Regulamentação: um caminho sem volta
Fernando Capez, no centro da mesa
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Regulamentação: um caminho sem volta
Em São Paulo, Estado e Prefeitura estudam leis, medidas e firmes posições "anti-rave", ou que ao menos criem critérios para a realização das festas.
25.06.08 15:25
Não tem jeito, a regulamentação das raves em São Paulo parece ser um caminho sem volta em seus dois âmbitos administrativos, Estado e Prefeitura. Foi realizada ontem (24/jun) uma audiência pública na Assembléia Legislativa de São Paulo, para discutir os pontos do projeto de lei 1388/2007, de autoria do deputado estadual Fernando Capez (PSDB).

Cerca de 100 pessoas estiveram presentes no evento, a maioria familiares e amigos de Erick Esiquiel, jovem encontrado morto em circunstâncias misteriosas na rave Tribe de abril (saiba mais aqui e aqui). Além dos solidários, estiveram presentes autoridades como o Secretário Municipal de Habitação Orlando de Almeida Filho (em nome da Prefeitura), delegados do GOE (Grupo de Operações Especiais), da Polícia Civil, membros do Ministério Público e outros, além de poucos organizadores de raves, entre eles membros da No Limits (empresa por trás de Xxxperience e Tribe).

Após três horas de audiência, marcada por sugestões das autoridades e depoimentos emocionados de familiares e seus apoiadores - faixas com o lema "Rave, Diga Não" marcaram presença (foto). A participação foi aberta ao público, mas os emissários da No Limits foram embora antes de serem consultados, receosos de opinar numa audiência tomada pelo clima emotivo "anti-rave".



PONTOS DO PROJETO
O deputado tucano pretende levar o projeto à votação no segundo semestre desse ano, já que cada parlamentar tem direito a votar dois projetos por ano. A lei deve burocratizar ainda mais a realização das raves e festas open-air, com uma lista de mais de 20 itens para a obtenção de alvará para a festa. Conforto, impacto ambiental e de trânsito, comprovantes de renda e claro, segurança, são as questões abordadas no rol de exigências. Leia a íntegra do projeto aqui.

O não-cumprimento das exigências pode acarretar multa de 5 mil UFESPs (cerca de R$ 65 mil), valor que dobra na reincidência. A multa também é aplicada ao proprietário do local onde a rave foi realizada e, num dos pontos de discussão mais delicados da audiência, em caso de comprovação de conivência ao tráfico por parte dos donos de sítios e afins, o Estado poderia até seqüestrar bens e a propriedade dos organizadores, medidas passíveis dentro das leis de tráfico.
Abaixo alguns dos principais pontos do projeto.

PROJETO DE LEI Nº 1388/2007

Artigo 1° - A realização de eventos com músicas eletrônicas ou ao vivo, de longa duração, fora do perímetro urbano, tais como sítios, fazendas, pesqueiros, praias e até ilhas, conhecidos como festas "raves", obedecerá ao disposto nesta Lei.

-Foi sugerido que a lei se aplicasse também aos perímetros urbanos

Artigo 2º - Os interessados em realizar os eventos de que trata esta Lei deverão requerer a respectiva autorização à autoridade competente, com antecedência mínima de 30 (trinta) dias úteis, informando a expectativa de público e o local em que o evento acontecerá, mediante a apresentação dos seguintes documentos:

(...)

VI - laudo atestando as condições de estabilidade e segurança das edificações e estruturas de palco, tendas e arquibancadas utilizadas nos eventos, emitido por engenheiro ou arquiteto devidamente habilitado perante o Conselho Profissional, com emissão da competente Anotação de Responsabilidade Técnica (A.R.T.);

VII - laudo atestando que a propagação de sons e ruídos está dentro dos limites estabelecidos pela NBR - 10.151 (Avaliação de ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade), emitido por engenheiro devidamente habilitado perante seu Conselho Profissional, com emissão da competente Anotação de Responsabilidade Técnica (A.R.T.);

VIII - auto de vistoria do Corpo de Bombeiros para toda a área de instalação do evento;

(...)

