Primavera Sound 2008
Kids, o melhor do MGMT
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ficha técnica
Nota: 4.2 / 5
Ano: 2008
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Primavera Sound 2008 (Barcelona)
03.06.08 15:55
Primavera Sound 2008 (Barcelona)
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Primavera Sound 2008
Festival catalão é urbano e divide atrações em três dias e palcos ao lado do mar
03.06.08 16:40
O Sónar está aí, e nós estaremos lá, cobrindo em texto, fotos e vídeo aquele que é o festival mais completo para a clubberagem em 2008, um misto de Mutek bem-nutrido com TIM Festival de verão. E na Europa.

Barcelona no entanto não é só terra do festival desejado por 8 entre 10 "festiveiros" com o passaporte em dia (vale até o verdinho ainda!), mas sim de um de Junho animado, abrindo o sempre animado e corrido verão europeu. Recanto litorâneo e ensolarado da peculiar Catalunha, BCN sedia outros festivais como o Daydream (Radiohead, Modeselektor, M83, Four Tet) e o Primavera Sound, que é patrocinado pela (horrível) Estrela Damm, a Skol local, e acontece no Parc Del Fòrum (assim, com a crase - catalão é uma língua estranha), tipo um Anhembi barcelonês, só que com arquitetura modernosa e vista para o Mar Mediterrâneo.

Fernanda Vendramini esteve lá e conta como foi.

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Vamos começar pelo fim. 5h da madrugada de domingo 1o de junho. Chuva torrencial. Multidão pulando enlouquecida, encharcada econcentrada em um único palco, cantando um hit bate-cabeça do Black Sabbath.

Parc del Fòrum
Parc del Fòrum
Para chegar até lá, o Festival Primavera Sound 2008 realizado no espetacular Parc del Fòrum na cidade de Barcelona teve três dias, cinco palcos e um auditório e mais de 100 bandas e DJs que foram de Public Enemy a Tindersticks.

Até 2005 o festival acontecia no famoso Monte de Montjuic. Mas por protestos da população e pressão da Prefeitura, que precisava trazer eventos para a super estrutura do Parc del Fórum, o Primavera Sound - esse ano agregando o nome do seu maior patrocinador a cerveja Estrella Damm- foi transferido para lá.

O Fòrum é impressionante. Ele fica na praia e tem a arquitetura grandiosa e moderna típica das obras novas de Barcelona. São super estruturas de cimento abertas - se chovesse, ia complicar- praticamente em cima da areia. Dos cinco palcos existentes- Rockdelux (o principal), Jageimester, ATP, Estrella Damm e CD Drome, os dois primeiros tinham o marzão azul bem atrás.


DIA 01 - 29/05- Sol, hip hop e Portishead
Quinta, 29/mai

Nada como começar o Primavera Sound com um showzinho light. Eu já tinha visto o MGMT há pouco tempo e queria tirar a prova de como os meninos de Nova York funcionariam em outro continente.

Eles foram anunciados por uma criança, que parecia um clone de Andrew VanWyngarden, com direito a caixinhos loiros e faixa hipponga na cabeça. A banda entrou no palco principal para uma platéia ainda um pouco vazia, às 19h30. Todos com seus wayfarers coloridos e Andrew com sua túnica psicodélica aberta no peito.

O início foi morno e o show melhorou a partir de "Eletric Feel", acompanhando proporcionalmente a popularidade dos hits. A banda brincou algumas vezes com o Vampire Weekend - em uma entrevista recente quando perguntados sobre quem merece um "bad karma", a dupla MGMT respondeu "Vampire Weekend". Ele disse, com sarcasmo, que não deveríamos acreditar no que lemos, e depois dançou com uma faixa que tinha a pergunta fatídica de um lado e o nome Vampire Weekend de outro.

Bem Goldwasser, que havia passado o show inteiro de costas para o resto da banda só se uniu a Andrew em "Kids", que foi a última e a melhor do show. Andrew não desceu para a galera como faz normalmente mas chamou o "kid" que havia anunciado a banda para dançar com eles no palco. Nesse final a gente sentiu que o MGMT sabe relaxar e divertir. Pena que eles só façam isso em alguns momentos.


MGMT - Kids (Primavera Sound 2008)

Eles foram seguidos no mesmo palco pelos alemåes do Notwist, que faziam um hard rock com baixo pesado, e conversavam simpáticos em espanhol fluente com a plateia.

