Para toda Britney Spears que aparece, uma Christina Aguilera igualmente produzida surgirá para acalmar o mercado sedento pela "coisa quente" do momento. Geralmente, essas Christinas são muito bem recebidas, com discos de estréia que chegam ao primeiro lugar em vários lugares do globo, mas conforme o tempo passa, elas se limitam a estampar uma capa de revista estúpida apresentando o herdeiro, enquanto a original vive com mais de 30 mil plays diários no MySpace.
Aimee Duffy, a nova garota do pedaço, tem 23 anos, um álbum no top das paradas inglesas e o single "Mercy" já é o quinto mais vendido do ano no Reino Unido. Sua história começa sem credibilidade, como segunda colocada no programa de televisão
Wawffactor, uma versão galesa do American Idol e um álbum de estréia que recebeu atenção somente em sua terra natal, talvez pelo fato de ter sido todo cantado em galês, uma língua um tanto quanto restrita, convenhamos. Ao contrário de
Rockferry, sua segunda tentativa, que ficou cinco semanas no topo das paradas inglesas.
KILL AIMEEPorém, grande parte desse impacto na lista de vendas se deve a um fenômeno conhecido como ‘a outra Amy'. Aquela que trouxe a soul de volta às colunas de fofocas e rádios populares enquanto batalha pra ficar viva e sã. Mas e aí? A Duffy, que matou o nome Aimee para evitar comparações, é produto de gravadoras ou não?
Levando em consideração que o primeiro álbum dela era um pop comercial insosso, sub-Kelly Clarkson, que a nova gravadora fez desaparecer de sua história bem rápido, o segundo soa denso e sessentista, a resposta se desenha fácil. No entanto, artistas produzidos podem ser relevantes musicalmente, mesmo cantando emoções alheias e se cobrindo em colchas costuradas por produtores ‘antenados'. E a "estréia" dessa nova Aimee agrada.
"Mercy" é tão hit agora quanto seria em 1960. Também pudera, a faixa foi montada com instrumental funkeado temático enquanto a impressionante voz de Duffy soa quarentona, impiedosa e negra - que a
Estelle não me ouça. Infelizmente, essa pegada mais gostosa e dançante é deixada de lado, e açucaradas melodias de corações partidos dominam os trinta minutos restantes do álbum.
BALADAS INSOSSASLamuriosas e excessivas canções que destacam o vocal da loira pecam por previsíveis e repetitivas bases minimalistas. Depois de um certo tempo, faixas como "Rockferry", "Sleeping Stone" e "Syrup & Honey" soam mais como um agrupamento de baladas levadas por um belo piano que tem lugar quase certo em trilhas de novelas e corações de donas-de-casa.
No entanto, a produção ganha ares mais ricos em "Delayed Devotion" e "Warwick Avenue", e mostram que se bem encaminhada, a moça consegue ser relevante musicalmente, mesmo abusando de elementos datados, já que não resta duvida que ela canta muito bem.
O problema deste álbum é que ele nasceu para fazer ponte entre lançamentos da Amy, e quando confrontado,
Back to Black destrói qualquer necessidade de
Rockferry existir. Soul sem alma em embalagem pop pode até reluzir, mas até aí Aguileras já foram consideradas as melhores de sua geração. Pelo menos, as gerações mudam e os artistas copiados também.