Conversamos com antigos e eternos freqüentadores de, como disseram, "um dos clubes mais sólidos que São Paulo já teve"
Recordar é viver. E seguir em frente também. No ano que completaria uma década de existência, o Lov.e Club fecha as portas providencialmente, deixando uma legião de freqüentadores nostálgicos e injetando expectativas naqueles que já não iam no clubinho há tempos e agora esperam por novidades - os boatos sobre o novo clube de
Flávio Ceccato, ainda para 2008, são constantes.
Enfim, a ladainha "já era hora de fechar" era bem repetida ultimamente, mas o Lov.e dos tempos do Paradise e do Club & Lounge pode não existir mais, só que a casa da Vila Olímpia teve uma rentável sobrevida com as noites de quarta do Pancadão, a domingueira black e o vizinho Loveland, o bonito cabaré happy-hour inaugurado há menos de dois anos.
O
rraurl.com presta uma singela homenagem agora com um
guestbook em que antigos e eternos freqüentadores, profissionais da noite e afins lembram seus melhores momentos, os fatos marcantes e tudo mais que a colorida pista do Lov.e pode trazer à mente.
As festas de despedida serão duas: hoje (
04/abr), com inúmeros DJs que passaram pela casa e o Loveland aberto simultaneamente, e sexta que vem (
11/abr), numa outra festa só para o pessoal do drum'n'bass, turma que fez história também por aquelas bandas.
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Flávia Ceccato

"Lembro perfeitamente que quando rolava algum DJ gringo o Lov.e ficava insuportável, mas mesmo assim, munido de toda coragem do mundo sempre estava lá e presenciei noites memoráveis como Technasia e outros..."
Italo Lopes (THORR do fórum antigo)"A lembrança mais forte que o Lov.e deixou em mim é como locação: o Lov.e chegou todo vermelho, amarelo, verde, laranja, com conforto, som alto, muita luz. Era uma antítese mesmo, completamente diferente da referência que a gente tinha de club em São Paulo. Depois, na "gestão" da Eli, o Lov.e fez fama trazendo pencas de bons convidados internacionais às sextas. Claro que essa tendência de trazer artista internacional já existia, mas foi o Technova que deu força e organização para essa história. Hoje qualquer um traz, mas em 98, 99, era outra história. Dá pra ficar lembrando pencas de momentos incríveis do clubinho, mas pra finalizar vou de lugar-comum mesmo: a segunda-feira com Laurent Garnier, o live do Vitalic, o live do Anthony Rother, a gig do Ls2, a festa de 6 anos do rraurl..."
Gaía Passarelli, rraurl.com"Adorava o ar de amigos "de vista" que existia na casa, a qualquer dia da semana você encontraria as mesmas pessoas lá, e apesar de nunca termos conversado, sempre nos cumprimentávamos com um tchauzinho de longe, uma acenada com a cabeça ou um oi inaudível. E o mais legal é que não era um clima de 'as pessoas de sempre', mas sim de 'o pessoal do Lov.e'. Até hoje quando eu cruzo na rua ou na balada com alguém dessa época já me vem a cabeça: 'o fulano do Lov.e'.
Alberto BoniPancadão

"Nove anos com papel cumprido. É bom ver que esse tempo todo não passou em vão e "ajudou" muita gente a afinar os ouvidos pra música boa. Ficam na memória o animado Pancadão, os sets do Patife, Pet Duo, Mau Mau.. A muvuca na noite de Miss Kittin... E a pista, quando ainda era fervida e cheia de gente interessante."
Rodrigo Guima"Lembro da noite de abertura, fui com Felipe Venâncio. Achei superlegal por ser um lugar marcado pela decoração colorida, otimista e alegre - diferente a sala escura e enfumaçada que era o Hell's. Tinha as almofadas/pufes em forma de ameba que a gente ficava atrás da cabine. Lembro de festas divertidíssimas com Lara Gerin, Otto, Oscar Bueno, Sergio Amorim, Cacá Ribeiro, Celsinho Kunihiro... Era um lugar que você podia ir sozinho porque sabia que ia encontrar os amigos lá. Adorava ficar entre a festa e a sala VIP, onde brincávamos de telefone-sem-fio, por que todo mundo sentava um do lado do outro."
