Motomix 2008
Ninja e Jamie Bell (Go! Team)
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ficha técnica
Nota: 4.2 / 5
Ano: 2008
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Motomix @ Ibirapuera (28/jun)
30.06.08 12:35
Motomix @ Ibirapuera (28/jun)
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Motomix 2008
Tarde no parque com seis shows abriu com competência a temporada brasileira de festivais
30.06.08 12:15
No Motomix, Edgard, o apresentador do evento, se esforçou para fazer a ligação entre "rock + eletrônica" ao apresentar quase todas as bandas. Mas não se engane, com uma levada electro hipnótica ali, ou um sintetizador sujo e viajandão acolá, o Motomix 2008 foi dominado mesmo pelas guitarras e as presenças de palco roqueiras.

Que o diga o nome completo do evento, Motomix - The Rokr Festival, que após uma edição com problemas com a prefeitura (2006), e outra com confusão nos horários do show (2007), esse ano teve organização competente e andamento impecável. Pontual, às 15 horas de uma ensolarada tarde de inverno já subia ao palco a primeira banda, que tocou para poucos festeiros e vários transeuntes do parque: famílias, bikers, curiosos e perdidos acompanharam a movimentação e as instalações artísticas (caçambas estilizadas e um ‘cubo multimídia') da área acimentada perto do Portão 10 e do Museu Afro-Brasileiro no Ibirapuera.

BANDAS DE ABERTURA
Mais de cinco mil pessoas passaram pelo festival que, gerou reclamação de clubbers pela falta de acts mais eletrônicos, mas fez a alegria de diferentes nichos, estéticas e (ui!) tribos roqueiras. Os três primeiros shows foram de bandas brasileiras selecionadas num concurso promovido pelo festival, todas com mulheres a frente do microfone. Os campineiros do Venus Volts abriram o evento numa curiosa mistura de britrock 2000s com guitarras góticas quase metais que, mais culpa do visual Emily The Strange da vocalista do que a música, renderam algumas comparações ao Evanescence e afins.

Na segunda apresentação do dia o clima mudou completamente. Os paulistanos do Stop Play Moon fez o show com menos guitarras de todo o festival, em meia hora de músicas psicodélicas hippie-chique. A modelo Geanine Marques, apesar de tímida, era figura marcante com seus quase 1.80m de altura, sorrisão farto e voz doce e afinada, sempre linear que não ousava embarcar na oitava ou em calibres mais viscerais. Mas era justamente esse o clima do trio, que tinha ainda Paulo Bega (guitarra e sintetizadores) e Ricardo Athayde (sintetizador) tocando uma mistura de influências bem conhecidas que por vezes eram até exageradamente explícitas: LCD, New Order, Joy Division e Goldfrapp (teve uma música que começava praticamente sampleando a "Train" deles), todos eles eram transcritos numa levada calma e etéra que combinava com a tarde no Parque. O SPM excursiona pela Europa esse ano e põe em teste o fato de que, tanto pelo visual quanto pelo som, é uma banda que promete.

E a última banda, que parecia a mais completa (dois guitarristas + bateria, baixo e outro vocal suave) foi a mais desapercebida: os brasilienses do Nancy, que tocaram seu pop rock estritamente nacional e pós-Los Hermanos para um público tão indiferente que a própria banda não parecia a vontade no palco. Logo depois, no horário e sem muito estrondo, deu-se o andamento das três apresentações internacionais do evento, que segundo Edgard, volta em 2009, repetindo a interação com o público. Confira.


FUJIYA & MIYAGI
Hipnótico e robótico na medida certa
por Alisson Göthz

A apresentação do Fujiya & Miyagi foi com certeza uma das melhores do festival. Se no começo do show metade do público presente naquele final de tarde não estava entendendo bem o que acontecia no palco, logo todos se puseram a dançar e curtir aquela música eletrônica que não era "bombada" e histérica, mas sim tranqüila, empolgante, excelente para aquela hora. Foi um daqueles shows que poderiam ter durado mais.

O trio (o quarto membro, baterista, apareceu só na metade) entrou no palco do Motomix com a missão de levantar o público depois do show blasé do Nancy, abrindo com o animado hit "Ankle Injuries" e encerrando tudo com a épica "Electro Karaoke" - cujo anúncio de "nossa última música" causou um sonoro protesto da platéia, e nem o vocalista David Best tentando avisar que se tratava de uma música longa impediu a comoção do povo que ainda queria mais.

No palco, a banda assume o lado mais alemão de grupos como Kraftwerk que tanto os influencia, e são bem quietos e contidos, com excessão do baixista Matt Hainsby e sua postura mais rocker. Mas assim como o Kraft, possuíam um magnetismo incrível que fazia com que nossos olhos não saíssem do palco - enquanto os pés e a cabeça balançavam de um lado a outro, graças à levada funk 70s das músicas. O telão ao fundo, que projetava animações feitas com peças de dominó e lembravam joguinhos de videogame antigos, deu um bom incremento à apresentação, embora um pouco prejudicado pela luz do Sol.

