Títulos como XLR8R, Spin e BPM estão disponíveis na íntegra e de graça na internet
Comprar revistas importadas no Brasil sai caro. As edições impressas de publicações estrangeiras chegam no nosso mercado com preços incomparavelmente salgados e, caso você opte por uma assinatura, corre o risco de receber sua revista quando, lá fora, ela já estiver no número seguinte. Mas uma alternativa para driblar o problema é apostar no formato digital. Ainda que seja incômodo ler na tela do computador, bons títulos gringos disponibilizam há tempos seu conteúdo na íntegra e de graça na rede, apostando cada vez mais em interfaces espertas e descomplicadas.
SPIN
Um exemplo é o da revista norte-americana
Spin - uma das principais referências editoriais quando o assunto é pop rock internacional -, que acaba de lançar sua versão totalmente virtual. Ao contrário do que algumas publicações já fazem há tempos, a edição online não se trata apenas de um arquivo PDF disponível para download, mas de um script próprio que lê o formato de um modo bem mais dinâmico e amigável, com zoom e navegador próprios.
O projeto é fruto de uma parceria com a rede de relacionamentos MySpace, e será gratuito pelas próximas doze edições. Além do formato facilitar a leitura (pelo menos para os padrões digitais), ela oferece ainda conteúdo interativo como links para os perfis dos artistas no MySpace, além de trechos de gravações de áudio e de vídeo. Segundo o presidente da
Spin, Tom Hartle, o site já recebeu "cerca de 250 mil pageviews apenas na primeira semana" de funcionamento.
"A idéia é trazer o produto impresso para a multidão de jovens surfistas da rede que circulam pelo MySpace. Queremos estender o alcance e o tempo de leitura [da edição mensal]", disse Hartle ao jornal
Los Angeles Times.
THE FLYMas o navegador da
Spin não é uma exclusividade, e a concorrente britânica
The Fly oferece uma solução similar, mas baseada em linguagem Flash. A publicação do conteúdo em formato digital acontece todo mês e durante a navegação o usuário pode se dar ao luxo de virar as páginas manualmente, arrastando a orelha como se fosse feita de papel mesmo. Voltada principalmente para o indie rock, a
Fly abrange bandas como
Black Kids, Los Campesinos e Robots in Disguise - tudo em inglês.
Björk na capa do Grapevine, na ocasião do lançamento de "Volta"

BPM E ISLÂNDIAOutro título recomendado entre as publicações online gratuitas é o da californiana
BPM, que trata de cultura noturna, tecnologia e música. É só cadastrar um e-mail válido para ter acesso à integra da revista, sem pagar nem um centavo por ela. A capa da última edição traz o projeto Neon Neon, e entre os artistas destacados estão In Flagranti e White Noise.
Da gelada e culturalmente prolífica terra islandesa surge o jornal cultural e portal de web
Grapevine, escrito em língua inglesa e de distribuição gratuita em pontos bacanas da capital Reykjavík. É um primo mais velho e mais nutrido do
rraurl.com e ele se divide em edições sem periodicidade fixa - pode ser quinzenal, mensal.. - e no portal da web, onde pode-se ler a edição impressa de todas as edições desde 2003 e outras notícias do
hard news online.
Ele desempenha certa função turística para o país com seus guias culturais e matérias relacionadas à terra da Björk e sem pauta segmentada, ele abrange vários aspectos da indústria cultural, com foco no rock alternativo, artes visuais e cinema, fora entrevistas e perfis de personalidades locais.
BRASIL E XLR8RApesar dos exemplos citados acima serem tecnicamente mais arrojados, outras publicações de música já disponibilizam há tempos seu conteúdo na rede gratuitamente em formato PDF - mas sem a vantagem de ter um leitor próprio. Entre os exemplos estão a revista norte-americana
XLR8R, manual hipster que abrange música eletrônica, hip hop ou rock - desde que sejam artistas novos e imbuídos de alguma aura
cool.
Kindle (Amazon)

Por aqui, a edição brasileira da revista
DJ Mag também veicula boa parte de seu conteúdo em seu endereço eletrônico, apesar de ainda não o fazer integralmente. Infelizmente, pouco se faz para democratizar o conteúdo em formato digital, e impera a lei da senha e da assinatura em grandes portais e sites de títulos impressos.
Talvez, com a popularização e desenvolvimento de ferramentas como o
Kindle, da Amazon, o paradigma do papel comece a se dissolver e fique mais acessível consumir cultura globalizada. E com a recente onda de
grandes veículos liberando conteúdo na web, fica a expectativa que a moda pegue no Brasil, país em que a maioria dos portais e revistas ainda exigem senhas para liberação de conteúdo.