Estrella 'defende' consumidores de drogas em artigo
 Cocaína e ecstasy são problemas, mas não os mais graves"
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Estrella 'defende' consumidores de drogas em artigo
O verdadeiro Johnny do filme coloca usuários como o menor dos problemas e derruba argumento de que classe média sustenta o tráfico
23.01.08 23:40
Quem viu 'Tropa de Elite' pode ter mudado seus conceitos sobre o BOPE. De personagens esféricos, como Capitão Nascimento, retratado com extraordinária complexidade psicológica, nasceu a compreensão humana, mesmo que injustificável, de uma autoridade desmedida. O mesmo não aconteceu, no entanto, com os universitários, que, ávidos por qualquer tóxico que os eleve a uma supra-realidade, atropelam qualquer princípio.

Intencionalmente ou não, Meu Nome Não é Johnny tem sido apontado como uma resposta à questão, reducionista, de que a classe média sustenta a violência gerada pelo tráfico. Inspirado na história do hoje produtor musical João Guilherme Estrella, que negociou cocaína no Brasil e no exterior entre 1989 e 1995 - quando foi preso -, o filme desmistifica a atuação da classe média, e a coloca como protagonista do sistema de entorpecentes.

PURA FESTA
Mas não é só isso. O filme tem gerado debates. Na Folha de S. Paulo de hoje (23/01), Estrella escreveu um artigo em que explicita a questão; de forma clara, sem medo de polemizar. Mesmo fazendo um jogo dúbio em que ora coloca a elite como alienada de qualquer realidade social diferente da dela; ora ressaltando a 'inocência' do consumo, o ex-dealer ressalta a ignorância que é insistir nessa mea culpa.

"Só quem não sabe nada de criminalidade pode achar que apontar a classe média consumidora de drogas como responsável pela violência nos centros urbanos vai ajudar em alguma coisa". E continua: "Alguém tem alguma dúvida de que os jovens não estão nem aí para essa culpa? Eu negociei com muita gente da elite. É pura festa, meu amigo, pura festa."

Selton Mello aka João Estrella
Selton Mello aka João Estrella
Apesar de apontar que a "a sociedade como um todo tem responsabilidade", o produtor faz uma diferença entre 'mais' e 'menos' culpados. Os 'mais culpados' seriam a elite, que como representante de tipos sociais e servidores - cegos - de uma classe corrompida, resguarda suas abstrações teóricas para servir de embasamento à realidade sempre protegida pelo capital.

De outro lado, ele indica os 'menos culpados'. "O jovem pobre e criminoso também não está preocupado com isso [a violência gerada pelo tráfico] - e tem lá os seus motivos. Ele faz parte de uma parcela da população que, além de ser massacrada pela miséria, ainda é esculachada pela polícia, enganada por políticos e jogada na marginalidade mesmo quando não é bandida."

PROBLEMAS MENORES?
Afora a aparente contradição do artigo - justa até pela complexidade que o assunto pede-, a 'defesa' classista aparece quando Estrella esquece o relativismo, o recalque e alfineta o pensamento que, com o argumento da violência, apenas camufla o conservadorismo:

"Sinceramente? A cocaína e o ecstasy são problemas sim, mas não são os mais graves que temos neste país" (...) "A bem da verdade, quem dera nossos maiores problemas fossem o ecstasy que a rapaziada toma nas festas e que estão na mídia o tempo todo."

Com todos na procura de bodes expiatórios, podemos colocar aí também que culpa é dos políticos, os clichês de que falta educação no Brasil, que a propaganda incentiva o consumo, que a pós-modernidade pede paliativos... e aí a gente dá um giro de 360º em um debate cego, em que poucos, como Estrella, realmente se comprometem.

Monique Oliveira
Monique Oliveira
Ela aposta na fluoxetina auditiva. Mas não foge de ruídos dissonantes quando o sol tilinta
comentários
no dia em que a gostosona da novela das 8 cheirar uma carreira usando chapéu de carmem miranda, e todo mundo achar isso legal pq tá na tv, as drogas não serão mais drogas, mas sim a nova tendência do brasil!!
vinicius iha
vinicius iha(26.01.08)
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vi o filme e gostei muito. Faz me lembra os loucos dos anos 80. com o msm senso de humor.
a realidade é que a miseria ta longe de ser resolvida.
o trafico é só um acaso...logico que ajuda financeiramente...Noa sou a favor das drogas mas tbm nao a condeno..Esse tabu é foda!!! as o filme é bom dei muitas risadas..rs
Cj Hal
Cj Hal(24.01.08)
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Bruno, concordo. Ocorre é que de modo geral, a batata quente da responsabilidade pelos malefícios gerados no processo todo ninguém quer segurar. É muita gente teorizando o assunto e apontando o dedo para o vizinho e pouca gente assumindo o filho e propondo algo mais palpável.
E nessa dança do bêbado cambaleante, quem de fato não usa nada e de alguma forma se sente atingido de algum modo pelos "danos colaterais" gerados pelo processo (tendo razão ou não), se sente no direito de sair dando lição de moral.
Bruno Guerra
Bruno Guerra(24.01.08)
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Bom,
ao que me parece o Estrella tira o foco de um ponto que ultimamente vinha sendo bastante perseguido (os jovens consumidores de ecstasy), mas não coloca o foco em outro ponto. O que provavelmente fará com que passem por cima desta reflexão ele... "Pois por mais que esses jovens não sejam os maiores problema, ainda assim são um problema, e os clubs e raves (a música eletrônica em geral) promove esse problema" e todo o bla bla bla que a gente já conhece.

Não acha?
Cinthia Lacerda
Cinthia Lacerda(23.01.08)
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Gostei basante do filme , tanto pelo roteiro e pela forma como foi filmado , qto pela abordagem do assunto. A entrevista tb foi demais . Concordo com vários aspectos , principalmente em relação ao alcool .
como ele disse, antes todos os problemas do brasil fossem as apreensões de e.