Acontece também na Islândia (maior IDH do mundo, 313 mil habitantes, 500 mil ovelhas, alguns gêiseres). Durante décadas um dos maiores símbolos da cultura local, o lendário Sirkus, foi obrigado a fechar suas portas. Sob o pretexto de revitalizar o centro da capital Reykjavík, a Prefeitura da cidade anunciou a demolição do bar já no final de 2007. Na semana passada, tudo veio abaixo. Os destroços do que um dia foi o maior centro irradiador de cultura do país darão lugar a um complexo comercial, para a comoção e tristeza de milhares de islandeses.
Não era para menos. Nesse minúsculo bar, entre uma dose de
Brennivín e outra, boa parte da história da música do país foi escrita. Lendas sobre o lugar não faltam. Os mais saudosistas contam que os
Sugarcubes eram freqüentadores tão assíduos que o local chegou a servir de endereço postal da banda no início da carreira. Nesse tempo, Björk era vista volta e meia fazendo as vezes de DJ no lugar. Foi lá também que grupos como GusGus, Sigur Rós e Múm deram as caras ao mundo pela primeira vez.
FAMA INTERNACIONALFreqüentado pela trupe criativa, o Sirkus ficou conhecido como um reduto de músicos, artistas, escritores, estilistas, videomakers e "apreciadores das artes" na capital islandesa. Em pouco tempo, a reputação do lugar correu o mundo. Ano após ano, a sua fama atraía um número cada vez maior de turistas curiosos em conhecer o lugar reverenciado em guias de viagem, revistas e até videoclipes.
Quando a demolição foi anunciada, protestos desesperados vieram de várias partes do mundo. Falava-se do fim de uma era. A organização do
Iceland Airwaves - maior festival de música da Islândia - chegou a enviar uma queixa formal à prefeitura de Reykjavík, num apelo aos governantes contra o que chamou de "um ataque à vida cultural do país". Paralelamente, um grupo recolhia assinaturas para uma petição contra o fechamento do Sirkus, mais tarde entregue ao prefeito da cidade. As milhares de rubricas não mudaram a decisão do conselho da cidade, que fixou a ordem de demolição para meados de fevereiro e março.
Por fim, antes que a bola de ferro acabasse com tudo, houve tempo para um último adeus. Semanas antes da demolição, um festival organizado às pressas trouxe ao minúsculo palco do Sirkus nomes como GusGus, Sigur Rós, Singapore Sling, Motion Boys e Múm, além de outros cinqüenta grupos.
De lá para cá, rumores circulam na agitada cena de Reikjavík. De palpites sobre um suposto novo local que abrigaria o querido bar ao boato de que um museu britânico estaria interessado em comprar partes do antigo prédio demolido, pouco se sabe de concreto. No meio de tanta neblina, a única certeza parece ser a vontade dos islandeses de ver o Sirkus imortalizado.
O lugar é bacana mesmo. Meu primeiro (único e último) porre de Brennivin foi lá....