O impacto da popularização das festas e a invasão de novas pessoas no circuito raver
Certa vez li
uma "análise" sobre o boom das pistas alternativas. Esse texto dizia, entre outras coisas, que "há algum tempo outras estéticas sonoras de BPMs mais baixos vêm ganhando espaço e respeito nas festas open-air", e que isso vem acontecendo porque "o trance é uma trilha sonora que, para quem tem um entendimento sonoro mais amadurecido, tornou-se demasiado previsível e já não faz mais tanto sentido..."
É ai que reside minha dúvida, por que:
- O "padrão" acelera/para/explode/ começa-tudo-de-novo vem de MOZART. Será que este compositor não nos ensinou nada de bom???
- Os sons de baixos BPMs, que acredito serem o progressivo, o house, o minimal entre outros, são muito mais orgânicos, mais amigáveis, mais simples de ser "digeridos". Daí a facilidade de se ouvir isso a sons mais "quadrados e agressivos" como o psicodélico, o dark ou o techno.
- Será que o espaço conquistado por estas vertentes diz respeito a essa suposta "qualidade superior "? Ou apenas à popularização das raves e invasão de pessoas de fora do movimento, que estavam acostumadas com o "poperô" e sons dos clubes dos grandes centros?
- Gabe, Marcello VOR, Du Serena, Dahan, Sada e Teko são nomes conhecidos no Brasil, onde a cena cresceu muito e é claro que vão tocar aquilo que estiver fazendo mais sucesso. Se os BPMs estão na moda, estes "projetos" vão matar a sede do púbico. Mas os dinossauros da psicodelia vindos de Israel não mostram muitos sinais de mudança.
DINOSSAUROSTomemos como exemplo um expoente do trance como Alien Project. Comparando o álbum
Midnight Sun (2001) com o
Activation Portal (2007) nota-se uma diferença bem considerável.
Outro exemplo que acho pertinente é do projeto Space Buddha. Se comparado o álbum
Stigmata (2001) com o álbum
Storm Reaction (2003) nota-se uma diferença abissal!
Infected Dinossauro Mushroom

A análise também diz que o "psychedelic" se tornou "previsível e já não faz mais sentido". Então porque estas pessoas que tem um ouvido tão refinado migraram para um estilo que tem, por baixo, dez anos mais de idade que o psy e que é reconhecidamente o estilo que mais remixa clássicos dos anos 80??? . O texto pontua ainda que os "timbres e manobras, seqüências e efeitos (...) permaneceu como está há muitos anos". Não houve nenhum desenvolvimento tecnológico como as diferentes versões e VST's do Cubase, AcidPro e outros tantos programas usados na composição???.
O Infected Mushroom usa o Cubase desde sua fundação, comparar "Funchamaleom" do
B.P. Empire (2001) com "Change the Formality" do
Vicious Delicious (2007) e falar que está tudo igual há muitos anos é um pouco delicado.
Comparar as linhas de baixo do GMS, que criaram obras primas como "
Juice" e o que foi tocado na última Kaballah com eles no Earthling também é dizer que água é igual à vodka. Olhando de longe é igual, mas ao analisar de verdade vê-se que a semelhança se encerra na aparência. Assim como os dois projetos são música eletrônica, a água e a vodka são transparentes.
NOVIDADE - UM FATORA "análise" comenta sobre a pista alternativa do Universo Paralello 07/08. Infelizmente não estive lá para conferir e aproveitar desta tenda, mas gostaria de comentar uma coisa sobre ela. Muito foi dito sobre o sucesso desta tenda, não vou colocar em questão a qualidade da música, pois não estive lá para conferir, mas será q este sucesso não foi em parte pela "novidade" de uma pista alternativa no UP? Muito da graça de curtir a música eletrônica está na mudança rápida, na novidade, na criação de novo estilos e tendências! E você sendo ouvinte e amante, discutir e debater tudo aquilo que se ouve.
A mistura de estilos dentro do mesmo festival, como diz a "análise", é muito bem vinda. Dentro de um festival, também acho extremamente positivo. Mas separar povos, tribos e opiniões é nos privar da diversidade. Privando-nos da diversidade, somos excluídos do debate e da discussão.

Assim como eu - e acredito que outros - possam ver com bons olhos esse mix num festival, eu e muitas pessoas podemos ver como desrespeito o fato de se ouvir techno na Tribe. Esse evento foi para muitos a primeira festa e a primeira vez que o ouvinte pode ver o live de grandes artistas da cena psicodélica. E depois de tantos anos trazendo seus projetos preferidos, a organização cede à moda e "vira casaca" para trazer o que é pop, mudando até o horário da festa, fazendo com que a festa rave parecesse mais uma balada a céu aberto. Muito desse espaço conquistado então se deve à popularização da festa e a tendência de pessoas de fora freqüentar não uma rave, mas sim uma balada a céu aberto.
Não disse em momento algum que sou contra os low BPM's, mas realmente acredito na minha música, no meu movimento e principalmente, no meu estilo! Por isso, sempre freqüentei festa de psy e não gostaria de ver o techno, o house, o electro e o minimal invadindo a minha casa. Creio que há espaço para todo mundo. E TODOS nós podemos curtir a festa como gostamos. Cada um cada um e cada um na sua! Assim, creio que o boom das pistas alternativas não é de pessoas do psicodélico migrando, mas sim de gente nova entrando...
Vida longa e prospera à psicodelia!!!!!!
qq isso no rraul minha gente?
Até que ponto querer ser o melhor DJ de psy e ser fodão tocando minimal ou prog nos clubes é ser profissional? Ou é querer ser FOMINHA mesmo? É a teoria do palco: tem gente que quer holofote e ser visto pela multidão, pagando o preço (ou mudando de estilo) que for em busca disso.
Esse texto é tão morno quanto o da Marina (que falou sobre as pistas alternativas e o "cansaço" do psy). O motivo: o dia que a pista alternativa crescer da maneira que ela aponta, tornar-se-á mainfloor (deixando de ser alternativa). Em relação ao psy, ela critica a construção da música. E cai na mesma história: o dia que tirarem o baixo galopante por ex, já perde a característica do estilo.
Menos na próxima, tá?
Techno é que é pop, com suas 5, 6 festas por ano né!
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