Alison Moyet e o retorno do Yazoo
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Alison Moyet e o retorno do Yazoo
Vocalista relembra histórias e questões íntimas que levaram ao fim da efêmera e talentosa dupla de electro-pop, que volta aos palcos depois de 25 anos
18.06.08 19:40
"Eu conhecia o Depeche Mode desde a escola: eu, (Andrew) Fletcher e Martin Gore éramos do mesmo ano e vimos algumas aulas juntos de matemática e alemão. Vince (Clarke) era de outra escola, então eu o conhecia menos, e Dave Gahan eu conheci na faculdade."

Crescida ao lado da turma do Depeche Mode nas obscuras ruas da Essex dos anos 70, uma então cantora punk se tornou a estrela internacional Alison Moyet, que fala ao rraurl.com sobre suas origens ao lado de gangues e cultura musical realmente underground.

"Havia uma forte cena punk em Basildon na época, você tinha skinheads e teddy boys rivais. As pessoas eram chamadas para a briga em avisos nos postes, era melhor tomar cuidado ao atravessar qualquer esquina", lembra. "Talvez pelo jeito que eu parecia - cabelo raspado, bem preto -, eu era considerada durona. Não quero ser blasé, mas acho que por isso ninguém nunca mexeu comigo!"

Trinta anos depois, Alison é mais conhecida como uma das cantoras mais famosas da Grã-Bretanha, dona de uma carreira que começou no começo dos anos 80 com o Yazoo, pioneiros do electro-pop, que seguiu em frente depois de 1983, quando ela seguiu solo. Foi um pouco seu visual que a ajudou a ser parte de uma das bandas de mais sucesso - e mais efêmeras - da época: Vince Clarke, o então principal compositor do Depeche, largou a banda após dois singles de sucesso. Eles rejeitaram a oferta de Vince, já fora da banda, de uma música recém-composta, então o mestre inglês dos sintetizadores procurou uma cantora para um novo projeto. As credenciais punks de Alison, vocalista das bandas The Vandals e Screamin' Ab Dabs, ajudaram a levá-la a formar o Yazoo.

REENCONTROS E RETORNOS
A dupla fez rápido sucesso com as faixas "Only You" e "Situation", e seus dois álbuns meteóricos: Upstairs at Erics e You & Me Both. Mas antes mesmo do segundo disco sair eles anunciaram a separação, e Vince formou tempos depois o Assembly e o Erasure, este que teve não menos sucesso que o próprio Yazoo.

Hoje, 25 anos depois, eles se reúnem novamente para uma série de shows pelo planeta, como o festival barcelonês Sónar (esse fim de semana), ao mesmo tempo que seus álbuns serão relançados pelo selo Mute. "Foi fácil dizer sim para essa idéia de retornar, porque era algo que eu esperava há um bom tempo", comenta.

yazoo

Muitos dos fãs conhecem cada nuance e letras das músicas do Yazoo. Você tentará exibir as canções da maneira mais original possível?

A atualização das músicas será bem sutil, principalmente porque a tecnologia antiga era muito instável para turnês internacionais. Mas claro que não é como se eu estivesse tocando no Yazoo todos esses anos, houve um cansaço naquela época e eu busquei novos caminhos.

Na minha voz você perceberá poucas alterações, pode ter certeza. De maneira geral será uma rendição ao Yazoo antigo.

Como vocês estão montando o track list dos shows?

Vince não quer cantar, então "Happy People" ficará de fora; eu não gosto de "The Other Side of Love", então não a tocaremos. Fora essas duas, pode entrar qualquer outra.

O Yazoo se separou repentinamente, no auge do suesso. O que aconteceu?

Nós planejamos fazer apenas um single, "Only You", mas aí gravamos "Don't Go" como lado B, só que a faixa era boa demais para isso; daí gravamos "Situation" como lado B, e ela também era muito boa para ser lado B, mas não tínhamos mais escolha. Quando vimos, estávamos tão produtivos que todo mundo dizia "vocês tem que gravar um disco". No minuto que pisamos no estúdio já era trabalho, não havia tempo para descanso, nem tempo para uma cerveja no pub, muito menos ficar filosofando. Trabalhamos 20 horas por dia e, quando terminamos o disco, "Only You" era um hit em todo lugar.

