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Metro Area na Virada Cultural
Festival paulistano levou house, techno e psy para as ruas do centro de SP
25.04.08 12:30
Enquanto parte da nossa redação se esbaldava no Coachella, resolvi dar uma passeada pela Virada Cultural 2008. O principal objetivo da noite era assistir ao set do projeto norte-americano Metro Area, que tocaria na Pista da Quitanda às 21h. Saí da estação Brigadeiro do Mmetrô, que ainda estava pouco movimentada - apesar de não ser raro ver algumas pessoas consultando mapas da Virada enquanto esperavam na plataforma.

Mas foi só chegar na Linha Azul que ficou claro que aquele não era o fluxo normal para a noite de um sábado. Muitos jovens, alguns visivelmente desacostumados com o sistema de bilhetes e de catracas do metrô, e gente mais velha se misturava falando sobre quais atrações pretendiam ver ao longo da madrugada. Parei na estação República para encontrar alguns amigos que estavam no palco roqueiro. As escadas rolantes estavam apinhadas de gente, e só deu para respirar aliviado quando saí para a rua.

GERAÇÕES DO ROCK
Dali dava para ouvir o som vindo do palco Canja Rock Blues, instalado na rua Barão de Itapetininga, e ver as costas do Rock República, onde a banda Casa das Máquinas se preparava para subir ao palco. Muitos metaleiros com camiseta de bandas (ali se apresentariam Korzus e Volcano) e gerações incontáveis de roqueiros reunidos pela orla do Parque. Havia muita gente deitada na grama, algumas em calorosos amassos de amor, vendedores ambulantes e crianças de colo. Policiamento ostensivo também estava presente.

virada culturalDali segui sem rumo pelas ruas do centrão. Ver a 24 de Maio fechada, com telões de projeção armados por todo o canto e com carrinhos de golf circulando me trouxe à lembrança o festival Planeta Terra do ano passado, que também era todo composto por ruazinhas interligadas. Ali se apresentava uma companhia de teatro, no alto de uma sacada sobre o prédio do SESC. Muita gente parada para assistir, com o pescoço voltado para o alto e aplaudindo calorosamente ao final de cada movimento.

Passei pelo viaduto do Chá, com sua bela apresentação (exposição?) de estátuas vivas. Ao contrário do que se vê normalmente, o público estava interagindo calorosamente com elas, tirando fotos sem parar. O teatro Municipal, onde se apresentou Luiz Melodia e Nana Vasconcelos, estava lindo também, com luzes projetadas sobre sua fachada. A fila formada por pessoas que esperavam sua vez de entrar dava até medo.

B-MORE E DISCO NA QUITANDA
Finalmente cheguei à pista da Quitanda, não me lembro a que horas. Consegui assistir a pouco mais de uma hora de set do Metro Area, e valeu a pena. House animadíssima, disco, muito saxofone e muitos motivos para não parar de dançar. O público, que não estava abarrotando a rua como se viu na vizinha pista Sound System, respondeu com muitas palmas e assovios. Teve até uma roda de break dance, que se abriu repentinamente e entreteu quem estava de passagem. A atração seguinte - Gustavo MM, segundo a escalação oficial -, não deixou o ânimo baixar. Tocou muita booty house, b-more e teve até o hit "Club Action" das Yo Majesty!

Apesar de ainda ter passado pela pista das Casas, pelo palco Independente, pela pista da XV e pelo Largo São Francisco (uma verdadeira rave de psy foi montada em frente à Sanfran), fiquei pouco tempo para dar um depoimento mais detalhado. Além dos pontos oficiais, havia muitos bares com as portas abertas (o Lago Verde teve direito a hits noventistas, por exemplo) e vinho a R$ 5 (na verdade era um extrato de maçã com açaí, bem energético) sendo vendido pelos ambulantes - outro hit certo entre o público.

A Virada Cultural 2008 foi certamente o principal festival paulistano no primeiro semestre. Reunindo atrações gratuitas, ecléticas e de alta qualidade (não deu para ver Afrika Bambaataa nem outras atrações do domingo, quem foi pode nos contar nos comentários), só mesmo o cheiro predominante de urina e as filas dos banheiros químicos para azedar. Houve caso de furtos, mas nenhuma violência generalizada como no ano passado. É por essas e outras que lamento não ter aproveitado mais a Virada, e torço para que no ano que vem o evento continue crescendo vertiginosamente.

Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil
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