Róisín Murphy pop? Só se for para os adultos
Róisín "holofote", by Viktor & Rolf
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Róisín Murphy pop? Só se for para os adultos
Cantora inglesa fala ao rraurl sobre 'Overpowered', vida noturna e sobre como é difícil marcar um show seu
22.04.08 16:25
Que o mulherio no pop deve muito às divas, isso é fato. Talvez M.I.A. não militaria hoje se Madonna, da maneira mais superficial possível, não tivesse cantado "Express Yourself" em 1989. Mas, hoje, no sentido mais Audrey Hepburn possível, não tem para ninguém: diva mesmo é Róisín Murphy.

A ex-Moloko e atual ela mesma não deve mais a ninguém desde sua estréia solo em 2005, quando Matthew Herbert embalou Ruby Blue por fanfarronices libidinosas que deixaram a banda de propaganda de cigarro no passado. Como quase toda mulher, o karma de ter que sempre provar algo é onipresente. Mas dois anos depois de sua estréia, Róisín criou o espanto dançante de Overpowered, um blend ultra-britânico de pop lo-fi, deep house e claro, disco music.

POP: LIÇÃO DE CASA
Róisín arlequim, by Gareth Pugh
Róisín arlequim, by Gareth Pugh
Mesmo que agora na EMI a obrigação pop seja uma realidade para a irlandesa, Róisín é adulta demais para conquistar os jovens que choram por Kylie Minogue. Overpowered já toca em qualquer academia de Londres, mas em termos de chart a cantora não foi além dos vinte melhores, quiçá um top 10 belga.

Porque o clima é hedonista, a letra é para depois das 22h e o vocal sai divertidamente esgarçado, sem falar do beat bem construído para pistas que, quando se lê as repetidas entrevistas em que Róisín fala de ecstasy e amigos gays de noitadas (algo sempre frisado), já dão a entender que essa música pode ser pop, pero no mucho.

Róisín falou com o rraurl.com semana passada por telefone, da ocasião do lançamento de Overpowered pela EMI canarinho. Deliciosamente educada, a cantora falou pausada e malemolente, quase prolixa, culpa de um cansaço pós-noitada. E em tempos pré-festivais, um fato prestes se concretizar: Róisín e sua big band dançante devem vir ao Brasil no segundo semestre deste ano, disputada por alguns festivais. É aguardar pra ver, já que em 2005 ela cancelou sua vinda na edição carioca do Nokia Trends, alegando problemas de saúde. E ela nem sabia disso!

Muita gente diz que Ruby Blue era ultra-produzido e pretensioso, e que Overpowered é um simples trabalho pop. Mas é um disco mais perto da house music e da disco do que do pop. O que você quis criar musicalmente nesse segundo álbum?

Eu quis fazer disco music, com três ou quatro faixas funcionais, porque para mim estava clara a necessidade de fazer um álbum mais "aceitável". Juntei muitas pessoas diferentes, foi um desafio novo porque assim eu pude ter mais controle sobre o que estava sendo produzido.

Muita gente faz comentários tristes, ignorantes, mas é bom que todos saibam que eu sou tão orgulhosa de Ruby Blue quanto de Overpowered, até mais. Na época do primeiro disco eu achei que ele nem aconteceria, não estava certa de que poderia fazer algo sozinha.

No Moloko era diferente, a música era criada junto com meu namorado (Mark Brydon), algo muito íntimo e pessoal.

Como foi montar a equipe de produtores? Seiji, Richard X, Andy Cato do Groove Armada...

Seiji foi o primeiro. Eu sabia desde o início que esse tipo de som do Bugz In The Attic o que eu queria criar, e foi com ele que consegui achar o centro desse disco, criar o personagem de Overpowered. É o produtor mais importante, sem dúvida, com ele fiz "Footprints", "Dear Miami", "Overpowered" (que é a faixa que eu mais gosto em todo o disco).

Com Andy Cato eu não imaginava como seria, acabou por ser uma experiência incrível. Richard X eu trabalhei junto porque o A&R da gravadora pediu. Teve também o pessoal de Miami, como Jimmy Douglas, que foi outra ótima experiência.

