residente de Oslo, a prosaica capital da Noruega, Prins Thomas divide seu tempo entre o estúdio, DJ sets ao redor do mundo (diz ele que já viajou o mundo duas vezes) e a família de mulher e dois filhos pequenos, rebentos loirinhos que o fez gritar broncas em assustadores berros noruegueses durante a entrevista (seguidos de um simpático "sorry about that!).

Ele atravessa dois continentes e volta ao Brasil para discotecar no D-Edge e na festa carioca FASE esse fim de semana, no mesmo local onde em 2007 ele fez um longuíssimo e inesquecível set para a festa MOO.

Conte como você começou a criar música e seus primórdios de DJ.

Bem, a versão resumida: comecei a tocar instrumentos quando eu tinha por volta de nove, dez anos. Aprendi baixo e clarinete ao mesmo tempo que mexia com discos e turntables no meu quarto. (Ele ainda foi baterista de uma banda chamada Dr. Moustache)

Sempre estive ligado à música, isso tudo já são mais de 20 anos, já que estou falando de 1985. Meu padrasto e minha mãe sempre me davam dinheiro para comprar discos, ouvi muito pop tipo Madonna, outros artistas mais rock, hip hop, até alguma coisa já do começo do electro.

SOBRE O BRASIL
"Fiquei chocado com a pobreza, as favelas, me impressionou. Mas o povo é energético e aconteceu o mesmo que o Japão, onde o jet-lag me cansou mas o povo era tão energético que eu fiquei excitado e toquei por horas!"
E como você conheceu o Lindstrom?

Conheci em Oslo, não consigo lembrar quantos anos fazem já. Ele estava começando a produzir e eu era DJ. Quando começamos a conversar e conviver descobrimos preferências similares. Lembro que nessa época já fiz um remix para ele, a segunda música que ele criava.

Vocês dois surgiram mundialmente pelos remixes que fizeram. Tiga, Sorcerer, Simian Mobile Disco e até Bebel Gilberto tiveram versões feitas por você. Como foi o convite para remixar a Bebel?

O selo dela nos EUA (Giant Step Records) que nos procurou perguntando se queríamos fazer esse remix. Não fui muito longe da versão original, mas com muito elementos, coisa que na maioria das vezes é o que eu faço.

Flash Content
Bebel Gilberto - Bring Back The Love (Prins Thomas Dub), Bring Back The Love [Prins Thomas Dub] (mp3)
Bebel Gilberto - Bring Back The Love (Prins Thomas Dub)

Eles queriam também algo mais de world music moderna e chamaram também o Mungolian Jet Set (dupla também da Noruega), que usa coisas do flamenco e até da música asiática.

O Mungolian também ganhou atenção após você e esse revival disco e baleáricas surgirem. Qual o peso de ser responsável por toda essa onda space disco?

Eu não sei. Funcionou bastante para mim porque é muito melhor ser reconhecido do que não ser percebido (risos). É mais fácil assim para as pessoas acharem discos nas lojas, para jornalistas escreverem, então ajuda. Agora, sobre o balearic eu não sei, não consigo enxergar uma ligação tão direta.

Talvez pela atitude de ser aberto e tocar diferentes tipos de som. Isso é uma característica essencial de todas essas pessoas que chamam de space disco. E claro que todos nós gostamos de anos 70, da disco nova-iorquina e de Ibiza do fim dos anos 80.

Pode-se dizer então, que junto com a Itália, a Escandinávia no geral foi um dos lugares que a disco nunca morreu?

Quando eu estive lá (na Itália), sempre encontrava dezenas de coisas sobre a disco, muitos, mas muitos álbuns esquisitos. Eles sempre tiveram muitos produtores, forneceram muitas idéias para músicos americanos e acho que a ligação forte entre EUA, Nova York e Itália contribuiu para isso.

