Homem de Preto: Daniel Kessler, do Interpol
 Sou uma pessoa que não costuma ouvir meu próprio trabalho"
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Homem de Preto: Daniel Kessler, do Interpol
"Eu conheci os Strokes e o Yeah Yeah Yeahs do mesmo jeito que a maioria das pessoas: lendo sobre eles. Nunca fomos uma cena."
07.03.08 14:55
Interpol é uma daquelas bandas completas com que assessores adorariam poder trabalhar. O grupo possui um senso de estilo impressionante, ternos cirurgicamente cortados - assim seus como cabelos e ocasionais bigodes. Música com conteúdo e alheio a estilos passageiros. Soando autênticos em épocas comandadas por modismo, foraas constantes e ignoradas comparações com o Joy Division (ver abaixo), eles conseguem crescer, assim como o número de fãs, a cada disco lançado.

Em turnê do álbum Our Love to Admire, de 2007, o quarteto vem ao Brasil pela primeira vez sem saber o que esperar. O rraurl.com entrevistou, via telefone, o guitarrista e criador da banda, Daniel Kessler, num papo que envolveu mudança de gravadora, estilo de composição e a cena de 2001.

Sempre tratando o Interpol como seu projeto ideal, Daniel afugenta qualquer crítica à sua banda, sendo ela positiva ou negativa. Porém, mesmo soando muito sério em várias respostas, ele não passa a mesma frieza e imponência dos palcos. É só uma pessoa que acredita estar dando o seu melhor em algo que acredita (e faz para si mesmo).

Valeu a pena deixar a Matador Records e ir para a Capitol (EMI)?

Como assim valeu a pena? Nada mudou. O Interpol é uma banda que trabalha desse jeito. Mudar de gravadora não nos muda. O processo de gravação, o som, nada é alterado.

Mas nesse terceiro álbum vocês adicionaram sintetizadores à música, não?

Na verdade não. Eles eram teclados normais e não foi algo como se tivéssemos adicionados novos elementos. Foi só um meio diferente de obter um som característico.

Isso foi influência de algum produtor novo? Quem produziu os primeiros albums?

Não, de maneira alguma. O Interpol não deixa um produtor alterar o som. Não somos esse tipo de banda. Não há ninguém dizendo como deveríamos soar em nossos álbuns. Nós produzimos os três EPs, o último álbum foi produzido por outra pessoa.

A banda
A banda
E qual deles é o seu favorito?

Não dá para escolher. Cada um foi bem representativo do que o Interpol era no momento. Era o tempo certo para cada um ter saído, era como cada integrante se comportava e sentia na época.

Algum foi mais fácil de se fazer?

Não, nunca é fácil criar um disco. Nós tentamos procurar por novos meios de expressar nosso som.

Quais são suas influências pessoais?

Eu sempre estive ligado à musica. Sempre fui muito ligado a ela. Então não há coisas que eu diga que me influenciaram diretamente. Todas as músicas que eu gosto me influenciam, assim como discos que eu ouvi há muito tempo.

Essas vastas influências nunca te levaram a uma carreira solo ou algum projeto paralelo?

Não. Eu tenho todas as minhas vontades realizadas com o Interpol. É a minha banda ideal. E isso é o que eu gosto nela. Não é a toa que estamos há quase dez anos tocando juntos.

O que você tem ouvido ultimamente?

O álbum novo do Burial.

Você gosta dos remixes feitos para o Interpol?

(Pausa) É interessante... ouvir a interpretação de outras pessoas para seu trabalho. (hesita) É, eu gosto de remixes. Não há nenhum específico, na verdade. O negócio é que eu sou uma pessoa que não costuma ouvir meu próprio trabalho. Não gosto de ficar preso em algo velho. O que eu fiz foi feito da melhor forma que eu pude, então não há ponto em ficar ouvindo de novo. E por isso eu não leio críticas, resenhas e até entrevistas.

O que me libera pra escrever o que eu quiser. Mas nem resenhas de shows?

Não. Eu faço o melhor que posso. Sem me importar com o que as pessoas acham. Se elas gostam é ótimo, mas se não gostam não é algo que me afete.

Daniel trabalhando
Daniel trabalhando
O que é pior: ser comparado ao Joy Division toda hora ou ter bandas como She Wants Revenge e Editors comparados a vocês?

Qual foi a pergunta? (Após repetir) Eu tinha entendido, mas não entendo o significado. É natural que comparem, mas eu disse, eu não leio e não me importo. Já ouvi dizer que essas bandas não se dizem influenciadas por nós e eu tenho minhas influencias bem claras. E isso é o bastante para mim.

Vocês já estão planejando o novo álbum?

Não, ainda estamos trabalhando a turnê do último lançamento.

Então devemos esperar um próximo álbum para daqui dois anos? Afinal, porque o Interpol demora tanto lançar seus álbuns?

É que quando estamos em turnê não dá para escrever músicas. Até dá para escrever as letras, mas o clima não é o ideal para isso. Eu gosto de sentar, prestar atenção no que eu estou fazendo. Quando eu começo a montar alguma coisa nos unimos para trabalhá-la. O Interpol funciona diferente das outras bandas, é uma coisa coletiva e precisamos do clima ideal.

O que mudou desde a demo-tape até agora?

Eu diria que muitas coisas mudaram desde a gravação dos três primeiros EP até o Our Love to Admire. Agora conhecemos uma rotina de shows. (Hesita)
Mudou muito e ainda muda, por exemplo, estamos indo tocar pela primeira vez na América do Sul agora, com quase dez anos de carreira.

Mas há dez anos a formação era outra, certo?

Sim, mas a única coisa que mudou foi o baterista. Que saiu por volta de 2000.

E as pessoas começaram a falar de vocês por volta de 2001.

Sim, mais ou menos nessa época.

E essa cena 2001 de Nova York? Ela realmente existiu?

Não. Eu conheci os Strokes e o Yeah Yeah Yeahs do mesmo jeito que a maioria das pessoas: lendo sobre eles. E apesar deu gostar do trabalho de ambas, e ter me tornado bons amigos com eles, não fomos uma cena. Apenas aconteceu de surgiu três bandas legais do mesmo lugar, ao mesmo tempo.

Você conhece a nova cena internacional brasileira ou ainda está na época do Caetano Veloso?

Eu conheço o CSS e o Bonde do Role.

E gosta?

Não conheço o trabalho deles, mas já li coisas muito boas a respeito do CSS. E uma vez já conversei com a menina do Bonde, que foi bem simpática.

Raphael Caffarena
Raphael Caffarena
bad rabbits and good habits.
comentários
Flávia Durante
Flávia Durante(12.03.08)
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daniel! beijo, me liga!
Diogo Dreyer
Diogo Dreyer(08.03.08)
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Realmente Rhafael, parabéns pela paciência de aguentar o figura. Que vontade de falar, hein? Mas apesar disso, a entrevista está ótima.
Thiago Augusto
Thiago Augusto(07.03.08)
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O que você tem ouvido ultimamente?
O álbum novo do Burial.

Óia!
Rafael BZ
Rafael BZ(07.03.08)
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Adoro a banda, mas acho q adoram aparecer nesses discursos de que não acompanhada nada e que não tem nada a ver com Joy Division...
Coisas de bandas de rock...
Cj Hal
Cj Hal(07.03.08)
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ah vai, o cara pelo menos escuta Burial, Chicão.
Dá um desconto...
 
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