XII - cópia do contrato firmado entre os promotores do evento e a empresa encarregada pela segurança interna do evento, comprovadamente autorizada a funcionar pela Polícia Federal, com no mínimo 1 (um) segurança para cada 20 (vinte) pessoas;

(...)

XIV - cópia do contrato firmado entre os promotores do evento e a empresa de atendimento médico emergencial, com no mínimo 1 (um) médico socorrista, 1 (um) enfermeiro e 1 (um) técnico de enfermagem para cada 1.000 (um mil) pessoas previstas no evento, bem como indicação na planta baixa do imóvel de sua localização no dia do evento;

XV - cópia do contrato firmado entre os promotores do evento e a empresa de locação de sanitários químicos, com a comprovação de contratação de 1 (um) sanitário químico a cada 50 (cinqüenta) pessoas previstas no evento, caso o local não possua sanitários suficientes;

(..)

XXI - declaração informando o horário de início e término do evento, não podendo exceder 10 (dez) horas de duração.

-Foi sugerido que a duração fosse limitada a seis horas apenas

Artigo 3º - O descumprimento do disposto nesta Lei sujeitará os promotores do evento às seguintes penalidades, sem prejuízo das sanções civis e penais cabíveis:

I - interrupção do evento;

II - multa no valor de 5.000 (cinco mil) UFESPs, dobrada no caso de reincidência.

Parágrafo único - As penalidades previstas neste artigo serão aplicadas cumulativamente, de acordo com a natureza e gravidade da infração.

-O acúmulo de infrações foi um ponto reforçado pela mãe de Érick Esiquiel

Artigo 4° - O proprietário ou possuidor do imóvel onde se realizar o evento ficará sujeito às seguintes penalidades:

I - proibição de realização de eventos da mesma natureza no local;

II - multa de 5.000 (cinco mil) UFESPs, dobrada em caso de reincidência.

-Como dito, comentou-se a hipótese extrema do seqüestro de bens e da propriedade de organizadores que forem julgados coniventes ao tráfico

(Baixe a íntegra do projeto aqui


PARLAMENTAR POLÊMICO
Fernando Capez (foto) foi eleito para o cargo estadual em 2006. Presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia até 2009, professor e Promotor Estadual de Justiça, o deputado é conhecido por seu histórico de luta contra as torcidas organizadas, episódio polêmico e nada unânime de sua carreira, até na imprensa esportiva especializada - saiba mais.

Segundo Capez, a lei visa regulamentar, criar critérios para a realização das "festas raves", notáveis palcos de incidentes criminosos e fatais com jovens e drogas. "Se uma festa tem segurança e mesmo assim tem drogas, há indícios de que as drogas podem ter sido facilitadas ou disponibilizadas até pelos donos das raves. Se não há seguranças, há o consentimento", explicou o deputado, que pretende associar o projeto à Lei de Drogas de 2006.

PROJETO ACRÍTICO?
Autoridades e o próprio deputado insistiram que o projeto não é coercitivo, que não pretende inibir a realização de raves e eventos culturais ("se é que essas festas raves são eventos culturais", ironizou um familiar de Érick), mas o clima anti-rave era latente, inevitável e aplaudido. "Os críticos da lei podem falar da burocracia, da falta de apoio à cultura e ao empreendedorismo. Mas para esses críticos eu digo: vocês não conhecem a burocracia de um IML, da liberação de um corpo!", provocou Marcelo de Almeida, convidado do deputado presente na audiência.

Deputados estaduais de outros partidos explicitaram apoio ao projeto (Ênio Tatto - PT, e Bispo José Bruno - DEM), e um assessor do deputado federal Walder Feldman, também tucano, sugeriu incluir no projeto as festas universitárias, "subordinadas aos interesses festeiros de grandes empresas de bebidas". Mas a sugestão foi rebatida por Capez, que prometeu analisar a idéia mas que o objeto de estudo eram as raves mesmo.

