El Guincho - Alegranza
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ficha técnica
Nota: 4.6 / 5
Ano: 2008
Selo: Discoteca Océano
Estilos: tropicália, percussivo, noise, étnico, world music
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El Guincho - Alegranza
Músico espanhol contrói em faixas de cinco camadas de samples e outras quatro de loops a percussão eletrônica latina mais visceral do ano
06.06.08 18:25
Do lenço palestino febre nas ruas até ao novo rock mauricinho - que cria guitarras barulhentas de carisma afrobeat -, ressurge com força uma nova subcategoria cultural da globalização: o étnico. É na moda e na música que essa onda vem tsunâmica e gera artistas que vão do Quênia à Índia, da Bolívia à Tunísia buscar algum diferencial de imagem ou de sonoridade (neste caso, geralmente o beat).

É desnecessário relembrar M.I.A, Yeasayer e afins - (já viu a BISHI????) -, mas há um artista latino inevitavelmente étnico, que faz música alternativa, dançante (aka eletrônica) e contemporânea tudo junto, de maneira autêntica, autoral e estranhamente viciante em tratando-se de uma sonoridade tão experimental. É Pablo Díaz-Reixa e seu projeto El Guincho, que fez agora na virada de 2007 para 2008 um dos discos mais viciantes dos últimos tempos, Alegranza.

SAMPLEMANIA
Mais que tocar música, El Guincho esculpe pedaços sonoros em diversas camadas de samples, misturadas com percussões e cantos de festivo provincianismo latino. Tudo numa linearidade inorgânica que pode remeter da eletrônica minimalista ao psicodélico sugador, a batida lembrando as viagens opiáceas de Animal Collective e Panda Bear, companheiros no uso do mesmo sintetizador Roland SP-404.

Pablo é bateirista, espanhol das Ilhas Canárias, meio caminho no Mar Mediterrâneo Europa e o místico norte-africano - influências tão presentes em Alegranza quanto a Tropicália, influência tão relacionada quando se fala de El Guincho. O mérito dessa referência "Panis Et Circensis" se dá pelo uso indiscriminado de diferentes referências com sonoridades locais. Só que músicas como a maravilhosa "Cuando Maravilla Fui" e "Costa Paraíso" estão mais para Marrakesh do que para Itararé.

"Costa Paraíso", aliás, é perfeita para entender a progressão musical das camadas de El Guincho. "Em cada tema eu coloco uma média de três ou quatro padrões soando juntos, e cada um tem quatro ou cinco pequenos loops", ele explica. As canções surgem num caos orquestrado de tribalismos até ser conduzida para repetições bem matemáticas - tão naturais a quem tem o ouvido acostumado ao 4x4 -, sendo então contempladas com cânticos e urros em castelhano de Pablo. Tal maximalismo é coordenado sempre num galope uplifting, que pode cair para o house (perceba os 02:48 de "Costa Paraíso"), e pop dos anos 60/70 (caso de "Cuando Maravilla Fui"), ou para lugar nenhum. Ouça.

Flash Content
El Guincho - Costa Paraíso (mp3)

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El Guincho - Cuando Maravilla Fui (mp3)

El Guincho tem a mesma versatilidade para soar a cada momento uma referência; os arranjos se intercalam em diferentes gêneros, assim como o Of Montreal em Hissing Fauna. Tal universilidade é o que havia também nos artistas da Tropicália de 1968, uma internacionalização musical que, apesar do belo nome, foge de qualquer regra musical, mas soa tão único e característico. Alegranza pode ser tocado num podcast modernoso de música brasileira, ou pode ser mixado por qualquer DJ que se aventura tocar Santogold remixada por Switch/Sinden.

"Fata Morgana" é mais épica do que world music, surge grandiosa numa orquestração que soa como cordas, mas pode ser qualquer barulho prosaico da rua onde Pablo mora em Barcelona. De trechos de músicas a pássaros, de barulho d'água a cantos distorcidos, esse Herbert ibérico faz música ilustrativa - a mensagem fica por conta da subjetividade (e da boa vontade) do receptor. Aliás, suas apresentações ao vivo são tão comentadas quanto o disco, opinião comum também a Matthew Hebert.


"Cuando Maravilla Fui! @ Primavera Sound 2008

Fato que a empolgação de festa junina, o clima voodoo people de caos tribal pode cansar, mas há momentos de respiro como "Buenos Matrimônios Ahí Fuera", viajandona e cinematograficamente industrial, poderia tanto ser trilha de Alice no País das Maravilhas quanto poderia musicar uma campanha da UNICEF. E há de se pensar em El Guincho remixado, talvez por comparsas como Ricardo Villalobos, talvez o maior músico do techno étnico atual. Outros como Nôze, Switch e o próprio Animal Collective seriam bem vindos.

Em entrevistas, Pablo diz não pensar em latinidades e sons específicos, que suas criações surgem espontâneas pelsa referências da vida toda - ele disse ter crescido ouvindo calipso, rumba e afins -, o que o faz ser um tropicalista nato. Se você não se prende a preconceitos da sua intelligentsia musical internacional, Alegranza fará você surtar com uma explosão rítmica tão forte, das mais viscerais do ano.
MP3
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El Guincho - Palmitos Park (mp3)

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El Guincho - Antillas (mp3)

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El Guincho - Kalise (mp3)

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El Guincho - Buenos Matrimonios Ahí Fuera (mp3)


Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
it's like the 60s, with no hope