Vamos ao deserto californiano contar como é o festival mais celebrado dos Estados Unidos
23.04.08 15:55
Sabe aquilo dos americanos de tudo ser grande, qualquer coisa vir em super size? É real até para o Coachella, festival que nós vamos ansiosamente cobrir a partir da próxima sexta, direto de Indio, cidade no deserto californiano, a três horas de Los Angeles (que levaremos quase 17 horas para ir e voltar, num vacilo da agência).
Serão quase 150 atrações em três dias de evento, o camping (que esse ano ganha versão "luxo", onde Gaía e eu nos hospedaremos), as festas off-Coacha e o êxodo internacional de festiveiros a se unir com o liberal e amigo povo californiano. O Coachella é ainda reduto de gigantescas instalações artísticas como o Tesla Coil, monstrengo gigante emanador de raios elétricos, o Big Jig Rig (foto) e as novidades 2008 Treehouse e Bamboo Waves. Quase todos são excertos de atrações do Burning Man, festival no mesmo deserto só que no vizinho estado de Nevada, um dos maiores refúgios mundiões de flashmobs, instalações artísticas itinerantes e doidões no geral.
Big Jig Rig
Como só mega-estrutura não é suficiente para um país que representa sozinho, vá lá, uns 45% do espectro da música alternativa mundial, tem a ânsia de ser pop que, desde que chegou ao Coacha em 2006 com a aparição surpresa de Madonna e o início daquela tour do Daft Punk e domina as pretensões anuais do festival com cada vez mais fervor. Ano passado foi o retorno do Rage Against The Machine e o debut da turnê Volta, de Björk.
NESTA EDIÇÃO... E agora em 2008, num ano que parecia muxibinha, a Goldenvoice (produtora que faz o festival) de última hora anuncia o mimado Prince como headliner máximo, um fato mais que atraente no roteirão anual de festival que repete line-ups de estrelões com novidades Hype Machine por todo o Hemisfério Norte, Austrália, Japão e, quando sobra tempo, América do Sul.
Como eu bem disse, "parecia" muxibinha, principalmente para nós, brazucas, sedentos por qualquer especulação manjada do TIM Festival: Portishead, Kraftwerk, Raconteurs, M.I.A., Goldfrapp, Aphex Twin, Fatboy Slim, Roger Waters e boas novas como MGMT, Boys Noize, Cut/Copy e Santogold, tudo isso num só evento. Isso é até um problema, pois a maioria dos shows tem 50 minutos e sets/lives uma hora, 90 minutos.
O que gera cruéis encavalamentos, teremos que correr entre dois palcos e três tendas de um campo de pólo para conseguir ver tudo que queremos. Analisando o line-up em poucos exemplos, na sexta, Aphex Twin, Racounteers, Santogold ou Goldfrapp? Alívio a noite, quando o dane-se estará ligadíssimo para o Jack Johnson e veremos o encerramento da tenda Sahara com ele, Fatboy Slim. No sábado, Kraftwerk, Portishead e Prince na seqüência, mas lá longe temos que escolher entre M.I.A, Mark Ronson, Erol Alkan, Bonde do Role, MGMT e Hot Chip no mesmo horário.
No domingão, se a vontade psicodélica de ver Dark Side of The Moon não for tão latente, dá para acalentar a alma clubber com uma seqüência de fazer Skol Beats chorar: Dimitri from Paris, Deadmau5, Booka Shade, Danny Tenaglia, Modeselektor, Simian Mobile Disco, Chromeo e Justice, que curiosamente é a última atração de todo o festival, num puxa-saquismo latente a essa turma maximalista francesa - Surkin, Busy P., Kavinski, Mehdi e Uffie, todos eles estarão lá.
Justice encerra o evento
Pelo que já apuramos, o que conta a favor no exagero Coachella é a organização impecável, a grama onipresente, horários rígidos (shows não vão além da meia noite, sem exceção), boa comida indoor, os lockers e a incrível vista de montanhas desérticas, palmeiras e lua minguante, ainda bem cheia, gritando no céu. O principal ponto negativo é o clima: seco demais, 40 graus de dia despencando para 14, 15 a noite. Não há venda de destilados e cervejas só em cerquinhas delimitadas. Só existe uma única saída para quase cem mil pessoas e as distâncias são - haja tênis - imensas!