André do Val, site EP"Freqüentei muito o Lov.e no final dos anos 90 e tive alguns momentos memoráveis por lá. Algumas vezes tive a sorte de ficar na sala vip que eu sempre achei luxo e não vi outra similar até hoje. Foi nessa época que eu comecei a freqüentar mais a noite e me apaixonar pela vida noturna. Adorava o café da manhã que rolava nos domingões que era o que dava força para chegar em casa. Entre as noites mais divertidas que eu tive por lá não posso deixar de mencionar a festa com a Miss Kittin, em que eu achei que era a própria "kittinete" dançando do começo ao fim do set sem sair de cima da bancada que ficava ao lado direito da pista. Foi no Lov.e também que comecei a ouvir música eletrônica e só posso dizer que ele foi o estopim para a minha vida boêmia e por ser tão festeira como sou hoje."
Lalai, promoter"Não posso dizer que foi ali que eu descobri a música eletrônica, mas certamente foi o lugar onde eu peguei gosto pela coisa.
A primeira vez que ouvi um set do Daniel UM foi muito marcante. Aquilo foi para mim um divisor de águas. Outra noite memorável, anos após essa, foi a apresentação do Rother. Mesmo já tendo ido para Festivais e clubs no mundo todo, poucas vezes vi uma sinergia tão grande entre o artista e a pista.
O Lov.e foi e sempre será a ‘casa de todas as casas'".
Augusto Arruda Botelho, advogado criminalista e dono do Clash"O caminho que começava no início da rua Pequetita, passava pelo Via Funchal e pelo cachorro quente, virava no prédio branco, passava pela portona de aço e adentrava aquela pista multi-colorida até chegar no final, onde estava a cabine do DJ foi um que eu percorri centenas de vezes... acho que toquei no Lov.e todos os anos desde que abriu. Não teve nenhuma vez que esse caminho não foi acompanhado de excitação, de uma sensação boa de estar chegando numa festa que você sabia que ia ser boa.
Entre muita coisa boa, eu destaco as noites do Dmitri no primeiro ano da casa; um especial de breakbeat do Love Machine, quando saímos de lá quase meio-dia; muitas Discologys do início, em especial uma com Mau Mau; a festa com Laurent Garnier na segunda-feira; e o lançamento do livro da Clau Assef."
Camilo Rocha, DJ e jornalistaLaurent em 2003

"As festas com DJs internacionais eram realmente especiais. A vez da Miss Kittin, em plena terça-feira, na primeira festa de 2003 foi uma noite de gala! Lembro do imponente gerador montado na calçada do clube e do chão novíssimo, pintado de um preto brilhante. Toda gente que circulava à noite havia comprado ingresso. O clima durante o set era histericamente ótimo. Taquicardia quando ela tocou Michael Jackson."
Danilo Poveza, assíduo"Adorava trabalhar a frente do Paradise no Lov.e! Eu fazia door-policy e o povo me odiava, rs...
Na verdade todo mundo entrava, mas as pessoas mais bacanas entravam antes e as manhãs de domingo eram uma delícia!"
Marcelona, primeira hostess do Paradise"Foi no Lov.e que eu comecei a ouvir música eletrônica com freqüência, e várias das noites mais divertidas que passei aconteceram ali; uma em especial foi a do Anthony Rother: música da melhor qualidade com público ensandecido!"
Thiago Ney, Folha de S. Paulo"Eu sou um dos sortudos que tocou em incontáveis ocasiões na sexta-feira de techno do Lov.e durante os últimos seis, sete anos. Eu mantenho viva as lembranças de público e atmosfera amigáveis. Isso que fez o clube único. Mas o que as pessoas provavelmente não devem saber é que eu não só toquei lá como também freqüentei várias vezes a casa como cliente regular, principalmente das noites de Pancadão, que em minha opinião eram das mais loucas noites da cidade!"
Charles Siegling, Technasia"o Lov.e foi o meu berço. foi lá que ouvi 'Can U Feel It' pela primeira vez, em 98 (a track já tinha 10 anos, e eu, apenas 15) e comecei a andar. também ouvi outra track, com seus próprios autores na cabine, que me disseram que 'essa faixa a partir dessa viagem chama-se love story'. poderia facilmente ter sido 'lov.e love story', mas acho que não era um bom nome. depois de algum tempo, nunca mais precisei chamar amigos, sempre tinha um bocado lá pra curtir junto. foi uma experiência mais importante do que ver qualquer artista, foi a experiência de vários artistas, de várias pessoas, todos juntos num único coração, num amor único."
