Tratados, vistos negados, cerco de ONGs e patrulhamento geram frutos na luta contra a violência anti-gay
Buju Banton

Se você anda com seu namorado pela rua e um motoqueiro folgado grita "ô viado!" meio de longe, não se preocupe. Você ainda vive num Brasil bem liberal, que, com suas devidas relatividades sócio-regionais, permite a liberdade de gostos e opções sexuais. Mas não muito longe daqui, lá no calor caribenho, existe uma ilha que é
dos países mais homofóbicos do mundo, a Jamaica.
A mesma sociedade da melodia pacífica e transgressora do reggae é também a terra de maior índice de assassinatos por habitante do mundo. E é um famoso celeiro de ódio aos homossexuais, culpa de uma tradição cristã, de rígida moral machista. E violenta. Não só a Jamaica, mas Barbados, outra ilha da região, ainda criminaliza a homofobia, criando um triste e incoerente dado demográfico em plena "alegria", groove e todos adjetivos pensáveis ao Caribe, região que não precisava ter tão atrasado estigma digno de Afeganistão.
Na música, o reflexo disso se dá mais no dancehall do que no reggae, tendo em famosos artistas locais como Buju Banton e Bounty Killa vozes contra o "estado errado das coisas" (um dos argumentos anti-gay defendidos, sempre de forma violenta). Em 2004 Banton foi acusado de espancar com amigos um gay que vivia na rua do seu estúdio e seu maior sucesso nos anos 90, "Boom Bye Bye",
diz em forte sotaque que "
boogamen (gays) deveriam ser baleados e queimados com ácido, como um velho pneu". Ouça abaixo.
Flash Content
Buju Banton - Boom Bye Bye (mp3)
MAIS RESTRIÇÕES...
Brighton, famoso reduto gay no litoral inglês, quer banir músicas que incitem ao ódio contra homossexuais e outras minorias raciais e/ou sociais. A iniciativa de 2007 veio algum tempo após o polêmico anúncio e cancelamento do show de Buju Banton na cidade, e a lei cita como exemplos até canções dos rappers 50 Cent e Eminem. Bares, clubes e outros estabelecimentos que veicularem esse tipo de música podem ser denunciados, multados, e ter até seus alvarás cassados.
A música começa com tiros de metranca, cornetas efusivas e refrão fácil, que a gente aposta aqui certamente já ter ouvido algum dia. Acabou virando o karma da carreira de Buju Banton, bom músico que não quis ficar preso a uma polêmica. De tão pressionado por entidades de direitos humanos, ele acabou por assinar em 2007 um documento se comprometendo a não criar novas músicas com temáticas de violência aos gays, nem discursar sobre o assunto. Mas Banton foi dos últimos famosos mestres do dancehall local a assinar o acordo, provavelmente assustado com as
perdas de quase US$ 5 milhões com cancelamentos de shows, protestos e restrições.
AMÉRICA DO SUL E EUAOutro conterrâneo não-menos famoso e não-menos homofóbico, Bounty Killer, é dos que ainda não assinou o tratado da Stop Murder Music. Ele que já teve shows cancelados na Inglaterra e assistiu protestos
in loco na Alemanha, foi proibido mês passado de entrar na nossa vizinha Guiana, numa prova do filme queimado que tais artistas têm não só na comunidade "pra frentex" da Europa e afins, mas sim no mundo todo em geral.
Abracao, Zeca Bral. [ http://6duzia.blogspot.com/ ]
q/
Não, não Raul, nada de adaptação, citou em latim, escreva em latim, tipo SIC.
Augustuzs é romeno, fica até perto da Polônia mas é melhor informar direito.