O que exigirá de nós uma força-tarefa cansativa - mas nada chata- de ter que dividir duas pessoas em dezesseis para conseguir dar ao leitor um bom panorama do evento e do que rola musicalmente. Que bom será descobrir shows obscuros e com isso ganhar novas bandas prediletas (como aconteceu comigo em 2006 ao ver o The Knife num festival belga).
E que bom seria que, em tempos de economia brasileira bombante - só se fala nisso -, o roteiro de eventos culturais fosse encorpado a tal ponto que alguma mega-empresa fosse criada e que um dia existisse no Brasil eventos interioranos de dois ou três dias, com direito a camping, Radiohead numa noite e Daft Punk em outra, logo após um set do Mau Mau.
FINANÇAS E ARRANJOS O editorial acabaria nessa idealização inocente, mas vamos aos fatos: até isso acontecer, seus netos já serão ravers, então é mais fácil você juntar algum dinheiro e ir logo para a gringa ver do que estamos falando. Para a Europa é mais fácil por não precisar de visto ao fazer turismo. Passagens intercontinentais vão na média de R$ 2 mil para os EUA, uns R$ 2,3 mil em média para a Europa mais próxima (Espanha, Portugal, França...).
Adicione aí uma semana ou duas de hospedagem, que desprendem de 200 a 250 dólares/euros, dependendo do que você busca - A Europa é cheia de hostel, pensão e hotel baratos; nos EUA tudo é mais caro pelo serviço ser ultra-eficiente. 200 para ingressos e afins, 500 a 400 para traslados, viagens extras e compras; e outros 300 ou 400 para gastos diários. Pondo no papel a grosso modo, dá para fazer um programão desse por US$ 3,5 mil ou € 2,8 mil. Algo que, em tempos de fluidez exagerada, é algo que se junta em pouco mais de um ano. Ou se arremata no ato com a venda de algum aparelho, de um carro, ou com a rescisão de uma demissão, além de promoções e outros meandros econômicos.
Claro que você, bom brasileiro que é, dá sempre um jeitinho para várias coisas - arranjar uma boa hospedagem com amigos de graça, conseguir ingressos, credenciamentos, empregos e bicos bem temporários... Mas não banque tanto o Zé Carioca que o rigor americano e a desconfiança cética dos europeus podem te colocar desde cotidianas situações constrangedoras até a prisão ou extradição imediata.
Estando na tenda do evento desejado, na lama do palco sonhado, aproveite ao máximo tanto cultural quanto antropologicamente este momento que será único. E em clima de viagem deixamos você com uma música do Human League que resume bem todo esse espírito que nós aqui estamos imerso há semanas!
THE HUMAN LEAGUE - THINGS THAT DREAMS ARE MADE OF Take time to see the wonders of the world To see the things youve only ever heard of Dream life the way you think it ought to be See things you thought youd never ever see
Take a cruise to China, Or a train to Spain Go round the world, Again and again Meet a girl on a boat, Meet a boy on a train And fall in love, Without the pain
Everybody needs love and adventure Everybody needs cash to spend Everybody needs love and affection Everybody needs 2 or 3 friends
These are the things These are the things The things that dreams are made of These are the things These are the things The things that dreams are made of
Take a lift to the top of the empire state, Take a drive across the golden gate March, march, march across red square, Do all the things youve ever dared
Everybody needs love and adventure Everybody needs cash to spend Everybody needs love and affection Everybody needs 2 or 3 friends
These are the things These are the things The things that dreams are made of These are the things These are the things The things that dreams are made of Like fun and money and food and love And things you never thought of These are the things These are the things The things that dreams are made of
New York, ice cream, TV, travel, good times Norman wisdom, Johnny, Joey, Dee Dee, good times
These are the things These are the things The things that dreams are made of
adorei a matéria (com um pouco de inveja), mas bolando um 'jeitinho' pra dar um rolê doido (mto foda) desse!
Já estamos em LA, amanhã começa a maratona com Midnight Juggernaut às 14h. Sábado, domingo e segunda tem texto aqui..!
se possível, tragam alguns vídeos de lá... será que rola Jade?