Marcelo Arditti, Pacha"Uma vez, fui erguida por uns cinco go-go boys em frente da cabine, no meu aniversário. Eu não sabia de nada, a Flá armou tudo na surdina. Detalhe: eu estava de saia - e de calcinha!
Numa noite de Pancadão, encasquetei de tirar fotos com todos os desconhecidos que estava na pista, fazendo "sux" ou "hang loose". Tenho este álbum de fotos até hoje.
Teve uma Discology (imagina, rolava às terças no Lov.e) em que a Elka Andrello, que era a nossa VJ, me chamou pra perto do equipamento dela e ficamos escrevendo frases sem noção. O Mauro Borges, que era o go-go boy oficial, tava dançando de um jeito absurdo, tirando a camisa e colocando o gorro no rosto. E a gente começou a escrever no telão "Mauro Borges é bicha!! Mauro Borges é tudo!!!". E uma série de outras barbaridades. Ainda bem que ele é nosso amigo e compartilhava mesmo do grau alcoólico na ocasião.
E esta não é bafão, mas foi uma das noites mais emocionantes da minha vida:
o lançamento do "Todo DJ Já Sambou", que reuniu TODA a classe trabalhadora da noite, do KL Jay ao Marky, da turma do Ultralounge à Loca, do povo do techno aos então simpatizantes do funk carioca. Na cabine ou na pista, nunca vi tanto DJ por metro quadrado na vida. Foi uma honra, e uma noite que, apesar da vodega, não vou esquecer nunca, jamais."
Cláudia Assef, DJ e jornalista"Com o perdão do lugar-comum, ‘são tantos bons momentos que fica difícil escolher um só'. Sério, o Lov.e foi meu clube preferido por muitos e muitos anos. Cheguei a ir 3 vezes na mesma semana! Eu podia ir sozinho, até, porque sabia que encontraria muitos e bons amigos. Vai dar saudades para sempre dos amigos, das risadas e dos djs maravilhosos que vi lá. Ah, lembrei: Octave One tocando Blackwater foi o momento mais incrível que já vivi numa pista. Toda a sorte pra Flávia nas próximas empreitadas!"
Gabriel Gaiarsa, Circuito"O Lov.e com certeza teve grande importância para mim e muitos outros djs e amantes da musica eletrônica. Foi onde vi o DJ Mau Mau tocando pela primeira vez, foi onde me deslumbrei, onde fez parte de uma boa fase da minha vida, onde freqüentei muito e me apresentei pela primeira vez profissionalmente, onde tive noites que me lembrarei pro resto da vida!"
Thiago Salvioni, DJGeorge ACT @ Lov.e por SP (2004)

"Durante algum tempo as quintas-feiras do Lov.e foram a melhor noite de São Paulo.
Marky e sua Vibe fizeram história na cena paulistana e abriram portas fundamentais para o DJ brasileiro mundo afora. Um destes capítulos foi escrito no começo dos anos 2000 pelos ingleses do Bad Company, à época um dos principais projetos de Drum N'Bass existentes.
Entre as tradicionais filas na porta, muito bafo (de calor mesmo, porque D+B é ritmo de macho!), batidas sombrias, linhas de baixo altamente paranóicas e atmosfera densa como um pântano, poucos tímpanos sobreviveram.
Para se ter uma idéia do estrago, João Gordo estava desmaiado na porta do clube e de lá só sairia para a última de uma série de internações médicas a que vinha se submetendo por, digamos assim, curtir a noite de mais, embora agora o apresentador seja um pacato pai de família.
O Lov.e vai deixar saudades e a esperança é que ele reapareça renovado em algum canto desta cidade o mais breve possível. Dizem até que o drum‘n'bass está voltando..."
Gustavo Mayrink"Um dia eu estava lá, linda, com o bofe, que disse que era modelete e tals. Aí fomos no banheirão lá da pista. Aí no meio da pegação ele escorregou e caiu no chão, de pau duro. Foi um mico, ele broxou, eu também, e desencanamos. Voltei para a pista e fiquei na minha, enfim.
