Cantora islandesa encerrou turnê asiática com discreto protesto em palcos chineses
A
Volta de Björk rendeu. A turnê asiática de seu sexto álbum teve um momento polêmico domingo em Shangai, na China. A cantora encerrou o show com a faixa "Declare Independence" e um grito de "Tibet! Tibet".
Com versos como "Raise Your Flag!" e "Don't Let Them do That to You!" (Levate sua bandeira! / Não deixem eles fazer isso com vocês!), o rápido protesto causou surpresa e desconforto no público de 3.500 pessoas que lotou o Centro Internacional de Ginástica da cidade. "A atmosfera ficou estranha, desconfortável comparada com o resto do concerto", disse um professor inglês que mora em Shangai, completando que não houve vaias, mas o público saiu preocupado e de forma rápida do ginásio.
VOLTA TOUR
A turnê de Volta é um evento grandioso que começou em abril do ano passado com shows na Islândia e no Coachella (EUA) e vai ainda até agosto desse ano, com novos shows no Reino Unido e na Europa. São 14 músicos no palco: ela, o bateirista Chris Corsano, o produtor Mark Bell, o pianista Jónas Sen e uma banda de metais com dez islandesas. Tudo muito colorido, flúor e com iconês circenses, do cotidiano e bandeiras gigantes, fora a chuva de fitas, papel picado e um curioso synth-table Reactable, comandado por Damian Taylor.
A mídia local, controlada pelo governo, não comentou o ocorrido, e a empresa responsável pela promoção do evento na China, a Emma Entertainment, não quis se pronunciar.
Foi a segunda vez que Björk se apresentou no país depois de um show pequeno em Pequim, em 1996. Na "perna" asiática e oriental da longa turnê de promoção de
Volta - 18 meses, quase 70 shows marcados e realizados desde abril/07 -, ela ainda tocou no Japão, Coréia do Sul, Indonésia e Oceania (Austrália e Nova Zelândia).
A China governa a montanhosa região do Tibete há 58 anos, numa política de repressão silenciosa que encontra refúgio na comunidade internacional, com aval de alguns popstars como Bono, por exemplo. Qualquer protesto mais efusivo significa aumento da segurança e do patrulhamento na área, lar de um dos religiosos mais conhecidos do mundo, o Dalai Lama.
OUTROS PROTESTOSMês passado no Japão, Björk já havia dedicado a mesma música a
Kosovo, que declarou independência da Sérvia. A atitude lhe custou o cancelamento de uma apresentação na Sérvia, marcada para julho, por questões de segurança.
Nos coloridos shows da turnê, que já passaram pelo Brasil em outubro passado no
TIM Festival, bandeiras da Groenlândia e das Ilhas Feroé estão sempre presentes. São dois territórios controlados pela Dinamarca, país que tem históricas relações políticas e bélicas com a ilha de Björk, tendo inclusive tratado a ilha como território regente e colônia.
Com agências internacionais (EFE, CNN.com)
Raise Your Flag!!!
Só cabe um reparo no texto: o Dalai Lama não mora no Tibet porque teve de fugir de lá para não ser morto!!!
Adorei a news. :o)