Entre as outras faixas que mais empolgaram estavam "Transparent Things", "Photocopier" e "Cassettesingle". Fica a dica para os empresários de plantão: um show do Fujiya & Miyagi em algum club ou lugar mais reservado ano que vem não é uma má idéia.


THE GO! TEAM
"The Power is On"
por Raphael Caffarena

Às 18h20, o recinto do Motomix foi atingido por uma explosão étnica colorida chamada Go! Team. Duas baterias não eram o suficiente para alertar a energia que esses jovens britânicos estavam dispostos a gastar no único show brasileiro do combo de hip hop, rock, soul e todos os outros estilos que convenientemente conseguiram encaixar em seus dois álbuns.

No palco, o sexteto se preparava em frente da casa cheia quando finalmente começaram os primeiros acordes de "The Power is On". Ninja, a vocalista/estrela da banda, corre direto para o microfone aquece suas rimas enquanto seu vasto repertório de danças oldschool aquecem ainda mais o público presente. "The Wrath Of Marcie" com seus imponentes (samples de) instrumentos de sopro dá os primeiros indícios que a banda é composta somente por multi-instrumentistas: a pequena asiática, carregando uma guitarra quase maior do que ela, é encarregada de cantar o frágil refrão.

Chi Fukami Taylor, a baterista, troca de lugar com Ninja para "Fake ID" e quase engana a platéia com a música suave. Quase engana, porque a faixa a seguir era "Grip Like a Vice", hit do segundo álbum Proof of Youth. Dominando os olhares de todos, Ninja pede "oh yeahs!" e recebe uma chuva de gritos como resposta. A cantora ainda faz moonwalk e dança como uma doida subindo a temperatura da noite fresca. Aliás, o público ficou na mão da banda durante todo o show. Cada pulo da dupla de guitarristas era comemorado, assim como os rodopios de Jamie e seu enorme baixo.

Após passear entre o caos instaurado pelos samples de sirenes e pela distorção de guitarras, pela tranqüilidade do banjo e gaita e por seu hit máximo "Ladyflash", a banda finaliza com "Keys to The City"; a mistura perfeita das guitarras, com vocais cheerleader e os samples recortados de velhos seriados. E se tem uma banda que podemos adicionar a tag de "mistura perfeita" esse é o Go! Team.


METRIC
"I'm sick. You're tired. Let's dance!"
por Henrique Sauer

"Vai começar o show da Emily!", gritou um fã que se espremia perto das grades logo ali do lado. Não posso culpá-lo. Assim que entrou no palco, a vocalista do Metric, Emily Haines, foi o centro das atenções de quem ficou até o final do Motomix 2008 para ver a banda canadense que conta ainda com o guitarrista/compositor James Shaw, o baterista/aniversariante da noite Joules Scott-Key e o baixista Josh Winstead.

Claro que o Metric é muito mais que o carisma e o par de pernas de sua vocalista, e o público pode sentir isso desde o começo certeiro ao som da dançante 'Dead Disco', que abriu um set montado basicamente em cima dos dois elogiados álbuns Old world Underground, Where are you now? (2003) e Live it Out (2005). Houve ainda espaço para jazzística "Rock me now" (que conta com a participação de Shaw nos vocais) do primeiro disco, originalmente gravado em 2001, mas só lançado oficialmente no ano passado.

Durante uma hora e pouco de guitarra distorcida e sintetizadores, Emily dançou, jogou o microfone no chão ao final da quase punk "Monster Hospital" desceu do palco para a grade saudar os fãs antes do fim do show.

Mesmo com toda animação da moça e a boa seleção de hits da carreria ("Poster of a Girl", "Handshakes" e "Combat Baby"), a apresentação seguiu num clima beeem morno. A ponto de, na volta para o bis, a vocalista meio desanimada com as palmas tímidas e os poucos pedidos pela banda perguntar: "vocês querem mesmo que agente volte? Parece que vocês nem ligam."

O quarteto ainda apresentou ao publico paulista duas faixas do seu quarto trabalho, sem data de lançamento prevista: "Satellite Mind" (um dos vídeos mais acessados da banda em sua apresentação no Coachella desse ano) e "Stadium Love", que abriu o bis.

Depois do show, tanto Haines quanto Shaw, (que também tocam no grupo Broken Social Scene) disseram que acham muito difícil voltar ao Brasil com a banda que tem shows previstos para agosto no Rio e São Paulo. Segundo os dois, será difícil conciliar as agendas dos dois projetos.

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
it's like the 60s, with no hope
Alisson Göthz
Alisson Göthz
Raphael Caffarena
Raphael Caffarena
Henrique Sauer
Henrique Sauer