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Yazoo - Don't Go (mp3)

Aí aconteceu de surgir um mito em torno da gente, e eu passei de uma criatura dark e estranha para uma estrela pop reconhecível, que não podia ir a lugar nenhum sem ser amolada - era um pouco assustador. Vince não estava no mesmo clima e não tínhamos o suporte de ninguém para agüentar isso. Não havíamos nem construído uma relação ou um lugar direito para nos refugiar, então simplesmente nos separamos.

Como surgiu essa faísca criativa entre vocês?

Escrevemos as canções separadamente, éramos duas pessoas distintas trabalhando num projeto em comum, não havia um padrão a ser seguindo de antemão. Era literalmente ele criando melodias para eu cantar, da maneira que eu quisesse.

Canções eram escritas, gravadas e mixadas em três dias, foi um processo rápido sem debate, nem análise. Nunca mostramos um para o outro nossas músicas prediletas, ou nem tínhamos uma pré-idéia musical, simplesmente aconteceu. As músicas que Vince escreveu não teriam sido as mesmas com outra cantora, e as músicas que eu escrevi também não teriam sido as mesmas com outro produtor.

Sua carreira solo continuou de forma espontânea depois do Yazoo.

Foi uma odisséia, no fim do Yazoo eu tive um breakdown, e fui levada a ter uma carreira solo por advogados e contabilistas. Para ser sincera, eu estava bem desassociada de tudo àquela altura. Quando trabalhei no meu primeiro álbum foi uma continuação do que eu pensava como música desde pequena; não tive nenhuma pressão nem nenhum senso de direção de ninguém, só escrevíamos.

‘All Cried Out", por exemplo, nasceu numa mesa de cozinha em trinta minutos - de novo um processo rápido sem nenhum senso de carreira nem nada. Isso se tornou uma realização depois que tive um álbum de sucesso; eu pensei "droga, as pessoas pensam que sabem quem eu sou musicalmente". Quando percebi esse obstáculo me senti realmente desorientada enfim, porque senti que eu era reconhecida por algo completamente diferente do que eu realmente era.

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Alison Moyet - All Cried Out (mp3)

Você teve "stress de palco". Como esse medo de se apresentar ao vivo se desenvolveu?

Sim, eu tive. Cantei em público desde os 15/16 anos em bandas de punk e bandas de rock em pubs, bem como acontecia no sudeste de Essex. Era uma sub-cultura rolando, com bandas como o Dr. Feelgood, e nunca me senti intimidada nessa cena de maneira alguma.

Acho que meu problema surgiu porque eu sempre toquei em bandas, nunca tive vontade de uma carreira solo, e de repente me vi nessa situação. É algo de solidão mesmo.

De se sentir sozinha no palco?

Sim, eu me sentia isolada de todas as maneiras. Nunca pretendi ser uma popstar. Mas aí quando caí fora do Yazoo, eu percebi que não tinha contato com ninguém e continuava fazendo sucesso. Estava ultra-famosa, mas não conhecia ninguém. Uma situação bem estranha.

O que você acha da cultura jovem hoje?

O alternativo se tornou mainstream. No fim dos anos 70 havia os "normais" e seus sub-lugares a que alguns de nós pertencíamos. Tinha toda uma cultura de música alternativa, enquanto hoje o alternativo parece ser a norma.

Estar à margem naquela época era estar realmente fora de toda a normalidade.

Como era a cena de clubs em sua juventude?

Não havia nada, no meu tempo não tinha cultura transbordando, não havia casas de espetáculos nem clubes. Shows e festas eram feitas em estacionamentos e até no teto dos pubs. Não tínhamos rios de dinheiro, nossa cultura era simplesmente beber até cair, cogumelos mágicos e muitoi speed. É isso que éramos.

Você saiu bastante com o pessoal do Depeche Mode?

