Tá, tá, a gente sabe que o Grammy é, entre todas as premiações, uma das mais chatas. Ninguém aqui tem interesse em saber quem é destaque na categoria "melhor album falado para crianças" e, claro, não faz sentido ver o Ringo Star apresentando o prêmio de "melhor artista country".
Mas quem teve saco para ficar na frente da TV acabou sendo recompensado: teve "Raphsody in Blue" com Herbie Hancock no piano, Tina Turner cantando "Proud Mary" com a Beyoncé, Foo Fighters fazendo "The Predenter" ao vivo com (hum...) violinos, Rihanna e sua umbrella-ella-ella-ê-ê, Little Richard com Jerry Lee Lewis, etc e tal. Também teve o Andrea Bocelli homenageando o Pavaroti, mas você não quer saber disso. Nem eu.
PONTOS ALTOSDentro do que interessa pra gente, os Chemical Brothers levaram o prêmio de Melhor Album de Música Eletrônica por
We are the Night e o top-producer Mark Ronson, que assina o disco de Amy Winehouse, ganhou a categoria "Melhor Produtor Não-Clássico" (o Grammy tem cada nome para as categorias, não?), ganhando a briga contra Timbaland. Mas os grandes momentos foram de Kanye West e Amy Winehouse.
Kanye levou 4 prêmios, entre eles o de Melhor Artista de Rap e fez uma apresentação brilhante, literalmente, dividindo o palco com os Daft Punks com direito a óculos de LEDs e à famosa pirâmide. Fico pensando o que o americano médio, que quer ver a Fergie e checar as roupas das celebs, achou daquele momento meio alienígena. O rapper, que na sequência fez uma homenagem à mãe que faleceu em 2008, ainda torceu e até rezou, mas ficou sem o prêmio por melhor álbum.
Esse foi para o grande Herbie Hancock, artista dos mais importantes do século 20, jazzista de primeira linha, com
Rivers: The Joni Letters. Diz que há 40 anos um artista de jazz não ganhava o troféu de Melhor Álbum. Ele aproveitou o prêmio para pegar papelzinho e fazer um discurso, blablablá. Hancock merece muitos prêmios e deveria receber um desses de "Lifetime Achievement" ainda em vida. Mas em 2008 com tantos novos artistas pop quebrando tudo, é uma pena ver a academia do Grammy escolhendo um disco de versões da Joni Mitchel como o melhor do ano, não?
Bom, mas é a mesma academia que nunca premiou os Beatles (que, aliás, foram homenageados à exaustão na premiação desse ano), que preferiu Christopher Cross a Frank Sinatra e já premiou o Toto (aquele de "Rosana"). É, o Grammy não tem qualquer credibilidade. Mas é sempre legal ver artistas de quem a gente gosta sendo agraciados pelo main-main-mainstream e ganhando novos seguradores de livros para suas estantes.
DEPOIS DO REHAB, A GLÓRIA
E é aí que entra Amy Winehouse, a mais talentosa cantora de sua geração, mas que passou 2007 na mídia como uma versão soul-feminina do Pete Doherty um pouco mais junkie. Transmitindo de Londres e recém-saída da rehab, Winehouse papou cinco prêmios importantes (Melhor Nova Artista, Melhor Performance Feminina, Melhor Canção, Vocal Pop Feminino) e emocionou a platéia arrasando no vozeirão e com sorriso novo em folha. Ao receber a notícia do prêmio de Melhor Música do Ano, abraçou a banda e fez um discurso emocionado ao lado da mãe no palco. Amy's back :)
Kanye West e Daft Punk (wow) fazem "Stronger" ao vivo no GrammyAmy Winehouse canta "You Know I'm no Good" e "Rehab", de Londres via satéliteO discurso fofo da Amy quando ganhou por "Melhor Música"
e nao gaia... msm sendo um dos trabalhos mais reconhecidos do miles davis..do q sei nao ganhou nenhum grammy.. talvez por ser mto tecnico... como coltrane em giant steps...