Banda nova iorquina se apresentou no Via Funchal ontem (11.03) na capital paulista
Recebidos pela platéia como grandes astros, pontualmente às 22h10, o quarteto - acompanhados por um tecladista de apoio - entra em ordem, quase um fila indiana, aos berros e gritos histéricos. Com música clássica de background eles apanham seus instrumentos e esboçam um cumprimento intimista. Hora de apagar as luzes brilhantes e deslanchar "Pioneer to the Falls", aqui celebrada como vitória em Copa do Mundo.
Já na segunda música, "Obstacle 1", cantada em coro pela massa, a onda de calor tomava conta da casa de shows que criou um constante êxodo das pessoas próximas ao palco para lugares mais distantes, levemente atingidos por um preguiçoso ar-condicionado. Porém, ao me tornar uma dessas pessoas, percebi que não era apenas o ar que não conseguia atingir a todos, o som perdia a clareza e se tornava tão abafado quanto o clima.
Kessler, o mais empolgado

No palco, cada uma possui sua postura independente. Paul Banks, vocalista/guitarrista, aparenta estar em posição vulnerável e desconfortante encarando o microfone. No entanto, sua voz grave passa uma acolhedora segurança ao desfilar em letras estranhamente românticas. Daniel Kessler, guitarrista, se mostra o mais animado, posando de rockstar e dançando engraçado do lado direito do palco. Carlos D., baixista, é a encarnação do blasé. Metido a cool, ele fazia caras e bocas olhando para o nada. Já Sam Fogarino, baterista, era o único sem o modo Interpol de se vestir (ternos, camisas e casacos). De camiseta ele maltratava bumbos e pratos ao investir no peso da batida.
HITS, HITS E MAIS HITS!Os hits se tornavam gigantescos com ajuda de uma eufórica e embasbacada platéia, que por vezes, superavam o vocal de Paul Banks, sempre a pedir aos técnicos para aumentar o volume do seu microfone. "Slow Hands", " Evil" e "The Heinrich Maneuver" devem ter elevado mais graus a um já ardente termômetro. Porém, faixas como "Rest My Chemistry" e "The Lighthouse", assustaram não-fãs da banda e aumentaram filas de banheiros e bares, por sua extrema lentidão.
Após 15 músicas, as luzes se apagam e a banda se retira do palco. Após palmas, gritos e os cinco minutos clássicos de intervalo, o grupo retorna somente com músicas do álbum
Turn On the Bight Lights, uma das melhores estréias da década. "NYC" foi emocionante ao extremo, a euforia era grande demais para tal música tão intimista. Foi dispensável a sacada de acender todas as luzes na parte de em que ele dizia para acendê-las na música - "Turn On The Bright Lights!". A surpresa da noite ficou pela adição de "Stella Was A Diver And She Was Always Down"; uma das preferidas de muita gente e inconstante nos tracklists da banda. A épica história de Stella, repleta de duplos sentidos e momentos de maltratar coração, se transformou numa longa
jam session não muito virtuosa, mas que re-animou a casa quando a bateria começou a seguir a linha de "PDA", que encerrou a noite de forma correta.
O show mostrou que apesar de funcionar como uma máquina de elementos (e personalidades) desconexos, o Interpol possui sincronia suficiente para soar quase perfeitos (em comparação com as músicas em estúdio). Um pouco mais de espírito de gangue não faria mal aos americanos, mas não dá para esperar calor deles no momento em que cantam sobre amores perdidos e sonhos desfeitos. Aliás, o Via Funchal já nos ofereceu calor demais, nem sei por que estou reclamando.
Lista de faixas01. Pioneer to the Falls
02. Obstacle 1
03. NARC
04. C'Mere
05. The Scale
06. Say Hello To The Angels
07. Mammoth
08. No I In Threesome
09. Hands Away
10. Slow Hands
11. Rest My Chemistry
12. The Lighthouse
13. Evil
14. The Heinrich Maneuver
15. Not Even Jail
Bis:
16. NYC
17. Stella Was A Diver And She Was Always Down
18. PDA