Não muito, o Depeche começou como banda antes da gente, eu já tinha feito parte da cena musical de Basildon desde os 16 anos e eles eram a geração seguinte. Eu estive dentro do movimento punk e eles vieram depois com o pessoal do new romantic. Minha sensibilidade era sombria demais para poder entender essa turma.

Como você se sentiu quando Vince se juntou com Andy Bell e começou o Erasure?

Primeiro minha carreira solo deu certo e Vince empacou por um tempo em termos de competitividade. Não tive ciúmes dele. Só senti um pouco, na verdade, depois de um tempo, com o fato de que Andy, e não eu, conseguiu ter uma longevidade com alguém que eu tinha uma boa conexão criativa.

Erasure: Andy Bell e Vince Clarke em 1986
Erasure: Andy Bell e Vince Clarke em 1986
Acho o Erasure feito de muito talento, mas é mais pop do que eu, nunca fui muito fã do pop e nunca fui uma clubber. A música que eles faziam não estava onde eu queria ir musicalmente. Mas senti ciúmes de que ele estava numa banda e eu estava solo.

Olhando para o passado, tem algo que você poderia ter feito para evitar o rompimento com Vince?

Não sei, acho que eu estava rumando pra isso, eu sempre estava um pouco afetada e um pouco estranha com tudo aquilo. Sempre foi assim comigo. O maior erro que eu já cometi foi assinar com uma major, mas aconteceu tudo tão rápido e eu só tinha 21 anos. Se eu tivesse um pouco mais de segurança e mais gente ao redor, acho que não teríamos rompido.

Quanto você ainda se identifica com o termo "punk"?

De um modo em que sempre me senti differente. O punk serviu para mim porque eu cresci em Basildon, vinha de um família francesa, meu pai trabalhava no mercado financeiro rural; até fisicamente nós éramos diferente. Ele era comunista e nunca pudemos ter aspirações maior que a natureza, se você entende o que eu quero dizer...

Assim como nunca tive sonhos de me tornar rica ou passar a vida me embelezando ou comprando vestidos e sapatos. Essa atitude continuou comigo.

O que você acha então de todas essas pessoas em reality shows querendo ficar famosas? Até na música já é assim.

Acho que eles simplesmente não sabem o que escolher pra si. A maioria das pessoas imagina a fama como algo que ela não é; eles acham que ser famosos, assim como fomos quando jovens, é ser admirado, amado e ter, você sabe, vantagens. Mas não é assim que as coisas são

Talvez por pessoas que aspiram ser observadas e mimadas por uns doze meses, isso é suficiente. Eu sempre vi a fama como lado ruim do sucesso; eu sempre pensei que a troca que ela proporcionava era negativa. Por alguém que nunca teve vontade de caras bolsas, fama por dinheiro não é uma troca bem sem sentido.

1983 - 2008: A volta aos palcos, 25 anos depois



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Yazoo - Situation (Live @ Copenhague - Mai/2008) (mp3)

Jonty Skrufff
Jonty Skrufff
comentários
andre242
andre242(04.07.08)
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Muito legal jonty ...
Não sabia dessa parte da historia da Alyson sobre os caras do Depeche, que eram amigos e tudo mais ... Grato pela matéria ... informação é tudo ...
WELCOME BACK YAZOO ...
Ronald
Ronald(20.06.08)
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parabens pela materia...

sensacional
Rafael BZ
Rafael BZ(20.06.08)
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Um loop temporal regado a synthpop eu iria adorar!!
heheheh

Yazoo era mto bom! Eles merecem voltar pra fazer uns showszinhos...
Augustuzs Neto
Augustuzs Neto(20.06.08)
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É que eu seqüelei com a volta do Bauhaus.
Até tu Brutus?
Rs
Cj Hal
Cj Hal(20.06.08)
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Agustusz, vc esta ferrado entao. Pois se os 80 voltaram em meados de 2005-2008, ou seja, em 2020 ja vao se relembrar de 2000, que estava começando a se lembrar dos 80... Ficaremos num loop temporal dos 80's, regados a synth pop e polainas rosa choques...
 
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