Artistas, promoters e personagens da noite de NY comemoram o fracasso de Rudolph Giuliani na corrida presidencial dos Estados Unidos
O notório ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani desistiu de sua campanha à presidência dos EUA essa semana, para o alívio e deleite de muitos na vida noturna e musical do país, críticos do puritanismo de Rudy.
O crítico Darren Ressler, editor da revista
BigShot, disse que já se esperava que o fanático
anti-dancing falhasse e admitiu ainda que estava "esperando vê-lo cair com sua espada".
O JEITÃO RUDY DE SER
Rudolph Giuliani foi prefeito de NY de 1994 a 2002, eleito pelo Partido Republicano com metas de redução do crime e qualidade de vida.
Com a política "Tolerância Zero" e "Broken Windows" (que prega que 'a janela quebrada de um bairro, quando não consertada, leva à degradação de todo o bairro'), ele conseguiu reduzir o crime em 57% - assassinatos em 65%.
As políticas e ações eram rígidas, da limpeza das ruas ao banimento do baixo meretrício na região central, sobrou para a noite também, um reduto de drogas, criminosos e desocupados na visão pública municipal. Rudy ressuscitou a Lei do Cabaré de 1926, exigindo licença de bares e clubes para que seus ocupantes pudessem dançar. De modo que, fora o fechamento de boates e inexistência de novos empreendimentos, alguns lugares controlavam a animação dançante de seus freqüentadores.
O que deixou o prefeito ainda mais famoso foi o pulso firme durante os atentados de 11/9, onde ele foi bastante registrado enfrentando a confusão, a poeira e a paranóia para controlar o caos que ali se instaurara. Desde então despontou como candidato natural e favorido à eleição presidencial deste ano, mas sua estratégia "ousada" de ignorar as prévias até a eleição na Flórida, estado que ele concentrou esforços, não deu certo, já que outros candidatos conseguiram apoio, votos, contribuições e mídia com as votações anteriores. Giuliani amargou o terceiro lugar na Flória e foi tachado de mau estrategista e arrogante, sendo obrigado a abandonar a corrida pelo favoritismo de John McCain. Fica para a próxima, Rudy.
"Nova-iorquinos como eu ficamos chocados em como Giuliani foi longe com sua campanha de qualidade de vida, que tornou quase impossível que clubes funcionassem", explicou Darren.
"Eu lembro de ver patrulhas com policiais fortemente armados em frente aos clubes e isso não era nada interessante. Eu estive em inúmeras casas quando ocorreram batidas da NYPC (New York Police Department) por ordem do prefeito, e era uma coisa assustadora de testemunhar. Enquanto ele teve algum sucesso com sua
Broken Windows Campaign (veja box), as restrições aos clubes foram os primeiros passos para a decadência da
Big Apple. Muitas das pessoas criativas que fizeram essa cidade ser o que ela é se foram. A visão dele de entretenimento é Disney e beisebol, ele não tinha tolerância para nada que fosse além e nem para quem questionasse seus julgamentos", completa o editor de uma das principais revistas alternativas da Costa Oeste.
ARROGÂNCIAPromoter da cena gay e personalidade da noite,
Daniel Nardicio é ainda mais enfático, declarando "quando ouvi que ele havia desistido foi como se o teto se quebrasse, e uma luz branca de esperança brilhasse em cima de mim - eu até ouvi anjos!"
Apesar do regozijo, Daniel não responsabiliza o ex-prefeito totalmente pelo declínio clubber de NY, lembrando que "por mais que tenha sido uma ‘moda' que ele tenha ajudado a iniciar, creio que os EUA no geral já estavam rumando na direção ultra-conservadora, que teve um efeito óbvio de deixar a noite mais tediosa."
"Sério, eu nunca estive tão orgulhoso do povo americano como estou agora", ele adicionou, "as pessoas parecem que estão olhando para assuntos reais agora (você já percebeu que de repente o casamento gay está ficando para trás?), percebendo que esse país está num estado de merda. Eu fiquei tão feliz de ver a presunção, auto-satisfação e arrogância de Rudy cair por terra, e agora espero que ele realmente tenha a sabedoria de se calar e sumir", completou.
Chris Frantz e Tina Weymouth, ícones da divertida turma do
Tom Tom Club/Talking Heads nos anos 70, foram mais contidas na opinião. "Estamos apenas felizes de dizer que não é ‘tempo de Giuliani' aqui nos Estados Unidos."
"Rudy construiu sua reputação como acusador, sempre julgando. Ele era muito bom em por as pessoas na cadeia, e claro, a maioria das pessoas merecia estar atrás das grades, mas suas políticas abafaram a vida noturna da cidade, fato que continua até hoje."
"Em seu esforço de limpar Nova York, nós perdemos um pouco da alma e da característica tradicional. Não é o tipo de líder que nosso país precisa, não importando quanto sucesso ele tenha tido ao reduzir o crime nem se suas intenções são justas. Os EUA têm seus sonhos de volta, agora é época de Obama", elas completaram, sem hesitar na escolha.