Jori Hulkkonen - Errare Machinale Est
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ficha técnica
Nota: 4.4 / 5
Ano: 2008
Selo: F Communications/PIAS
Estilos: eletrônica, vintage, italo disco, electro, synth
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Jori Hulkkonen - Errare Machinale Est
Um exemplo atual da melhor fusão entre homem e máquina, muito além dos gêneros
17.06.08 19:15
Nossas pesquisas musicais diárias aqui no rraurl por vezes levam a questionamentos existenciais, do tipo A ELETRÔNICA ESTÁ EM CRISE? Somos apontados por vezes como desertores da música dançante e orgânica porque abraçamos o rock e insistimos em "tendências" musicais pós-pós-‘mudernas', que gostam de misturar tudo e soar como nada.

Mas algumas críticas não analisam se a música é simplesmente boa ou não. Então, como não questionar a existência de uma música eletrônica "pura" quando um de seus músicos mais talentosos, o finlandês Jori Hulkkonen, lança um álbum freestyle do começo ao fim dentro de suas louváveis capacidades e referências musicais: do synth-pop ao electrohouse, passando
Jori em seu antigo estúdio (1998)
Jori em seu antigo estúdio (1998)
por timbres analógicos a la Aphex Twin e Kraftwerk, além de um bom foco na "atual" italo disco. E mais, Jori, membro do selo francês F Communication (Laurent Garnier; Mr. Oizo), disse em seu site que quis com esse trabalho "fazer um álbum distante das pistas."

Errare Machinale Est saiu em março e atualiza gostos e parcerias de Jori desde seu último lançamento, Dualizm (2005). O destaque absoluto do disco é o single de estréia, "Never Been Here Before", um notável avanço na parceria com John Foxx, clássico vocalista do oitentíssimo Ultravox. Foxx cantou no álbum anterior do finlandês, e nessa nova preciosidade, sua voz surge entre pistões industriais, num baixo BPM que pode ocasionar confusões de identidade com o minimal tech. O less is more aqui é necessário para ninar vocal metalizado de John, um timbre sentimental numa canção de melodia analógica. O tal pistão em crescente apogeu, tudo numa grande atmosfera robótico-futurista, se é possível dizer isso nesses tempos de vintage excessivo.

Flash Content
Jori Hulkkonen - Never Been Here Before feat. John Foxx (mp3)

O finlandês pinta em Errare… um quadro de referências concisas, onde conta em nove músicas suas influências musicais e o que é a música eletrônica para ele hoje. A cantora australiana Justine Electra é a primeira parceira feminina de Jori na linda faixa título, de bleeps 8-bit e com aquela saborosa ambientação nipônica das bases italo-disco, tão presente em artistas do momento como Glass Candy e Chromatics.

Tudo muito etéreo e espacial no começo do disco, a rumar para canções que lembram mais os passados bem definidos do produtor. "Forgive me Father for I Have Synth", tem bom título, vocais do próprio Jori e atmosfera deep anestesiada por uma lembrança jazzística. Uma boa referência (evolução?) a seu passado fortemente associado à house music.

ELETRÔNICA, MESMO QUE AS MÁQUINAS ERREM
Jori coleciona sintetizadores, e seu maior sucesso foi com a alcunha Zyntherius e a versão electroclash de "Sunglasses at Night", parceria com o canadense Tiga. Então sua música, por mais "humana" que se proponha neste álbum (o título do disco diz, em bom latim, que quem erra são as máquinas), é eletrônica. As cordas de baixo em "Character" são samples e, mesmo infectadas por um perfume rocker, a faixa está mais para Ibiza do que Pitchfork Media. Culpa do beat embalado por sintetizadores em galope de trompetes.

jori hulkkonenTalvez por questões comerciais Jori Hulkkonen não esqueceu as pistas. "Mere Vehicule" é electrohouse crescente, bombante, teria sido hit da década se feito em 2006, ao lado de Smash TV, Isolée e Gabriel Ananda. Mas saudosismo por saudosismo, o melhor de Jori é quando ele volta a duas décadas atrás e se propõe tão abstrato e hipnótico quanto o Kraftwerk, influência óbvia.

Um bom resumo dessa espacialidade pré-techno, mais robótica e menos progressiva, é a complexa "Synthetic Ballad of Charles Darwin", feita junto com o não-menos finlandês (e talentoso) Jimi Tenor. Verdadeira mistura do new romantic dos tempos do Ultravox com a anulação humana ("we are the robots!"), essa canção é tão cheia de vivacidade (e sensualidade, no caso) quanto qualquer canção do rock alternativo ou feita por homens.

E quando a crise musical existencialóide for aguda, daquela que chega a inúteis discussões de botequim que não levam a nada (nem propõem uma saída), o melhor é perceber que, independente de homens, máquinas e gêneros, boa música orgânica e inorgânica tem sido feita, tanto por bandas e homens com suas máquinas. E tem vezes que todos esses personagens se juntam num único momento sonoro, fazendo a intelligentsia calar a boca com seu valor sinestésico. É o caso de Jori Hulkkonen e seu Errare Machinale Est.
MP3
Flash Content
Jori Hulkkonen - Character (feat. Jerry Valuri) (mp3)

Flash Content
Jori Hulkkonen - Errare Machinale Est (feat. Justine Electra) (mp3)

Flash Content
Jori Hulkkonen - Mere Vehicule (mp3)

Flash Content
Jori Hulkkonen - Synthetic Ballad of Charles Darwin (feat. Jimi Tenor) (mp3)


Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
it's like the 60s, with no hope