No palco Jägermeister, o mais impressionante do festival por ficar ao final de uma escadaria íngrime, bem EM CIMA do mar, os quatro meninos de L.A do Health assustavam qualquer desavisado que passasse por ali. O rock deles é muito mais experimental e pesado ao vivo. Quem só tinha ouvido o remix de Crystal Castles para "Crimewave" nunca reconheceria a
A barulheira do Health
A barulheira do Health
original ao vivo. O vocalista alternava na mesma música voz suave com gritos infernais enquanto os outros três integrantes faziam uma performance caótica. Engraçado que o slogan da bebida alemã escrito nos banners ao lado do palco em que o Health tocava era "Release the Beast".

Flavor Flav, Chuck D e seu Bomb Squad tocaram o legendário It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back para uma platéia principalmente de trintões que conheciam todas as letras dos rappers americanos do Public Enemy.

A voz do Chuck D continua tão igual, que no começo do show parecia um playback, e esse era um dos shows mais esperados por mim. Mesmo sentindo que passou o tempo da violência de uma apresentação ao vivo do Public, e que alguns ícones - como as coreografias- ficaram um pouco caricatas, os caras ainda têm força. E as músicas fazem total sentido.

O show terminou com Flavor Flav pedindo para que a gente levantasse os pulsos "to fight the power, for the peace". E todo mundo obedeceu.

PORTISHEAD
Beth Gibbons praticamente imóvel grudada em seu microfone hipnotizou completamente a platéia, em um show lindo bem parecido com o do Coachella no mês passado. A emoção em cada música, o clima denso e as imagens P&B distorcidas no telão eram as mesmas. Mas em um espaço e com um público menor, o que nos deixava ficar mais perto do palco, o show ficou ainda mais arrepiante, do começo ao fim.

Lembrei de uma entrevista recente da banda em alguma revista gringa onde eles diziam que enquanto a maior parte das músicas funciona como um tipo de escapismo, o som do Portishead vem muitas vezes de angústias e por isso pode causar o mesmo sentimento em q
MGMT vs V. Weekend?
MGMT vs V. Weekend?
uem ouve. Participação rápida de Chuck D em "Machine Gun". Engraçado como até ele nesse "clima Portishead" parecia outra pessoa.

E o hiphop voltou pro palco Rockdelux com De La Soul, super aclamado tanto por Public Enemy como por Portishead. Eles entraram no palco bem humoradíssimos. Até deram uma exagerada nas brincadeiras com a platéia, do tipo "qual lado é mais hip hop, o pessoal do lado direito ou esquerdo?". Mas humor à parte, os caras estão em forma, e colocaram todo mundo pra dançar, especialmente com a clássica e deliciosa "Saturday".

Quando a super programação do palco Rockdelux acabou, conseguimos ir ver Vampire Weekend. Os meninos com cara de college boys fizeram uma apresentação simples, sem grandes pretensões. E ótima. A platéia (de fãs) ouviu todos os hits feliz.

Às 03h45 da madruga, antes de ir embora, deu para ver Midnight Juggernauts no meio da fumaça/gelo seco que saía do palco comandar a mistura de electro e rock (mais este último do que o outro) para uma turma de pouquíssima gente sóbria e sem um copo na mão.


DIA 02 - Volta de Sonics, Devo e a diva Cat Power
Sexta, 30/mai

Chegamos a tempo de um finalzinho de Cribs, animado. Ao mesmo tempo em que os The Mary Onettes tocavam seus pop-rocks no palco Jägermeister (aquele em cima do mar- o que já dava uma vantagem para eles).

Bishop Allen podiam ser meus ou seus vizinhos. Eles aparentam estar no palco sem máscara ou ego. Estavam se divertindo tocando baladinhas pops como "Click Click Click" para um público bem fiel. E os tios do Devo começaram o show com seu clássico uniforme amarelo e laranja enquanto o No Age fazia uma barulheira boa lá em baixo.

Depois passei novamente pelo Devo e todas as caixas de som pifaram. Como naquele momento eles (ou alguém) estavam vestidos de bichinhos de pelúcia, dava até pra ficar na dúvida se a falta de som não foi alguma graça proposital.

Cat Power
Cat Power
Procurando o show do Sebadoh, fui parar meio sem querer no palco ATP, o mais afastado e escuro do festival, o que por si só já criava um clima. Autolux tocando. Quando ouvi as guitarras distorcidas e a voz suave da baterista Carla Azar, não consegui sair mais dali. Eu nunca entendi bem termos como space rock, mas o clima do show me fez captar um pouco do que deve ser esse tal "espaço".

