Chris Liberator: "DJs com ego são babacas"
“Sou orgulhoso da nossa cena e da música que fazemos"
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Chris Liberator: "DJs com ego são babacas"
Mestre britânico do acid techno volta ao Brasil acreditando na força da cultura raver
10.04.08 17:55
Um dos mais conhecidos na infindável cena mundial do underground techno, é de se esperar que Chris Liberator tenha alguns forte conceitos, como esta sincera opinião ao ser questionado se seu ego alguma vez já fugiu do controle.

"Eu sinceramente espero que não", ele rosna, "eu tento não pensar sobre tais coisas, isso me envergonha, não gosto de pessoas egoístas e seria um desprezo completo se alguém me dissesse que é assim que eu ajo."

"Sou orgulhoso de nossa cena e da música que fazemos, e espero sempre fazer o melhor quando toco, mas no fim do dia os DJs apenas tocam discos. DJs com egos gigantes são babacas, e você pode escrever que eu disse isso", ele ri.

FÉ RAVER
Liberator diz continuar a ter uma fé intensa no poder da cultura raver ("é algo que muda as pessoas, e as pessoas são a sociedade", ele pontua), e no poder do entusiasmo de uma festa.

"Nós ainda fazemos a Nuclear Free Zone em Brixton (mais de 15 anos), e eu juro que temos noites tão boas quanto as que fazíamos naqueles tempos", diz, animado. "E eu toquei em excelentes noites em Londres recentemente, ouvi sobre outras festas que foram muito boas.. É isso que realmente importa."

Viajando incansavelmente por suas quase duas décadas atrás dos decks, ele ajudou a exportar o (acid) techno e o lifestyle das fstas livres, encontrando gente com tal cabeça aberta de sua base em Hackney ao Brasil. Tantas viagens já renderam algumas situações assustadoras, como em Caracas, onde quatro pessoas foram mortas baleadas numa festa em novembro do ano passado.

TIROS NA VENEZUELA
"Eu estava na Venezuela com Henry (D.A.V.E The Drummer) quando aquilo aconteceu. Nós tocaríamos num festival aquela noite em Maracaibo, e tocamos numa festa em Caracas na noite anterior àquela", lembra.

"Foi algo muito ruim, mas poderia ter sido evitado. O mesmo público sofreu com tiros em outro eventos, e ninguém pensou em por detector de metais, algo a se ter em mente numa cidade como Caracas. Como alguém bem lembrou nos comentários após o crime, pelo preço de alguns poucos ingressos da festa poderia ter sido instalado detectores de metais e toda a tragédia teria sido evitada."

"E sim, isso aconteceu comigo anos atrás numa festa em Caracas, onde o promoter falhou em implementar segurança suficiente e alguém levou um tiro na minha frente na pista. Foi muito assustador, bem traumático como você pode imaginar."

"Agora nós só participamos de eventos com o mínimo de pessoas confiáveis e com a segurança necessária para o local. Obviamente, nunca são os festeiros, mas sempre gangues e traficantes que seguem esses eventos", Liberator adiciona.



Que tipo de preparação você toma para tocar? Você sabe sua primeira faixa; há algum padrão para seus sets?

Sets são orgânicos, coisas que crescem, constantemente em mudança e em mutação assim que novos discos chegam e outros se vão. Às vezes se é algum lugar como Barcelona onde as pessoas preferem mais acid techno oldskool haverá mudanças em direção a um set mais ácido, ou se é numa squat londrina, pode ser mais techy e pra frente. Há geralmente um ordem de discos que são de algum modo ordenados por velocidade e estilo, alguns diferentes discos para o início e outras várias maneiras que o set pode progredir.

É bem incomum dois sets serem idênticos, mas é provável que algumas partes serão similares após algumas semanas.

Qual sua resolução sobre a cena de Londres neste momento?

Squat parties não muito boas, mas a cena de clubes me parece bem saudável. Provavelmente sem muita coisa para surgir, mas muito mais gente dedicada à cena, menos pára-quedistas. Claro que é diferente de alguns anos, já que as coisas estão sempre mudando. Mas é tão bom quanto, mas isso é obviamente subjetivo.

Londres fica cada vez mais cara: qual o impacto disso na cena clubber - você enxerga um momento em que as pessoas serão obrigadas a sair do país?

Bem, tenho confiança de que isso não vai acontecer, mas é (uma cidade) depressivamente cara mesmo. Para se jogar uma noite em Londres é ridiculamente caro. Para a cidade no geral, é cada vez mais difícil viver aqui a não ser que você faz parte de um pequeno grupo que pode bancar isso.

Eles controlam os aluguéis, parecem controlar cada fábrica do país, sua arquitetura, a agenda, não é uma cidade para pessoas como nós viverem mais. É isso que eu amo na ética das squat parties, algo sobre como reclamar partes da cidade que deveriam estar disponíveis ao uso, mas que estão além do nosso alcance.

E qual o impacto em Londres da escalada da cultura de armas e gangues? Quão importante é a segurança nas festas hoje?

Bem, em certos clubes de Brixton os DJs têm que fornecer seus detalhes à polícia. Isso é por causa das preocupações com segurança em eventos que possam atrair essa cultura de gangues. Claro que não tem nada a ver com 90% dos clubes de Londres e é uma flagrante ruptura nos direitos civis, eu discordo fortemente disso.

A polícia coleta quanta informação eles querem dos cidadãos, e a coisa das gangues e das armas (algo admitido, mas não na nossa cena) é outra desculpa (como "ameaça" ou terrorismo) para cerrar nossa liberdade uma vez mais.

A Ânglia Oriental tem vivido uma nova guerra raver, com as autoridades aumentando o número de carros e de sistemas, falando sobre leis mais duras novamente: mas o povo ainda está festejando, o que você acha dessa situação corrente?

Bem, é o mesmo ciclo de sempre: eles incomodam e começam a pressionar. Eles nunca param; outras áreas tiveram constante pressão policial, a cena de Bristol/Gales, por exemplo.

Mas se as pessoas querem dançar, elas irão.

Olhando para trás, qual foi o melhor período da cena pra você?

Eu gostei muito da época por volta da época de " London Acid City", das festas de Lawrie Immersion do meio para o final dos anos noventa, mas tenho memórias de tudo.

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Chris Liberator retorna para mais uma SP Groove ao lado de D.A.V.E. The Drummer esse sábado (12/abr), no Sítio Iwashita. Infos aqui.

Jonty Skrufff
Jonty Skrufff
comentários
"Sets são orgânico(s), coisas que crescem..."

:(
"... é uma flagrante ruptura nos direitos civis, eu descordo (não sria discordo?) fortemente disso...."

:O
muitos erro no texto........
ex:
"... não é uma cidade para pessoas como nós viver(em) mais..."
"... como Barcelona onde as pessoas preferem mais acid techno oldskool..."
é assim que se escreve "velha escola" em inglês???

;)
Marina Lang
Marina Lang(13.04.08)
0AprovadoQueima
ególatras, no geral, são uns bostas.
 
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