Em vídeo: Netmage 2008
Chelpa Ferro @ Netmage
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Em vídeo: Netmage 2008
Confira imagens do festival italiano, que preza por instalações e experiências cinemáticas e teve "Noise" como o tema em 2008.
22.02.08 14:55
Não fosse o ar transgressor, rebelde, que parece soprar em todos os cantos há séculos, Bolonha seria uma típica cidade italiana, cercada por muros medievais e castelos. Foi ali que nasceu o pensamento de esquerda no país, caracterizando a cidade com uma das mais inquietas da Itália. Some isso ao fato da mais antiga universidade do Ocidente ter nascido em seu solo, em 1088, e você tem as condições perfeitas para explicar, pelo menos historicamente, um festival como o Netmage.

Outra explicação, essa bem mais concreta, quem dá é o curador da 8ª edição do festival. Segundo Andrea Lissoni, que também é um dos criadores do Netmage, "Bolonha é uma cidade central e com isso facilita a vinda de italianos de todas as partes do país."

O Netmage foge dos esteriótipos de festivais de música eletrônica e de artes digitais. Neste aspecto, ele tem um forte viés apontado para a vanguarda e não fica restrito as tendências do momento. Comparado aos festivais mais conhecidos como o Sónar, na Espanha, ou o Ars Eletronica, na Áustria, pode-se entender que ele abraça a música e a imagem em ambientes com múltiplas experiências sensoriais, seguindo a linha do que foi conceitualizado como "expanded cinema": experiências cinemáticas em caráter de instalação. É arte, música e imagem no sentido mais amplo e experimental.

Foram três dias intensos de festival, uma cena sólida, onde 8.000 pessoas lotaram neste período o palácio Re Enzo, nas Piazzas Magiore e Netuno, no centro histórico de Bolonha. Ao todo se apresentaram 37 artistas de 20 países diferentes, apresentando um vasto cardápio musical, explorações visuais, novas linguagens do cinema 3D, instalações de videoarte e performances sobre a regência de ampla experiência na arte eletrônica.

Pneumatic Sound Field
Pneumatic Sound Field
NOISE - DESTAQUES
O tema escolhido para pautar a edição deste ano foi o noise. Os ruídos e barulhos eram apresentados em pesquisas sonoras tão diversas que reforçavam a riqueza dos shows. Com tantas atrações em apenas três dias, o normal é que muitas delas fossem descartadas, mas o Netmage fez prevalecendo um conjunto de boas seleções.

"Nós estamos em busca de novos pontos de vista, novos horizontes nas áreas visuais e musicais que envolvem novas mídias. Nos últimos anos tenho visto uma corrente contrária às tendências, algo mais dark, post-gothic e por isso juntamos todas estas possibilidades do noise music e das artes visuais em 2008", explica Andrea.

A obra Pneumatic Sound Field, do holandês Edwin van der Heide, onde uma programação de 50 saídas de ar que expelidos, produziam um concerto percussivo inusitado, foi destaque. Quem também merece ser lembrado é o baterista japonês Doravideo e seus sincronizadores de imagem e som que funcionavam junto a sua bateria ao vivo.

Doravideo
Doravideo
O esloveno Luka Dekleva com seu corpo funcionando como um campo magnético ativo a produzir sons e imagens; e Von Archives, do espanhol Carlos Casas e do italiano Nico Vascelari impressionaram bastante. No Von uma seleção de dez faixas famosas do rock-pop atual é tocado simultaneamente, produzindo uma nova massa sonora densa. E pra finalizar, teve o show psidodélico de luzes dos sexagenários americanos do Joshua Light Show/ Silver Apples, seminal grupo de videoarte que se apresentava ao lado do Grateful Dead, Jefferson Airplane, Velvet Underground e Frank Zappa nos anos 60 e 70.

CHELPA FERRO
Uma divisão clara no universo ruidoso do "noise" é a presença de aparelhos analógicos entre os grupos americanos e digitais entre os europeus. Como o Brasil estava presente neste ano, foi apresentado um mix destes dois caminhos com os artistas do Chelpa Ferro, coletivo formado por Barrão, Sergio Mekler e Luiz Zerbini.

O Chelpa, que ficou bastante conhecido na Itália graças à sua presença na Bienal de Veneza de 2005, fechou a noite do primeiro dia com um concerto inédito para 700 pessoas, projeto realizado em parceria entre o Netmage e o festival Multiplicidade_Imagem_Som_inusitados. O rider do Chelpa já é uma doidera por si só: samplers, baterias eletrônicas, guitarras, pedais de efeito, baixo e lap tops além de motores e objetos-escultura. Ao vivo, tudo isso dialogava com 3 grandes telões da forma menos ortodoxa possível, com plasticidade e apuro cênico.

Luiz Zerbini, do Chelpa Ferro, falou sobre a apresentação. "Você imagina que já ouviu todos os sons, mas tinham uns timbres novos de barulho, muita coisa original… Seria como você inventar uma nova cor, como o pintor francês Yves Klein fez com o azul Klein...".


NETMAGE 2008 POR MULTIPLICIDADE



Batman Zavareze, curador do Multiplicidade, viajou a convite do Netmage, festival de novas mídias ao vivo realizado entre os dias 24 e 26 de Janeiro em Bolonha, para apresentar o concerto inédito do Chelpa Ferro.

multiplicidade
multiplicidade
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