Branca, universitária e típica garota de classe-média santista, Gi faz funk estridente e pop
"É som de preto, de favelado e quando toca ninguém fica parado" diz o refrão de um famoso funk carioca. E é de uma faculdade particular santista que vem uma nova negação desse dogma funkeiro. É Giovanna Emanuela Francesca Avino, 18 anos, jovem de Santos mais conhecida como MC Gi e por despejar seu despudor em letras nada acadêmicas nas sujas batidas africanas de seu pancadão.
Sempre ligada à música, MC Gi começou a compor suas primeiras músicas com apenas cinco anos. Autodidata, ela toca guitarra, violão e teclado. Por volta dos 13, ela era uma garota do rock, dessas de banda de protesto que idolatram Che Guevara e as quais tem no preto a peça básica do guarda-roupa.
Garota malandra...!

A entrada no mundo do funk aconteceu quando Giovanna foi procurar um amigo seu, até então baterista, para participar de uma banda nova. Porém quando o encontrou, ele havia se tornado um MC. No meio de letras sobre guerra e religião, Gi tinha um pancadão pronto, o "Funk do Mosquito", aprovado pelo próprio MC Thales que perguntou se ela queria gravá-lo. A parti daí, ela começou a percorrer bailes funk procurando seu lugar ao sol.
"No começo havia certa resistência por eu não morar em comunidade, estudar e ser classe média, tanto dos próprios MCs como pelo público. Mas acabei recebendo convites de MCs importantes aqui da baixada para fazer dupla, o que ajudou bastante para que todos percebessem que era o que eu queria."
Cantando com seu "R" puxado letras de duplo sentido sobre chupar você (o Halls Preto), gostar de leite quente e só lavar (sem ‘cozinho' pra você), a adolescente é apoiada pela mãe e diz fazer funk por ser "libertador". "A mulher no funk expõe seu ponto de vista, não tem medo de dizer o que gosta ou o que acha errado. Fala mesmo! Não tem meio termo, essa que é a graça, a liberdade de expressão que o funk nos dá."
EPICENTRO DO PANCADÃOPra quem não sabe, a cidade de Santos é o segundo maior pólo de funkeiros do país. Porém, o gênero da cidade é diferente do Rio de Janeiro. Lá a cena é mais restrita ao intenso abastecimento interno e os tambores são menos acelerados, com letras mais ‘gangsters'. Já nossa funkeira não faz proibidões (quer dizer, as referências sexuais fazem a coisa ser para maiores de idade), e suas músicas são animadas por seu vocal estridente de timbres já de mulher madura. Apesar de seu conteúdo explícito, o tema das letras são abordados de maneira quase inocente.
Recém criado, o
MySpace da moça já tem recebido comentários positivos. O DJ canadense
Art Punk foi um dos que pediram a acapella de uma de suas músicas para remixar, enquanto famosos produtores, como o alemão Shir Khan, aprovam o trabalho da garota.
ATIVA NA COMUNIDADEE com a
saída da vocalista do Bonde do Rolê, Mc Gi vê no
concurso uma chance de assumir novos projetos. Sobre a primeira etapa ela disse que "estava bem ansiosa", já que foi a primeira a chegar e cantar. E que por causa do nervosismo, cantou e pulou sem parar suas músicas até que caiu do palco. "Foi uma cena única, vai ficar na história. Mas daí voltei a cantar na cara de pau", vangloria-se.
Se ela será a nova queridinha do Diplo, não se sabe, o que dá para dizer é que ao contrário dos curitibanos, ela é garota ativa nos bailes e entre os produtores da comunidade lá na Baixada. Para quem não tem preconceitos, é ótima música para momentos de diversão.
Tô esperando outra oportunidade de ver ela em SP, pq no Gloria eu perdi ..
é isso mesmo que eu li ou tô louca/cega?