Sugeridas propostas e adendos ao projeto, a Lei segue para discussão na Comissão de Segurança Pública (outro espaço passível de discussão com o público), antes de ser levada à votação no plenário da Assembléia, o que deve ocorrer no segundo semestre.

Da esq. para a dir.: Adriana Borghi (MP-SP), Orlando de Almeida Filho (Secr. Municipal de Habitação), Dep. Fernando Capez (autor do projeto), seguido por delegados
Da esq. para a dir.: Adriana Borghi (MP-SP), Orlando de Almeida Filho (Secr. Municipal de Habitação) e o Dep. Fernando Capez (autor do projeto) seguido por delegados


PREFEITURA E CÂMARA TAMBÉM FECHAM CERCO
SECRETÁRIO DE HABITAÇÃO SUGERE CRIAÇÃO DE CONTRU ESTADUAL E AFIRMA QUE NÃO HÁ RAVES EM SP; VEREADOR WADIH MUTRAN TAMBÉM CRIA PROJETO DE LEI

Na audiência de ontem o Secretário Municipal de Habitação Orlando de Almeida foi o emissário da Prefeitura de São Paulo para tratar da questão "festa rave". Entre vários pontos, destacou que sua figura é essencial no assunto por tratar do desenvolvimento urbano. "Em São Paulo não há mais raves, nós não deixamos. Coloco a Prefeitura à disposição do deputado (Fernando Capez) para o que for preciso nesse projeto", disse.

Sua principal sugestão ao deputado foi a criação de um CONTRU Estadual, com escritórios em cidades com mais de 50 habitantes, que assim poderia analisar pedidos, alvarás e todas questões ligadas à realização de eventos, igual o órgão faz na capital paulistana. "O CONTRU tem seis estagiários jovens que vasculham a internet e as lojas atrás de informações sobre festas e eventos. Se tem uma rave em São Paulo, nos avisem, porque ela foi feita clandestinamente ou sem autorização."

NA VEREANÇA
Na Câmara Municipal, o vereador Wadih Mutran (PP) pretende criar uma lei que "disciplina a realização de eventos, shows e espetáculos realizados na jurisdição do Município de São Paulo - principalmente as denominadas ‘Raves'". O artigo primeiro do projeto de lei de Mutran, vereador há 25 anos, diz que shows e eventos de toda espécie que ultrapassarem
Wadih Mutran (PP)
Wadih Mutran (PP)
seis horas de duração
deverão possuir autorização expressa do Chefe do Poder Executivo Municipal, através de portaria ou decreto. Ou seja, o Prefeito ou assessores e funcionários ligados diretamente a ele.

"Eu mandei pessoas investigarem o que acontece (nas raves). O excesso de bebidas leva à algazarra por causa do excesso de horas. É o problema do alcoolismo e também da droga. O que a gente quer fazer é uma prevenção - veja, eu não estou fazendo a lei para proibir", disse o vereador em entrevista ao rraurl. "Estou dizendo que acima de seis horas tem que ter uma autorização especial do Prefeito. Ou você faz uma coisa para melhorar, ou deixa a casa cair. Eu olho pelos outros, tem que ter um cuidado e o cara que faz o baile tem que ter responsabilidade!", completa.

Organizadores que descumprirem a lei terão que pagar multa de 50 salários mínimos (R$ 20.750, valores de hoje), custo que dobra em caso de reincidência. A idéia de Mutran, que também é corregedor da Câmara, é apresentar a lei no primeiro semestre de 2009. Até semana passada ele não havia tomado conhecimento da Lei estadual proposta por Fernando Capez. Confira a íntegra do projeto aqui.

