Uma atraente dupla é a sensação do pop dance inglês. Divertida, mas com prazo de validade.
Se pensarmos em duplas compostas por um menino e uma menina, logo o nome
The Kills vem à cabeça. E com todo mérito, rock alternativo recheado de interferências eletrônicas que a cada álbum se fascina mais com o mundo pop e cria hits sujos prontos para a FM. Porém, mesmo pop, tal banda ainda é dark demais para ser saboreada por aquela sua irmã adolescente apaixonada pela rádio.
Preenchendo brechas importantes do mercado, a dupla inglesa Ting Tings lança seu
Jules e Katie

álbum de estréia e de cara já tombam a Madonna do primeiro lugar na Inglaterra. Basicamente com bateria, guitarra e melodias tão chicletes que com certeza grudarão na cabeça de quem se ousar aventurar pelo CD
We Started Nothing.
No entanto, ao mesmo tempo em que a dupla faz músicas inofensivas, ela ainda guarda um ar mais rockeiro; mesmo que não distorcido ou vestido de preto. Essa influência vem direta do background de Jules De Martino, que participa de outras duas bandas alternativas. Jules é bem antenado e isso se reflete bem nas composições do duo.
HITS, HITS, HITS!"Shut Up and Let Me Go", hits nos Estados Unidos graças a uma propaganda do iPod, é tão "Take Me Out" do Franz Ferdinand com "
Wot!" do Captain Sensible, que chega a parecer sample. No entanto, as duas bases "originais" são tão simples que uma coincidência encaixa melhor do que uma cópia. E sim, outras mil coincidências dessas rodearão sua mente enquanto passar pelas outras nove faixas do álbum, mas são coisas do pop...
E falando em pop, tem alguma música capaz de brecar a enxurrada de "That's Not My Name"? Hit épico de qualidade feito por/e para patricinhas nervosas. Guitarra crescente unida à bateria, feita por bumbo e caixa, ficando mais pesada de acordo com a raiva de Katie White querendo que você saiba o nome dela. "Great DJ" abre o álbum de forma majestosa com as aliterações mais pegajosas do ano. "Keep Your Head" inicia com ar emotivo de New Order, mas vira um CSS menos rockeiro. "Fruit Machine" tem ares de Gwen Stefani em sua fase
highschool bitch.
Flash Content
The Ting Tings - That's Not My Name (mp3)
Mesmo calçando as sandálias do disco-punk soft (contradição?), a dupla também viaja pela fofura. "Traffic Light" tem cara de propaganda de margarina onde a família perfeita toma seu café. "Be The One" não incomodaria nem a sua avó avessa a modernidades, porque a guitarra com cara de violão e o xilofone garantem a delicadeza da canção.
Quando o Ting Tings dizem que não começaram nada na última faixa do álbum, eles realmente querem dizer isso. Afinal, eles são uma banda que parece CSS, Franz Ferdinand, Raveonettes e muitas outras, só que com propriedade suficiente para se livrar das acusações de cópia, e também para atingir um mercado que as excentricidades das inspirações não alcança. Um bom produto pop com prazo de validade. Se divirta enquanto puder, pois assim que descobrirem o nome dela, esse momento já era.