MGMT - Oracular Spectacular
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ficha técnica
Nota: 4.2 / 5
Ano: 2008
Selo: Sony / Columbia
Estilos: rock, electro, psicodélico
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MGMT - Oracular Spectacular
O rock dança e vira indietronica, embalado pela boa musicalidade do hedonismo atual
28.03.08 21:30
A presunção do indie rock é indigesta. Envolve toda uma erudição exagerada que na eletrônica encontra similaridade na defesa xiita de certas sonoridades. Mas essa imodéstia pode ser justificada nos casos de boa música, com um "plus a mais" quando se trata das boas fusões rock + dance.

O melhor exemplo no momento é a banda nova-iorquina MGMT (abreviação adotada para a alcunha The Management), evolução natural de uma estética multi-instrumentalista do rock alternativo, que de tão composta faz brotar a semente malucona da indietronica (em 2007 os expoentes foram Animal Collective e, em maior escala, Of Montreal, um hype fulminante que passou meio batido pelo rraurl).

Enfim, Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden formam a dupla de estudantes universitários do Brooklyn de gosto musical esquisitão que um dia se conheceram e formaram o MGMT. São bons músicos de fato, pouca gente consegue o estrondo qualitativo de um EP de estréia como eles conseguiram com Time to Pretend (2005). Mas nada foi rápido, levaram-se alguns anos até para que o baixista do Mercury Rev os produzisse, a Columbia os contratasse e eles lançassem o belíssimo CD Oracular Spetacular. Ouça o single em questão.


Time to Pretend

TIME TO PRETEND
I'm feeling rough, I'm feeling raw, I'm in the prime of my life.
Let's make some music, make some money, find some models for wives.
I'll move to Paris, shoot some heroin, and fuck with the stars.
You man the island and the cocaine and the elegant cars.

This is our decision,
to live fast and die young.
We've got the vision,
now let's have some fun.
Yeah, it's overwhelming,
but what else can we do.
Get jobs in offices,
and wake up for the morning commute.

Forget about our
mothers and our friends
We're fated to pretend
To pretend
We're fated to pretend
To pretend
Essa música resume bem o espírito MGMT: synth-pop épico, guitarras psicodélicas e vocais arranhados - tão épicos quanto os synths -, cantando as dificuldades e sonhos do hedonismo moderno: viagens, sexo, drogas, diversão, música, amigos, drogas... (veja a letra no box). A psicodelia - reminiscência forte numa análise inicial da banda -é modernosa aqui. O estilo é abravanation-étnico total. Os rostos são saudáveis e despojados, o colorido é constante e, como o vídeo acima mostra, a vida é uma celebração neo-hippie, sem rótulos, normas, regras e dogmas. Óbvio, que assim seja na música.

O mais interessante de toda essa fanfarra indietronica é o apelo pop. Os refrões marcam tanto quanto uma bizarrice do The Knife ("Kids" é tão The Knife!) e as intros e os riffs grudam na cabeça pela capacidade dance das canções.

MIX DE PSICODELIAS
"Kids" é quase uma exceção no álbum de tão destacada. É basicamente uma faixa de electro que fala da infância, a caixa da bateria bem afinada na repetição e tudo soa até primário se não fosse uma faixa boa - dizem que nos shows iniciais do MGMT Bem e Andrew apenas cantavam sobre as bases pré-gravadas.

Então onde fica a psicodelia roqueira? Na hipnose Velvet Underground versus Flaming Lips de "The Youth"; no inegável lado negro da lua Pink Floydiano de "The Handshake"; no rockão experimental e sussurrado de um óbvio Radiohead, como é "Future Reflections". A cadência de alternâncias discrepantes do math-rock e do indie em geral (Man Man, Of Montreal) aqui vira uma fonte contemporânea (e imprevisível) de psicodelia. Caso de "Weekend Wars".

É esse o clima...
É esse o clima...
Tudo com pandeiros meia-lua setentistas e solos longuíssimos que, em certos casos psíquicos, podem levar à agonia. "Of Moons, Birds & Monsters" é assim, tem que estar no clima da bateria chorosa e o arpejo surrounded de sinos, barulhos e espamos. Deve ter em sua composição aqueles sons que só os cães percebem, faça o teste com o seu bichano.

Mas como se trata do hedonismo descontrol de nossa época, não se preocupe porque a amargura psicodélica a la Pink Floyd não vinga aqui. São apenas jovens garotos alimentados com iogurte fazendo (boa) música. E mesmo com o fato inegável da boa musicalidade, eles nem se levam tanto sério assim. Exemplo? MGMT é tão dançante que soa até funk em alguns momentos. "Electric Feel", a melhor faixa do disco, é o exempl. A composição vocal em dueto, a bateria militar em marcha e uma camada de niponismo italo-disco embutida lá atrás, na freqüência em que seu cérebro percebe mais que os ouvidos, tudo isso faz nascer essa sonoridade que no futuro será o reflexo desse nosso tempo.

Adicione à esse rockão dançante um toque de orientalismo hipnótico, amores com hormônios em ebulição e você tem a melhor festa que o e o indie rock podia criar. Com toda a pose e a arrogância que lhe é de direito, claro, mas as implicâncias somem após você ser conquistado pelo tecladinho infame da intro de "Kids". Ouça, de coração aberto.
MP3
Flash Content
MGMT - Electric Feel (mp3)

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MGMT - Kids (mp3)

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MGMT - The Handshake (mp3)

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MGMT - The Youth (mp3)

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MGMT - Time To Pretend (mp3)


Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
it's like the 60s, with no hope