Da festa Nectar ao Beats In Space, o case festeiro do jovem DJ, pupilo de Pareto e Morcerf
A disco music está por todos os cantos, e se você costuma sair na noite paulistana e em outras capitais, já deve ter ouvido falar de Márcio Vermelho. Nome da nova geração de DJs dessa década, ele conquistou bom público e renome, basicamente com aquelas características inerentes a um bom disc-jóquei:
feeling, repertório e técnica.
Antigo entusiasta do (tech)house, do electro e agora um expoente da nova e velha disco, Márcio é um dos convidados do disputado programa de rádio online
Beats In Space, de Tim Sweeney (DFA
people, outro baita DJ), com participação prevista para hoje (26/fev - terça).
Para celebrar a data, conversamos com Márcio e abrimos seu
CASE para descobrir suas origens e muitas raridades musicais.
Conte um pouco como você começou a tocar. Que tipo de som ouvia na época, o estímulo e as influências... Sempre gostei de dance music, desde muito cedo comandava o som das festinhas da escola, do bairro, da garagem de casa. Isso se intensificou no anos 90 e na virada, em 2000, fiquei completamente fascinado pela house music e a vontade de ser DJ profissional aumentou.
Logo comecei a pesquisar mais a fundo o som underground que ouvia nas pistas, e aprendi a mixar. Frequentava várias festas, de todos os estilos, mas o som que me pegou mesmo foi a mistura de house, breakbeats e tech house que os DJs Pareto e Morcerf faziam no começo da década, isso me influenciou fortemente. A house estava numa boa fase, se fundindo ao techno (o tech house inglês vinha com força e logo se tornaria uma febre por aqui), e as faixas mais funky e com influência de dub eram criativas, cheias de groove.
Apesar disso, o techno era moda na cidade e as festas de house eram raras, não tinha muito espaço para tocar. Ao lado do DJ Victor A. criei minha própria festa, Nectar, que foi o pontapé inicial para desenvolver meu som e mostrá-lo ao público.
Fale algumas faixas dessa época que você toca até hoje. E algumas que você não consegue nem ouvir mais. Unreleased Dubs, do Chicken Lips, acho que é um dos poucos discos que ainda circula pelo case. Não toco quase nada dessa época, prefiro tocar faixas lançadas recentemente, e as clássicas que tenho tocado dão um salto maior no tempo, voltando às décadas passadas. E as que não consigo mais ouvir eu arquivo e nem lembro mais o nome!
Marcão Vermelho

Quando você começou a voltar olhos (digo, ouvidos) para old skool e neo-disco? Quais músicas e artistas marcaram esse momento? A partir de 2006 a disco começou a entrar com mais freqüência no meu set, quando artistas expoentes da 'nu disco' como Lindstrom, Prins Thomas, Michoacan e cia. começaram a produzir bastante coisa boa.
Mas não me limitei a tocar apenas esse
lado cósmico, afinal a retomada da disco trouxe várias facetas do estilo renovadas, incluindo o lado mais sujo e obscuro, produções com referências de italo disco, além da disco funk atual também. O melhor de tudo é que a possibilidade de tocar faixas antigas se tornou muito maior, enriquecendo o set. A
Alguns artistas que marcaram essa retomada, além dos já citados: Emperor Machine, Amplified Orchestra, Idjut Boys, Chicken Lips, Black Devil Disco Club,Toby Tobias, Reverso 68, Justus Köhncke, Faze Action... são muitos.
E lá pelos idos do final dos anos 70, começo dos 80, quais são os hinos da disco underground, na sua opinião?Nossa, tanta coisa... Não sei se faria uma lista justa de hinos agora, precisaria elaborar melhor, então vou citar alguns nomes que me vem à mente. Larry Levan, Sharon Redd ("Beat The Street", "Can You Handle It"), Chaz Jankel ("3,000,000 Synths", "Glad To Know You"), Dr. Perri Johnson ("Psyched Up"), Indeep ("The Record Keeps Playing") e tantos outros contribuíram com muitas das pérolas da história da disco funk.
Flash Content
Chaz Jankel - 3000000 Synths (Original Edit) (mp3)
Chaz Jankel - 3,000,000 SynthsNa virada dos 70 para os 80 a disco estava se contaminando, ficando mais suja e eletrônica, e a italo disco rendeu um universo à parte de clássicos. Amin Peck ("Coda", "Girl On Me"), N.O.I.A. ("The Rule To Survive", "True Love"), Trophy ("Slow Flight"), B.H.W/Casco ("Stop", "Cybernetic Love"), Gaz Nevada ("I C Love Affair"), Tantra ("A Place Called Tarot")...
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Casco - Cybernetic Love (mp3)
Casco - Cybernetic LoveFlash Content
Tantra - A Place Called Tarot (mp3)
Tantra - A Place Called TarotQuando você quer construir um set sem nada de disco, quais faixas ajudam a levar sua música pra bem longe dos anos 70? Difícil fugir dos 70, essa década e a disco music estão enraizadas na música eletrônica, é o começo de tudo.
Não abro mão da disco, gosto muito de misturar tudo no set, e esse estilo vai estar lá, mesmo que em um breve momento. Mas se for para enxugá-lo, toco house com bases mais eletrônicas, acid house, deep house, electrohouse, discopunk, ops, e aí caímos na disco de novo.
Quais artistas da disco e do electro antiga você gostaria que voltassem como um revival? Artistas que ainda tenham algo a dizer. Um bom exemplo é o
Black Devil Disco Club, que retornou no momento ideal.
O James Murphy comentou em entrevista que fazer o FabricLive deles foi difícil, porque as baterias disco são difíceis de mixar. Você já teve esse problema? Tem alguma música antiga que você adoraria tocar mas é impossível de ajustar no pitch? Ele tem razão, é muito difícil mixar as batidas da disco, principalmente as faixas mais antigas. As batidas não são sequenciadas, muitas vezes são baterias gravadas ao vivo com uma oscilação de BPMs absurda. Nesses casos não dá pra tirar a mão do pitch, nem insistir em uma mixagem muito longa. Tenho várias faixas bem difíceis de
mixar, mas quando quero tocá-las eu dou um jeito e toco assim mesmo! Uma que me rendeu muitas sambadas foi um edit maluco de "
Once In The Lifetime", do Talking Heads, acabei aposentando o disco.
Que tipo de música você tem ouvido em casa, para relaxar, um contraponto à música que você utiliza profissionalmente? Não sobra muito tempo para ouvir música off-pista, estou garimpando músicas dançantes o tempo todo. Gosto de ouvir bandas como Hot Chip e Hercules & Love Affair, também ouço muito sets, de diversos estilos. E sou fã do Matthew Herbert, sinto muita falta de coisas novas dele, enquanto isso ainda ouço
Goodbye Swingtime e
Scale, dois álbuns ótimos para ouvir em casa.
O set de Márcio no Beats In Space já está no ar. Clique para baixar o MP3, aqui para stream, ou acesse a página do programa.
:D
Nunca mais o vi pelo Rio...
J'fui dj também, seguia essa mesma linha que vc toca, gosto muito...
Abs.
Barata Under.
nunca esqueço a primeira vez que o vi tocar...numa avesso na d-edge...2005! virei fã :)