Mordidas Sonoras - Franz Ferdinand
Mordidas Sonoras - Uma Turnê Gastronômica com Franz Ferdinand
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ficha técnica
Textos: Alex Kapranos
Capa e ilustrações: Andrew Knowles
Editora no Brasil: Conrad
Nota: 3.5 / 5
Ano: 2006
Estilos: gastronomia
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Mordidas Sonoras - Franz Ferdinand
Alex Kapranos mostra o que rock stars comem em trânsito internacional.
13.02.08 18:10
Lançado sem grande alarde no Brasil em 2007, tempos depois os shows que a banda fez no país (duas vezes em 2006: abrindo o show do U2, ocasião em que também se apresentou no Circo Voador no Rio, e no festival Motomix, em São Paulo), Mordidas Sonoras é uma compilação de crônicas do vocalista Alex Kapranos, publicadas em sua coluna Soundbites no jornal britânico Guardian durante sua primeira tour mundial.

O leitor é convidado a repartir o gosto de Kapranos pela comida "de rua", típica, barata ou cara, familiar ou especial, que encontra em cada cidade por onde passa, do Rio de Janeiro a Nagóia. Kapranos é obviamente um fã de comida, mas a experiência também é uma forma de escapar da tradicão de conhecer os países apenas pela janela das dezenas de vans ou quartos de hotel, tão comum a bandas que passam a experiência exaustiva de uma volta ao mundo.

Com ilustrações do baterista da tour, Andrew Knowles, cada crônica vem acompanhada de um desenho. Lugares-comum de aficcionados por comida estão presentes. É o caso da banda comendo fugu, o venenoso baiacu servido como sushi no Japão, que pode matar quando não preparado com absoluta perfeição. Ou a inevitável visita ao templo do churrasco e dos jogadores de futebol no Rio de Janeiro, o Porcão, onde eles se divertem com as fichas vermelhas e verdes que indicam quando você quer parar ou pedir mais comida.

As crônicas são sempre leves e interessantes, e não só por mostrar que o vocalista é capaz de fugir por completo do clichê sexo+drogas da sua situação de rockstar, mas por apresentar fatias sutis e importantes de culturas diversas. Ou você sabia que na Austrália você pode fazer churrasco de caranguejos usando facões? Com humor, frases curtas e ritmo ágil, o livro é cheio de pequenas informações e rico em detalhes aparentemente desimportantes, mas que são elementos tão essenciais de uma cultura quanto a língua falada. Cheiros, texturas e sons acompanham cada história.

Um trecho, escrito em Zagreb (Croácia):
"Estamos no porão de tijolos do restaurante Sorriso. As músicas do lugar parecem megabaladas dos anos 80, só que com mais consoantes. Quem canta é um tal de Massimo, que é o máximo por aqui. Imagine as batidas longas e reverberadas da caixa e bateria e os sintetizadores de "I Want to Know what Love Is", do Foreigner ou "Take my Breath Away", do Berlin, tudo isso fazendo fundo para um vocal austero que soa como "szjckvcmpscljmj europsoj bajbji". Entre um prato e outro, todos os croatas tragam cigarros Ronhill, a marca local. O vinho também é da Ístria e é muito bom, mas não tão interessante quando a biska, um brandy feito de visco, servido em copos bojudos, com a boca larga. A bebida fecha com perfeição um grande jantar."



Excertos engraçados que contam um pouco do dia-a-dia da banda durante a tour também aparecem e podem satisfazer fãs mais fiéis, mas não espere revelacões bombásticas. Sempre cansados e em eterno trânsito, os rapazes do Franz Ferdinand relatados por Kapranos têm tempo apenas para acordar, comer, dormir e esperar a próxima descarga de adrenalina em cima do palco. E não, não tem receitas. Mas o endereço do restaurante Sorriso, em Zagreb, está nas últimas páginas.

Gaía Passarelli
Gaía Passarelli
se eles são Exú, eu sou Yemanjá.