Tempos depois eu o vi no Funhouse, fingi que nem vi. Ele ainda estava com um chapéuzinho que parecia o da Eliana, um horror"
Dalila de Luca*, antiga e saudosa freqüentadora"Não é fácil falar do clube que fez parte da minha vida tanto nos embalos de sexta à noite quanto profissionalmente. O curioso é que ali passei por todas as fases mesmo. Apesar de muito ter ouvido falar, não freqüentava no início por medo de ser barrada por ser menor, as primeiras vezes como freqüentadora fazendo bagunça no fundo da pista, a primeira vez que a salinha de pelúcia se abre, os convites para trabalhar lá. Fazem parte dessa história principalmente os Technovas de 2004 regadas a frozen-margarita, as ressacas de quinta-feira pós-interbreaks, noites de muito fervo na pista ou de fofoca e drinks na salinha com amigos, o convite da Eli para assumir o Technova e o modo como fui recebida pela equipe. Agora, se é para falarmos de noites memoráveis, não há como fugir do clichê, a primeira vez do Rother e a "special monday" com Laurent em 2006. Ai se aqueles lustres ou pelúcia falassem. Certamente teriam mais para contar que a minha memória..."
Giuliana Viscardi, ex-Lov.e e ex-rraurlRother, memorável

"O Lov.e foi e sempre será na minha opinião o club mais importante de música eletrônica do Brasil, pois foi de longe o clube que conseguiu trazer mais talentos que fizeram a diferença na história da música eletrônica. Foi um prazer ser um amigo da casa desde 98 e participar ativamente de sua história até pouco antes do final.
Não posso deixar de destacar a primeira vez que bookei o Anthony para tocar lá. Foi memorável, vi muita gente que há muito tempo não saía de casa na pista, emocionada... Vi muita gente perder a linha e chorar na pista, inclusive o próprio Anthony :)
A expressão facial da Flávia no cantinho da cabine também vai ficar guardada na minha memória pra sempre."
Marco Oliveira, Clunk"O Lov.e foi muito mais que um club, foi uma verdadeira Instituição de música eletrônica underground com os maiores especialistas do planeta. Lá conheci pessoas incríveis que hoje fazem parte da minha vida e ambiente de trabalho. Um momento marcante entre tantos: DJ Craze com Marky, sai horrorizado com o show dessa noite!"
Thiago Granato"Vai fechar??? Não acredito!
Passei pela Lov.e algumas vezes e duas delas foram muito especiais. Durante a campanha eleitoral para vereadora, toquei na pistinha lá do fundo, junto com o Alê Youssef e o André Barcinski. Sou uma DJ de araque, que depende muito de inspiração (amadorismo é assim...) -- naquela noite eu estava muito inspirada, foi delicioso.
E em um dos três únicos ensaios fotográficos vagamente sensuais que eu já fiz na minha vida (não levo o menor jeito), as fotos foram lá! Não é difícil achá-las no Google... E por causa delas ganhei um fã insistente, de tipo peculiar. Como apareço descalça, um rapaz aficionado por pés me "canta" por e-mail, pedindo mais fotos deles...
Lov.e, lov.e, lov.e :o)"
Soninha Francine, vereadora e pré-candidata à Prefeitura de SP"Todo mundo fala do "clubinho do coração", mas eu sempre lembro do "clubinho dos lustres". Será que posso pegar na festa final, Flavinha? Lembrando do Loviiiii logo vem à cabeça a noite da abertura com a Marcelona, que eu havia conhecido há pouco gravando um clipe com Mau Mau no velho Hell's, de hostess infernal. Marcelona fez (e faz ainda) muito carão. Demorou muito pra ela me puxar da muvuca que queria conhecer a novidade clubber da cidade.
Outros momentos que ficaram foram as superlotações pra ver Miss Kittin e Vitalic. Foi um sufoco, mas valeu à pena! Lá também vi Marco Carola e Oxia pela primeira vez e foram ótimos. E é claro que ficam na lembrança as noites ótimas com Mau Mau e Renato Cohen e o hype das micro-saias da Eli Iwasa!"
Ivi Brasil, D-EdgeGil @ rraurl 5 anos!

"Eu me recordo principalmente de entrar no Lov.e pela primeira vez, porque foi o último club em que senti aquele velho friozinho na barriga ao atravessar a porta. Parece que, à medida que se envelhece e mais noites vão se tornando inesquecíveis, essa sensação vai se perdendo, criamos uma certa tolerância e ela se esvai com nossa juventude.
Depois de cruzar as pesadas portas de metal, a Paula já estava tocando e fazia um set encantador como de costume. Mas o detalhe era aquele som... Ah, aquele sound system era um absurdo! Tanto que era obrigatário ficar ali na faixa posterior ao degrau do palco só para ter o privilégio de os falantes cuspir as snares bem no topo da sua cabeça.
Aquele club quase sobrecarregava o sistema nervoso de tantos estímulos sensoriais. Mulheres lindas na pista, uma vibração deliciosa de todos ali, juntos para dançar até a hora que fosse. E aí Marky entra primorosamente e, apesar de conhecer o set dele de cabo a rabo, é como se estivesse escutando ele tocar pela primeira vez. E assim foi durante muito tempo..."
Raul Cornejo aka Cheeko"Penso no Lov.e me transporto ao início da década, nas manhãs alucinantes de domingo, e nas noites de terça-feira quando rolava a Jack! House Of Style e o Morcerf recebia o melhor da house music na cabine do clube, disputada e cobiçada pelos djs. Impossível ficar em casa e não bater cartão no clubinho.
Uma noite que também sempre recordo aconteceu já em outra fase do clube, mais recente, quando os freaks do Captain Comatose se apresentaram e causaram espanto numa performance louca e diferente, deixando as pessoas quase paradas, sem saber como dançar, enquanto poucos pulavam e gritavam com o show maluco dos caras."
Márcio Vermelho, DJ"Me lembro como se fosse hoje o dia da inauguração do Lov.e. Uma mistura incrível de pessoas e um ambiente melhor impossível. Freqüentei o Club por vários anos seguidos, semanalmente, depois deste dia...
Foi um dos clubs mais sólidos que São Paulo já teve."
Paulo Silveira, 3Plus
"Durante um bom e especial tempo freqüentei o Lov.e.
Todo o sábado, após a reunião dos jovens, saía da igreja com meus irmãozinhos, a gente esquentava em casa e ia pro Lov.e.
Na porta, sempre tinha uma irmãzinha hostess da igreja que me colocava pra dentro com a congregação já bem "esquentada". Era uma delícia!
Uma dessas vezes, conversando com a Flávia e mais alguém na sala VIP, reclamei que lá não podia "fumar". Ela explicou - pela milésima vez - que pegavam no pé, que era um saco e o quanto isso a perturbava. Pois a conversa nem acabou, me joguei no banheiro da pista e meti fogo no cigarrinho hand-made.
Na hora que eu saí, saíram comigo. Atravessei o Lov.e escoltado pelos seguranças sem nem conseguir me despedir dos meus amigos. Pra acabar de ferrar com tudo, chego na porta, levo um sabão da Flávia: "Porra Fulano, acabamos de falar disso..."
Depois disso, o pastor mudou da igreja, eu deixei de freqüentar as reuniões dos jovens, as minhas irmãzinhas hostess mudaram de congregação e eu deixei de ir ao Lov.e..."
Cuba*, antigo freqüentador"Eu poderia falar que fui ao Lov.e na semana de inauguração e que estarei com certeza na festa de despedida. Ou então que o Lov.e foi o clube que mais freqüentei. Que estive em algumas das noites mais cheias (Afrika Bambaataa, Slam, Miss Kittin) e em várias vazias também. Que gastei um bom dinheiro no caixa, em vários formatos de fichinha. Gastei, não; investi. Mas eu vou contar só uma passagem. Foi dia 20 de novembro de 2004, estava tocando o John Acquaviva. Foi quando, lá no Lov.e, eu comecei minha história de amor."
Sérgio Teixeira, jornalista*Nomes fictícios, para preservar identidades
É Nóis Ltda.
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A casa acaba mas o trabalho que ficou plantando é muito maior que isso.
clubitos do coração.....