Paralização nos transportes deve voltar esse mês na capital européia da vida noturna
Lola, correndo, tiraria essa de letra. Azar dos que não têm tanto fôlego: uma greve da Companhia de Transportes de Berlim (BVG), que parou trens e ônibus durante quase 20 dias entre fevereiro e março, promete interromper novamente os serviços no início de abril. Sob ameaça constante de novas greves, os berlinenses têm encontrado soluções curiosas para contornar o problema numa cidade onde a frota de automóveis só diminui desde 2001.
Apesar de ser a maior cidade da Alemanha, Berlim perde feio para lugares como Munique e Hamburgo no quesito carteiras de motorista emitidas. Fica para trás também, orgulhosamente, na proporção de automóveis em circulação em relação ao número de habitantes - são apenas três carros para cada dez pessoas.
É comum ouvir dizer que Berlim tem mais de oito vezes o tamanho de Paris e embora esses sejam dados bastante controversos, ninguém nega que a capital alemã tenha dimensões extensas se levados em conta seus 3,4 milhões de habitantes. O crescimento insólito de uma cidade que esteve dividida por quase três décadas e as largas avenidas de herança prussiana conformaram Berlim como uma metrópole bastante dispersa. Com poucos carros em circulação e longas distâncias, as greves do transporte público têm comprometido seriamente o dia-a-dia de milhões de berlinenses.
Orgulho nacional!

ENGARRAFABIKEEm um primeiro momento, todos parecem ter tido a mesma idéia e um exército de bicicletas se pôs a circular de norte a sul, de Berlim Ocidental até o outro lado do antigo muro. Não demorou muito e a situação se complicou também para os ciclistas. Com tantas bicicletas rodando, foram registrados inéditos congestionamentos de ciclovias em vários pontos da cidade e alguns bairros chegaram a sofrer com a falta de espaço para estacionar as magrelas.
Se encontrar meios de locomoção tirou o sono dos que precisavam freqüentar aulas ou manter o emprego durante o dia, levar uma vida noturna normal também preocupou muita gente nesses tempos de greve, em que até o McDonalds passou a fechar mais cedo.
Clubes e bares aflitos com a queda de público nos primeiros dias de greve não mediram esforços para fazer ressuscitar a efervescente vida noturna da cidade, além de é claro, evitar maiores prejuízos. A primeira solução agradou aos taxistas, que nunca haviam sido tão requisitados. Em muitos bares, qualquer um que julgasse haver gasto demais com a corrida de táxi não precisava pagar pela entrada.
O famoso U-Bahn

CHILL-IN NO BUSÃOOutra saída para o problema foi a contratação de ônibus privados, que de bairro em bairro recolhiam passageiros em pontos combinados para fazerem, de graça, o trajeto mais curto até a porta dos clubes. Em muitas dessas viagens, os beats já soavam pelos alto-falantes dos ônibus e o
warm-up acontecia por ali mesmo.
"A greve da BVG é uma droga para a vida noturna da cidade", disse ao
Tagesspiegel o presidente do Club Comission Berlin, Sascha Disselkamp. À beira de novas paralisações, não há como não reconhecer a importância do transporte público para o estabelecimento de uma cultura noturna em uma cidade como Berlim.
Há cerca de dois anos, a BVG reformulou suas linhas e sob o mote "Fazemos a noite virar dia", colocou em circulação uma generosa rede de trens e ônibus madrugada adentro. A medida teve aval do prefeito Klaus Wowereit, baladeiro assumido e muito respeitado pelo apoio que sempre manifestou à noite berlinense. Wowereit é o autor da famosa frase "Berlin ist arm, aber sexy" (Berlim é pobre, mas sexy), uma espécie de slogan que hoje estampa camisetas e souvenires e escancara a vocação da cidade para os prazeres hedonistas.
adoro viu...
se fosse por aqui, a notie simplesmente pararia de rolar.