Líder do projeto, Andy Butler, toca no Rio de Janeiro e em São Paulo nesse fim de semana
Há tempos a disco não ficava em evidência como nesse fim de década. Das rádios a desfiles de moda, a sonoridade de projetos como o Hercules & Love Affair toma conta do mainstream e puxa para a superfície outros nomes antes restritos ao underground. Da jovem Kathy Diamond ao animado Aeroplane, há espaço até para a ressurreição de antigos ícones como o Yazzo.
No Brasil, as reverberações da neo-disco têm chegado com força crescente. Depois da visita de nomes como Padded Cell aos nossos clubes, a coisa fica mais intensa nesse fim de semana, quando o líder do Hercules - Andy Butler - aporta por aqui para um DJ set. Ele se apresenta no Rio de Janeiro (18/abr), no clube 69, e em São Paulo (19/abr), no Vegas.
Às vésperas de sua vinda, falamos com um sonolento Andrew Butler por telefone, de seu apartamento em Nova York. Entre pausas para bocejos, ele deu uma prévia do que tocará em seus sets, falou sobre neo-disco e sobre a noite de Nova York.
De onde vem o nome do projeto e todas as referências mitológicas? O nome vem de uma paixão que eu tenho pela mitologia grega, que eu estudei mais profundamente no colégio, e me lembra dos tempos em que eu era um menino. Quando sentei para trabalhar no álbum, percebi que ele dizia muito a respeito a esse tempo.
De todos os heróis da mitologia, o que eu mais gosto é o Hércules, por ser o mais forte entre eles. Há uma passagem em que ele perdeseu amor masculino, Hylas, e mesmo sendo muito forte fisicamente, essa perda o enfraquece. Acho a história muito bonita.
Há quem diga que há uma onda "neo-disco" atualmente e seu projeto é apontado como um dos principais símbolos dessa cena. O que acha disso?Muitos dos artistas que eu amo foram muito influenciados pela disco. Mas eu vou para Londres e vejo o trabalho de gente como Chicken Lips e outros nomes que já fazem esse tipo de música há muito tempo. Então não sei se essa onda é realmente nova, mas eu a amo e acho que seria ótimo que outros artistas também começassem a captar essa vibração da disco.
Mas você não acha que a diferença é que agora esse tipo de som saiu do underground e foi para o mainstream?É, isso é verdade. Eu moro nos Estados Unidos e recentemente fui para Londres e ouvi "Blind" tocando em uma rádio. Esse tipo de música tocava apenas em lugares específicos, ficava mais no underground mesmo, mas agora está em todo lugar.
O que os brasileiros podem esperar de suas apresentações no Brasil?Provavelmente vou tocar muitos clássicos da house e do techno. Mas também gosto de música nova com estética old school. Vocês provavelmente vão ouvir coisas da DFA, faixas do Shit Robot, acid de Chicago e coisas assim.
Como você passou de DJ para líder de uma banda com colaboradores como Anthony e Nomi? Eu sempre compus músicas. Mesmo quando tocava como DJ, eu continuava compondo coisas novas, e aos poucos fui chamando amigos meus como o Anthony e a Nomi para cantar sobre essas faixas. Inicialmente não era uma banda, mas amigos para quem eu pedia que cantassem em minhas músicas.
Por que "Roar" e "Classique #2" ficaram fora do álbum?Flash Content
Hercules & Love Affair - Roar (mp3)
Quando eu fiz "Roar" e "Classique #2" a minha intenção era produzir algo com raízes na dance music, feita para clubes. Mas para o álbum a idéia era fazer canções mesmo, para serem ouvidas no carro ou na sala de estar. Então aproveitei essas duas faixas para mostrar também um outro lado do meu trabalho, que é mais relacionado com a house e com o techno em suas formas clássicas. Por isso elas acabaram ficando de fora do álbum.
Você mora nos EUA, mas o álbum saiu primeiro no Reino Unido. A Europa é mesmo uma prioridade para o mercado da dance music?Eu assinei contrato com um selo baseado no Reino Unido, por isso que o álbum saiu primeiro lá. A recepção que o público europeu tem para música eletrônica é muito maior que nos Estados Unidos, lá a dance music está mais no mainstream do que por aqui. Mas o disco será lançado também nos EUA, no dia 24 de junho.
Como será o show ao vivo do Hercules & Love Affair?Haverá bateria, baixo, dois tecladistas, muitos sintetizadores, trompetes... Será uma banda grande, acho que com oito músicos. O Anthony não poderá participar da turnê nesse início porque ele está em estúdio, ocupado com outros projetos.
Bem conectado

Como está a vida noturna em Nova York?A vida noturna em Nova York está bem agitada; melhor do que há cinco ou seis anos atrás, com novos clubes aparecendo. Há lugares legais como o Love, o Studio B e o 205, que possuem bons sistemas de som, ótimos DJs residentes e não são muito caros. Antes havia apenas pequenos lounges ou superclubes na cidade, não havia boas opções para quem estivesse procurando um meio-termo entre eles.
Como você trabalha em seus remixes? Há novidades a serem lançadas?Sim, há um remix saindo nesse mês que fiz para a faixa "Whisper", do Aeroplane. Também há um para o Yazzo que fiz recentemente. Não tenho uma maneira fixa de compor esses remixes, depende muito. Posso trabalhar nas melodias, ou nos vocais como quando trabalho com artistas como Chaz Junkel e Kathy Diamond [que canta em "Whispers"]. Basicamente trabalho com o material que me dão.
Como você lida com críticas da imprensa? O que achou da recepção do álbum na mídia? Essa é uma questão complicada. Eu fico bastante feliz em ver que o álbum está sendo bem recebido pela crítica, mas eu definitivamente não componho música para jornalistas ou para outras pessoas. É uma coisa pessoal, faço para me divertir. Então quando eu começar a compor pensando na opinião que a imprensa ou que as outras pessoas vão formar sobre o meu trabalho, vai acabar toda a diversão e perder o sentido.
Hercules bissinha!! rs