Entrevista: The Presets
Julien e Kimberley
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Entrevista: The Presets
Apocalypse Now e o declínio da moral na Australia, por Julian Hamilton e Kimberley Moyes
04.07.08 16:20
"Nós passamos recentemente por uma mudança de governo na Austrália, que já era tardia, e nos últimos anos do governo Howard eu cheguei a pensar muitas vezes que se tratava do final dos tempos. Eu percebi o quanto o senso de justiça e moral do país tinha caído."

Conversando com Julian Hamilton e seu companheiro de banda Kimberley Moyes, é aparente que ambos são bastante articulados e de fortes opiniões, coisa que fica evidente no excelente novo álbum do Presets, