"Poni Hoax é a melhor coisa que saiu da França desde a abolição da pena de morte!", gritava a revista
Trax há um tempo atrás. Sim, é um pouco exagerado. Mas o fato é que o novo trabalho deste quinteto francês começa a chamar atenção por seu ótimo rock eletrônico com toques new romantic, misturando David Bowie com LCD Soundsystem, Human League com Roxy Music. "Eletrônica emotiva" seria um ótimo termo para descrever o som do grupo, em que o foco principal está nas melodias e letras e não em beats acelerados e sintetizadores frenéticos.
Images Of Sigrid foi lançado no último mês de maio pela
Tigersushi, e o segundo single "Hypercommunication" sai em 22/jul, com direito a um remix dos alemães Alter Ego.
MEU PEQUENO PÔNEI
A história do Poni Hoax não é muito diferente da de outras bandas rotuladas como
art rock: eram cinco estudantes parisienses nerds, artistas e intelectuais que um dia resolveram fazer música, brincando com a velha mistura disco + punk. Mas o que diferencia o Poni Hoax de outras bandas do gênero é a forte influência que recebem da coldwave e do post-punk 80s, das canções francesas de Jacques Brel e Serge Gainsbourg, um pouco da
neue deutsche welle alemã. Tem ainda a presença essencial do vocalista Nicolas Ker, uma espécie de cruzamento bem sucedido entre Bowie, Brian Ferry e Jim Morrisson - ou seja, um dandy por natureza. É como se Oscar Wilde tivesse um dia decidido montar uma banda electro.
Já faz algum tempo que o Poni Hoax vem circulando por aí. Seu primeiro single, "Budapest" (2005), foi bem tocado nas pistas durante o boom electrohouse, e misturava um vocal feminino (da cantora grega Olga Kouklaki) com guitarras post-punk e um climão Giorgio Moroder dark, lembrando bastante a produção de grupos alemães como o Malaria! e o XMal Deutschland. Lançado pela Tigersushi, o EP
Budapest trazia um ótimo remix ítalo-disco produzido por
Joakim Bouaziz, que viria a produzir também todo o primeiro álbum homônimo da banda, lançado um ano depois. Não por acaso, Joakim é dono da Tigersushi, e também produziu o novo CD. Além de "Budapest", outra faixa de destaque do primeiro álbum foi "She's On The Radio", que juntas fizeram com que o Poni Hoax logo virasse queridinho de gente como Tiga, Laurent Garnier, Cosmo Vitelli e Optimo.
Flash Content
Poni Hoax - Budapest (mp3)
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Poni Hoax - Budapest (Joakim Italo Dub) (mp3)
IMAGES OF SIGRIDO sistema nervoso deste álbum é centralizado em suas três principais faixas: "Antibodies", "Images Of Sigrid" e "You're Gonna Miss My Love". São pequenas obras-primas disco, elegantes e intensas. "Antibodies" (o primeiro single) é triunfal com seus pianos orquestrais. "Images Of Sigrid" herda de "Antibodies" todo o frescor disco e a leva a um passo adiante, encarnando de vez o luxuoso
Roxy Music, enquanto a quebradona "You're Gonna Miss My Love" fecha a trilogia em grande estilo, com guitarras
a la Franz Ferdinand que farão a festa em qualquer pista alternativa. A voz de Nicolas percorre todas elas com a mesma intensidade, garantindo a pegada
glamrocker que elas precisam.
Vídeo Oficial de "Antibodies"

"The Paper Bride" abre o disco lembrando uma versão gótica do clássico "
Paint It Black" dos Rolling Stones, mas logo se transforma num synthpop hipnótico e sombrio. "The Bird Is On Fire" chega em seguida com seus synths e batidas bem 80s, e é das mais dançantes.
Já "Pretty Tall Girls" parece destoar do resto do álbum, começando com uma ótima linha de baixo, mas logo entram umas guitarras meio punk, meio hardcore, que podem fazer alguém menos tolerante torcer o nariz. Olga Kouklaki é mais uma vez convidada para a única faixa com vocal feminino do disco, e "The Soundtrack Of Your Fears" traz à tona o lado mais francês do Poni Hoax. Essa balada atmosférica funciona como uma versão moderna das
chansons francesas de Serge Gainsbourg.
"Hypercommunication", o novo single, mostra como David Bowie soaria se fosse produzido pelo Justice. O single ganha ainda mais com o remix bem robótico do Alter Ego. "Cash-Pad Driver" e "My Own Private Vietnam" também são boas faixas rock.
Em
Images of Sigrid o Poni Hoax prima pelo ecletismo e pela fuga-do-lugar-comum que tantos nomes que se encaixam (voluntariamente ou não) dentro do filão da discopunk acabam caindo, cedo ou tarde. E se muitas pessoas tem medo de andar a cavalo, poucos conseguem ficar indiferentes a um belo e pequeno pônei.