Foto Wadih Mutran: Guilherme Lara Campos

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
it's like the 60s, with no hope
comentários
Warley
Warley(05.09.08)
1AprovadoQueima
Podíamos pensar em proibir também o carnaval, afinal, dura 5 dias inteiros, desfile de escolas de samba... Uma noite inteira???? Que absurdo!!!! Tenho pena de Salvador... Boates? Nem pensar, dura mais de 6 horas também... Acho principalmente que deveriam ser regulamentados ou mesmo proibidos os bailes funk', quere ver subir o morro e dizer ao traficante que a festa dele tem drogas e dura muito tempo, por isso é irregular... Não sei o que houve com coisas simples que nos garante a nossa constituição como o direito de ir e vir. As festas raves são destinadas apenas as maiores de idade, que tem discernimento o suficiente para decidir o futuro de uma cidade, estado ou pais. São responsáveis legalmente por seus atos, mas não são suficientemente capazes de decidir em qual tipo de festa querem ir? Que cada mãe e cada pai tomem conta de seu filho e o proíba de ir aonde não julgar apropriado. Mas eu pago minhas contas e meus impostos e quero ter o direito de escolher ao tipo de festa quero ir.
Warley
Warley(05.09.08)
1AprovadoQueima
Resumindo tudo isso vai quem quer e não vai quem não quiser ir... Quero meu direito de ir e vir.
Warley
Warley(05.09.08)
-1AprovadoQueima
Podiamos pensar em proibir também o carnaval, afinal, dura 5 dias inteiros, desfile de escolas de samba... Uma noite inteira???? que absurdo!!!! Tenho pena de Salvador... Boates? Nem pensar, duram mais de 6 horas também... Acho principalmente que deveriam ser regulamentado ou mesmo proíbidos os bailes funk, quero ver subir o morro e dizer ao traficante que a festa dele tem drogas e dura muito tempo, por isso é irregular... Não sei o que houve com coisas simples que nos garante a nossa contituição como o direito de ir e vir. As festas raves são destinadas apenas a maiores de idade, que tem discernimento o suficiente para decidir o futuro de uma cidade, estado ou pais. São responsáveis legalmente por seus atos mas não são suficientemente capazes de decidir em qual tipo de festa querem ir? Que cada mãe e cada pai tome conta de seu fiho e o proiba de ir aonde não julgar apropriado. Mas eu pago minhas contas e meus impostos e quero ter o direito de escolher ao tipo de festa quero ir. Vai
Strepsiades
Strepsiades(03.08.08)
0AprovadoQueima
XXI - declaração informando o horário de início e término do evento, não podendo exceder 10 (dez) horas de duração.

hauhauhauhauah

livre iniciativa, direitos individuais, pra quê isso, né?
tomara que essa doená não chege a BSB....

Agora é uma vergonha, nego vira santo depois que morre. A mãezinha deste rapaz não estava preocupado se o garoto usava drogas, andava com más companhias e tudo mais antes de morrer.

Agora que ele morre, o resto do mundo tem de pagar por isso.

Bem brasileiro da nossa parte.
Cinthia Lacerda
Cinthia Lacerda(05.07.08)
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Nossa como esse Carlos fala bobagem ..meu deus do céu!
Aff......
Aliás alguém sabe exatamente o que aconteceu com o rapaz? pelo que consegui achar de informação na net, ele foi encontrado com sinais de violência dias depois da festa , e ainda nao se sabia se ele tinha ou não consumido algum tipo de droga ou bebida .
è mto complicado, o caso não está esclarecido , pode ter acontecido mil coisas , inclusive fora da festa .
O coitado do rapaz faleceu e agora políticos utlizam essa triste circusntância para fazer campanha . entendo o sofrimento da família , mas atribuir a culpa " às festas raves" não passa de achar uma solução momentânea pra suprir a dor que sentem , mas está muito longe de ser a resposta verdadeira para o acontecido. E com isso , os verdadeiros responsáveis podem ficar impunes....
tsc, tsc......
 
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