Entrevista: Cut Copy
Tim Hoey, Dan Whitford e Michael Scott
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Entrevista: Cut Copy
Guitarrista diz que banda teve de amadurecer musicalmente para criar "In Ghost Colours"
11.06.08 12:20
Interessante essa nova era internética. Em outros tempos, quando se pensaria que num espaço de apenas quatro anos uma banda poderia surgir para o mundo, explodir, e de quebra influenciar toda uma geração? Mais ainda: colocar um longínquo país do Pacífico no mapa do pop eletrônico global.

Pois foi o caso do Cut Copy e seu primeiro álbum, Bright Like Neon Love (2004), responsável por influenciar toda uma cena - no caso a australiana -, hoje ponta de lança na produção de synth-pop em nível mundial. Nomes recentes e bombados como Midnight Juggernauts e Van She pagam tributo devido ao grupo, e a coisa não parece próxima de terminar, como atesta o novo e recém lançado trabalho dos conterrâneos do The Presets, o excelente Apocalypso.

Talvez por isso, seu mais recente álbum, In Ghost Colours, tenha sido aguardado com expectativas dignas de uma banda veterana. Lançado em março, o trabalho dividiu opiniões: o que foi encarado por alguns como evolução, por outros foi visto como uma diluição. Em todo caso, se gerou discussão é porque algo ocorreu. Esses rapazes não ficaram parados.

Em entrevista ao rraurl.com, o baixista/guitarrista Tim Hoey falou um pouco sobre a gravação do novo álbum, analisou o eletro-pop, comentou a cena australiana e avisou: quer vir ao Brasil o mais rápido possível.



Fale um pouco sobre o novo álbum, "In Ghost Colours". Como se deu o processo de gravação, e quais foram as principais diferenças em relação ao primeiro trabalho?

Eu acho que a principal diferença entre este novo trabalho e o anterior é que agora nós soamos mais como uma banda. Isso se deve em grande parte ao tempo que nós passamos em estúdio com (o produtor) Tim Goldsworthy. O pop ainda é a "cola" que une o álbum, mas eu acho que dessa vez há uma abordagem mais "cósmica" da música pop. Isso é resultado também do que nós estávamos escutando quando gravamos o disco. E também nos esforçamos um pouco mais nas composições, para escrever boas canções. Dan (Whitford, vocalista) está cantando melhor, adicionamos mais texturas, experimentamos nos arranjos.

SINTETIZADORES EM "IN GHOST COLOURS"
Prophet 5
Jupiter 8
Moog Prodigy
CS 50
Vocês terminaram as gravações do In Ghost... ainda em 2007, mas o trabalho só foi lançado em março de 2008. Porque tanta demora?

Nunca foi a nossa idéia demorar tanto a botar esse álbum nas lojas. Acho que isso se deve mais à natureza da indústria (gravadoras), e aos calendários de outras pessoas.

Como foi trabalhar com o produtor Tim Goldsworthy (The Rapture, LCD Soundsystem)? O que você acha que ele trouxe para o som da banda?

Foi ótimo! Em primeiro lugar, trabalhar com Tim foi um prazer. Foi mais um trabalho de colaboração, do que propriamente de 'banda' e 'produtor'. Ele nos deu liberdade para experimentar mais, e adicionar novas camadas e texturas às canções. Tim também nos trouxe uma série de técnicas de gravação diferentes, sem falar dos novos sons que nos apresentou.

Muitos lançamentos recentes de grandes bandas, como Portishead e The Raconteurs, vazaram na internet antes de ter lançamento oficial. No caso do Cut Copy, mesmo com todo o atraso no lançamento, isso não se deu. Como vocês conseguiram isso?

Nós ficamos tão surpresos quanto você! Sério, eu não sei como não vazou. Havia cópias circulando por tanto tempo que nós tínhamos certeza de que uma hora isso cairia na rede, mas não caiu! Na verdade, nossa maior preocupação era que as pessoas ouvissem o disco e todas as canções dentro de seu contexto. Nós gastamos muito tempo compondo e gravando esse álbum, ordenando as músicas e os interludes são muito importantes para a experiência de ouvi-lo.

Quais foram as principais influências do novo trabalho? De um modo geral, o Cut Copy costuma ser associado a referências dos anos 80, eletro-pop...

A banda e Tim Goldsworthy
A banda e Tim Goldsworthy
Eu não sei se esse novo álbum foi tão inspirado assim pelo electro-pop. Eu acho que, sempre que as pessoas ouvem sintetizadores e música pop juntos, tendem a associar com os anos 80. Mas bandas como Electric Light Orchestra usavam sintetizadores. Os Beatles usavam um moog. Acho que nesse novo álbum nós fomos mais inspirados pelo pop da década de 70. O tipo de synth music que nós estávamos ouvindo ia mais para o lado de Tangerine Dream e Jean-Michel Jarre. Certamente foram nomes que influenciaram esse novo trabalho, além da italo disco dos anos 80.

Olhando para a Austrália hoje, você realmente vê a formação de uma nova cena synth pop? Porquê você acha que nomes como Cut Copy, Van She e Midnight Juggernauts se tornaram tão populares no país?

Definitivamente, há um público para esse tipo de música que não existia na Austrália há alguns anos atrás. Não sei bem o porquê, mas certamente há uma nova cena. Bem, é certo que as pessoas amam ouvir música nesse país, música ao vivo. Nós temos uma história muito rica no que se refere ao rock, e talvez uma parte desse público esteja migrando. Todas essas novas bandas tocam instrumentos ao vivo também, então não é uma experiência tão diferente assim.

Planos para tocar no Brasil?

Nós realmente queremos tocar aí, este ano de preferência! Nós tentamos todo ano, na verdade. Até hoje, só ouvimos coisas boas sobre o Brasil, e certamente é um país que temos vontade de visitar o quanto antes.


Cut Copy abrindo para o Daft Punk na Austrália (2007)

Guilherme Sorgine
Guilherme Sorgine (gsorgine @ gmail.com)
comentários
Malu Braga
Malu Braga (12.06.08)
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Parabenzásso pela entrevista. Espero mesmo que eles, e todos seus colegas que estão aí, tenham vindo para ficar. In Ghost Colours foi o que eu mais ouvi esse ano.
Ricardão
Ricardão (11.06.08)
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Como diz um amigo meu dos mais aversos à hypes e modinhas que conheco: "Cut Copy é legal!".
Tomara que eles venham pra cá mesmo!
CaiovzKy
CaiovzKy (11.06.08)
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olha esse show deles deu ate arrepio...imagine aqui como será...
CaiovzKy
CaiovzKy (11.06.08)
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Putz, que maravilha sera quando virem tocar aqui...e boa reportagem...os caras abriram pro Daft Punk...
Cauê
Cauê (11.06.08)
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Se vier vai ser pura emoção !
proximos