DESENCANADA E LOUCA
Cat Power subiu ao palco pontual e discretamente, sem que ninguém a anunciasse e quando ainda nem a esperávamos. A diva desencanada- calça black jeans, camisa, sapato branco e rabo de cavalo - com um quê de louca fez uma das apresentações mais fortes e sinceras do Primavera. A mulher ocupa o palco todo, com suas interpretações surpreendentes ("New York" e "The Greatest" entre as melhores), dancinhas estranhas, voz divina e a intimidade que mostra ter com sua banda e com o público. Quando Cat Power canta na sua frente, a impressão é que ela está olhando no seu olho, e quer que você entenda a loucura dela.

Pra quem queria ver a volta dos sessentões e não esperava nenhuma surpresa, The Sonics foi emocionante, com todos os hits bem tocados. O baterista, na estica, de colete e chapéu, mostrava uma especial disposição para sua visível avançada idade. Bacana ouvi-los falar que quando começaram, um dos objetivos da banda sempre foi fazer Little Richards orgulhoso. Certeza que ele ainda está.

Fuck Buttons, com som pesado e perfeito na ATP, agitou a primeira balada da noite de sexta no Primavera. Só perdeu para The Go! Team que lotou o palco Estrella Damm e arredores. Mandaram "Grip it like a Vice" logo no início e mantiveram o ritmo de festa em um show de um pouco mais de uma hora, com a vocalista Ninja dançando loucamente. Em breve, um show a ser visto em São Paulo.

A principal atração catalã do festival entrou às 3h15 da madrugada de sábado para domingo. El Guincho tocou e cantou entre dois telões colocados no palco, que mostravam animações psicodélicas e imagens de pessoas dançando. Seu som é mais eletrônico ao vivo, mas o show dele, um tanto linear, não consegue manter o interesse por muito tempo.


DIA 03 - Chuva, Black Sabbath e delírio coletivo
Sábado, 31/mai

Nos poupamos um pouco dos shows do dia e chegamos na última noite do Primavera mais tarde. Senti um certo arrependimento por não ter visto Young Marble Giants - os ingleses preferidos de Kurt Cobain - que depois de anos parados tocaram no auditório catalão. Mas eu sabia que essa era um noite de escolhas e queria estar inteira para o último show.

M. Juggernauts
M. Juggernauts
A ventania fria das noites anteriores deu uma trégua e o show pauleira do Dinosaur Jr. tinha até alguns meninos animados sem camisa. Entre músicas antigas e algumas novas do último CD, ponto alto para "Been there all the time". Saímos de lá e chegamos no Alan Braxe quando ele puxava palmas da platéia e tocava sua seqüência de house bem pop, com direito a remixes de Tiga.

Tinderstick soltou o vozeirão grave no palco principal, para uma turma que ocupou as arquibancadas para assistir sua apresentação calminha. Mas era hora do Animal Collective, que eu já tinha visto, mas tem uma certa fama de fazer cada show completamente diferente do outro. Com lanternas na cabeça, tocaram primeiro as músicas mais lentas fazendo a primeira parte do show ser viajandão. Mas ele foi ficando mais acelerado e eletrônico do meio para o final, aquecendo a turma para o que viria em seguida.

A impressão é que quase todas as 19 mil pessoas presentes no Fòrum no domingo à noite estavam ali, iluminadas pelo show de luzes do palco na frente do Simian Mobile Disco. Difîcil dizer se é realmente o "melhor live do mundo", até porque eles tiveram problemas com os instrumentos e fizeram um DJ set, mas com certeza foi um dos melhores momentos do festival, se não o melhor.


SMD - Hustler(Primavera Sound 2008)

A seqüência de hits foi infalível, de "It's the Beat", a "Ready for the Floor" e "Hustler". Um coelho de pelúcia invadia o palco de tempos e tempos e dançava ensandecido com a multidão (boatos rolaram que era o vocalista do Les Savy Fav). Quando a chuva começou, a gente - e todo mundo - tentou fingir que dava pra continuar ali. Mas o Simian já estava tocando há quase duas horas e o festival estava acabando. E acabou assim, com todo mundo encharcado e feliz, dançando e batendo cabeça com a última que eles bem escolheram, "War Pigs", do Black Sabbath.

fernanda
fernanda
bring tha noize