Sussa

O festival britânico Glastonbury sofreu um baque nas últimas semanas com a divulgação de que o outrora disputado evento de cultura alternativa vendeu "apenas" 100 mil ingressos no primeiro dia de vendas, deixando 35 mil tickets disponíveis.
"Ano passado mais de 177 mil pessoas pagaram £145 cada para ter o privilégio de tomar chuva, com o risco de ter suas tendas levadas enxurrada abaixo até por esgoto, fora a chance de quebrar o pescoço para ver um olhar que fosse do The Fratellis", ironizou o jornal The Independent, questionando ainda "o Glastonbury perdeu seu ‘mojo'?"
Michael Eavis, organizador do festival, minimizou a queda na venda de ingressos dizendo à imprensa: "eu acho que três anos de lama tiraram apenas um pouco da coragem", enquanto Roger Daltrey, líder do The Who headliner de 2007, identificou outros problemas.
"Eu culpo o tempo e o line-up. Tiro meu chapéu para as pessoas que estavam lá ano passado", disse a legenda do rock à NME. "Eu não pagaria dinheiro para ir a esse concerto e viver daquele jeito por três dias, para sofrer assim. É um festival caro também - TÃO caro."
CHUVA = ATMOSFERA FANTÁSTICA?Geoff Oakes, organizador do
Wild In The Country Festival, também teve problemas com a lama ano passado, com seu evento inaugural em Knebworth. Ele pontua que o complicado processo de seleção de ingressos e o tamanho gigante do evento são coisas que prejudicam mais que os preços.
"Quanto maior um festival fica, maior é seu apelo mainstream. Os freqüentadores mais assíduos de festas assim começam a procurar por coisas novas, por isso que vários festivais menores começaram a aparecer", ele opina. "Um monte de gente que costumava ir ao Glastonbury agora prefere os festivais de boutique."
Ingressos para o Wild In The Country custam 59 libras, e os DJs serão do porte de Switch, Danny Tenaglia, Richie Hawtin e Carl Craig, com shows de Soulwax e Björk, fora precauções extras com a meteorologia. "Em 2007 nós tivemos 10 dias de chuva persistente antes do evento, então o local virou uma banheira de lama."
"O positivo nisso tudo foi que todo mundo ficou nas tendas durante a noite, criando uma atmosfera fantástica. Aprendemos muito e esse ano teremos mais tendas e chill-outs cobertos, trilhas para pedestres em regiões de difícil acesso e eu me transformei num freqüentador corrente de igrejas nos últimos quatro meses, esperando que isso dê algum efeito", diz, rindo.

A imprensa lembrou ainda como jovens festeiros têm viajado bastante para a Europa continental atrás de eventos mais baratos e mais alternativos, com o
EXIT Festival na Sérvia, que ano passado atraiu 10 mil ingleses para quatro dias de festa.
Quem sabe em algum ano distante teremos festivais desse porte em terras brazucas... :]