Numa entrevista recente à imprensa brasileira você critica o rótulo trip hop. Isso é um karma pra você?

Não, não é karma de maneira alguma. Estranho que foi a única entrevista que dei durante a promoção de Overpowered que tocou no assunto. Alguns jornalistas não são musicalmente preparados, mas não tem problema. E o trip hop já passou, de qualquer maneira.

Sua vida noturna é muito intensa?

Muito intensa, saio bastante. Aliás, estou um pouco cansada, me desculpe, saí nos últimos dois dias.

Onde você foi?

Sábado num clube bem peculiar, de soul music cheio de pessoas mais velhas. E ontem fui ao lançamento de um filme, que teve festa em seguida. Exagerei um pouco eu acho (risos).

Como foi montar os figurinos do disco? Foi idéia sua aquele vestido gigantesco de Gareth Pugh para o single de estréia?

Sim, eu fui no estúdio de Gareth em Londres. Ele é um grande nome por aqui, mas não uma grande marca ainda. Fui lá e esperava algo mais glamouroso, aí depois de ver tudo ele apontou uma sacola no fundo, e lá tinha a roupa que usei no clipe de "Overpowered".

A peça de Viktor & Rolf me foi enviada, aquela coisa imensa, com luzes e sapatos da Holanda, um terror para vestir. Na capa do disco eu visto o modelo de uma estilista recém-formada, não me lembro o nome agora... (a sueca Sandra Backlund)

Tenho um guarda-roupa bem grande, coisa de colecionadora mesmo, então a maioria das peças que uso nos shows são minhas, e ganho muita coisa também. Acabei de voltar da Austrália, e lá uma PR me perguntou se eu queria algumas peças, quando voltei ao hotel meu quarto estava cheio de coisas lindas.

Sua extensa lista de shows no MySpace não inclui os EUA. Como você vai trabalhar esse disco do outro lado do oceano, já que ele foi lançado há meses na Europa e já saiu até aqui no Brasil?

Eu não sei, é estranho! Fomos tão bem por lá nos últimos shows que fizemos do Ruby Blue.

Bucólica e prosaica
Bucólica e prosaica
Acho que minha música também não cabe muito por lá. É um pouco gay demais, e os Estados Unidos são de uma cultura "macho" e hip hop muito forte. Os americanos já queimaram vinis de disco uma vez, não é o lugar mais convidativo para minha música hoje, eu acho.

E o que você lembra dos shows do Moloko aqui no Brasil (em 2000)?

Lembro de estar muito quieta, nervosa por alguma razão. A audiência foi maravilhosa, fizemos dois shows, um no Rio outro em São Paulo, eu amei.

Você ia tocar num festival brasileiro aqui em 2004 (Nokia Trends RJ), mas a apresentação foi cancelada, o que houve? Você administra pessoalmente convites para os shows?

Eu não sei, não tenho a menor idéia do que houve na época.

Esse é o tipo de coisa que artistas não tem controle, escolher onde vão tocar. Recebemos muitos convites pessoais, mas é difícil. Minha banda tem sete pessoas, é um show um pouco caro de contratar. E se meus músicos não são bem tratados, acho que é um problema. Então temos que aceitar boas ofertas.

Flash Content
Róisín Murphy - Let Me Know (mp3)
Róisín Murphy - Let Me Know
(do álbum Overpowered, 2007)


Flash Content
roísín murphy, Róisín Murphy - if we're in love (mp3)
Róisín Murphy - If We're In Love
(do álbum Ruby Blue, 2005)

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
it's like the 60s, with no hope
comentários
andre
andre(28.04.08)
0AprovadoQueima
Gostei da farpa para o jornalista da Folha.
DIVA DVINE!
QUEREMOS ELA NO SONAR POR AQUI!
É A CARA DELA!
Marina Lang
Marina Lang(23.04.08)
0AprovadoQueima
DIVA. vou colar no palco.

ZEZE
ZEZE(23.04.08)
0AprovadoQueima
ABSURDAAAAAAAAAAAAAAAAA!
Ricardo W.
Ricardo W.(22.04.08)
0AprovadoQueima
depois me passa o telefone dela!!
 
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