O advento da Internet anda acelerando as coisas na música pop. Apesar de ter caído no ouvido do povo em 2006 e mal ter tido tempo de amadurecer (ainda é cedo para dizer se a rehab deu um jeito nela), a britânica Amy Winehouse já é citada como precursora de uma nova leva de cantoras inglesas que saem da sombra de seus quartos para alcançar o topo dos charts.
Entre essas artistas, que aproveitam suas vozes potentes e as facilidades da promoção virtual para alcançar fãs por todo mundo, a jovem Adele Adkins é uma das que mais tem feito barulho ultimamente. Com apenas 19 anos e três singles lançados, ela já assinou contrato com a XL Recordings (casa do Radiohead e do White Stripes) e colocou seu primeiro álbum no mercado. O sugestivo
19, lançado em janeiro desse ano, evoca as raízes sonoras e dramáticas dos artistas da Motown para falar sobre crises pessoais e assuntos cotidianos, do jeito que o grande público inglês gosta.
A ESPERANÇA AOS 19Vinda da mesma escola onde se formaram Kate Nash e Winehouse, Adele canta como gente grande. Seus vocais poderosos renderam comparações instantâneas à Amy, fato que poderia ser até plausível se a original já tivesse tido tempo de envelhecer. Mas ao contrário da conterrânea, as músicas de Adkins são menos angustiantes, e respiram um ar rarefeito de esperança que as letras e a sonoridade abafada de
Back to Black insistem em sufocar.
"Daydreamer", por exemplo, abre
19 com um violão solitário fazendo base para os versos de cotidiano melodramáticos. "Sonhador, com olhos que fazem você derreter", diz a letra da música em um arroubo sentimental digno de ser encontrado no diário de alguma adolescente, guardado a sete chaves. "Chasing Pavements" não poderia soar mais pueril em sua letra: "Se eu contar ao mundo / Eu nunca terei dito o suficiente / Porque não teria dito a você / E é justamente isso que tenho que fazer / Se estou amando você".
O sucesso de Adele já garantiu a ela o primeiro prêmio dado pelo Brit Awards para jovens artistas, vencendo a conterrânea Duffy - outra que busca nas raízes negras a sonoridade para seu pop de fácil digestão. O currículo da cantora inclui ainda elogiosas críticas ao seu trabalho de estréia e à sua voz poderosa, além de apresentações em programas da BBC como o famoso Later With Jools Holland e o Friday Night de Jonathan Ross.
Se Adele, junto a Duffy e outras crias de Amy e companhia, será a cara do pop inglês em 2008, ainda é cedo para saber. Mas é certo que a embalagem pop que produtores como Mark Ronson (ele é um dos responsáveis pela concepção de
19) estão dando à black music dos anos 60 será lembrada como a forma certa de se chegar ao topo na música pop desses meados de anos 2000.
"Segura a Mariah que tem dentro de você, queridite."
OBS. Joss Stone é terrível!!!