A Noruega nunca foi um lugar para a disco, na verdade. A razão do que vem acontecendo hoje é que nos anos 90 quando a house surgiu poderosamente, nós não tínhamos boas lojas de disco. Gente como o Mungolian Jet Set e eu tínhamos que tocar as poucas faixas de house com músicas de disco music experimental.

Disco Demolition Night
Disco Demolition Night
Mas você acha que essa "nova" disco um dia vai cansar as pessoas e veremos CDs do Lindstrom & Prins Thomas sendo queimados nas pistas de dança?

(Risos). Sim! Mas eu não penso sobre isso. Sempre espero que quem ouve vai gostar das músicas. Quando as pessoas se cansam, é normal. E acho que para mim não tem problema porque há dois anos nós éramos desconhecidos. Agora estamos estabilizados, já viajamos o mundo todo e não tem mais aquele hype ao seu redor como tem quando você surge. As pessoas te esquecem, muita gente para de tocar seu som porque muda de gosto.

Como DJ, já aconteceu com você de mudar de estilo de maneira abrupta?

Claro. Como eu disse, sou igual a todo mundo no sentido de ter épocas em que se cansa de alguma música. Pode demorar ou pode ser em três meses, depende. É o jeito normal de ser DJ, a evolução que é muitas vezes natural.

Comigo aconteceu com o detroit techno do começo dos anos 90. Toquei bastante e foi uma época marcante, repare como as pessoas amam ou odeiam! Se mudei ou toquei outra coisa, eu apenas fui verdadeiro comigo mesmo.

E a música eletrônica em Oslo, como é?

Olha, está ficando cada vez melhor, várias coisas estão acontecendo. Lá pela metade dos anos 90 foi uma boa época também, qualquer bar tinha flyers de festas e clubes porque a coisa era mais sobre DJs. Foi um boom underground que não durou, os clubes fecharam e quem dessa época prosseguiu na música, tinha tempo de sobra para aprender a produzir.

NOVAS DO LINDSTROM
O chapa de Prins Thomas está a cargo da produção do segundo disco da banda 120 Days e fez no fim de 2007 um remix para o clássico cafona-mor "Just An Illusion", do grupo Imagination de 1982. É o quarto lançamento a comemorar os 10 anos da loja virtual Juno e vem com duas versões de Lindstrom mais a original. Só ele mesmo, ouça ou baixe aqui.
E os dividendos dessa evolução ficaram só para vocês, artistas, ou para a cena local também?

Para todos. Hoje as pessoas aqui identificam as festas com álbuns, músicas, não é só algo de festa. Está ficando bem forte, é interessante. Fora as pessoas da nova geração que estão se animando para sair agora.

Faz três anos que eu voltei a viver apenas de música. Antes só em 1994 eu conseguia viver assim, daquela época foram nove anos até eu perceber que tinha que arranjar um emprego extra para sustentar família com mulher grávida.

Eu era secretário da Imigração Norueguesa, e juntando o tempo que eu passava com o Lindstrom no estúdio, dava umas 20 horas por dia de trabalho.

Mas será que em breve Oslo será a Ibiza da Escandinávia?

Não. Não somos tão internacionais, não somos Berlim. Aqui é longe de tudo na Europa e principalmente do mundo. Só tem a Noruega e água, somos pequenos, o país inteiro tem três milhões de habitantes. E é frio. No verão não passa de 30º C e no inverno chega a -20º C. Nem de longe lembra Ibiza.

Fotomontagem da home: Vlad Novaes

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
it's like the 60s, with no hope
comentários
Eduardo Christoph
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Aqui no Rio no FASE foi sensacional. Ele tocou muito durante 4 horas e meia.
Já já vamos disponibilizar o set inteiro no site :)
Gustavo Louver
Gustavo Louver(22.01.08)
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Realmente "toca me" foi demais, assim como Ed motta
Felicio Marmitex
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Legal a sinceridade dele, na entrevista!!!
Felicio Marmitex
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Merda, perdi!!!
Jade Augusto Gola
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e quando ele tocou FRAGMA? TOCA ME????
 
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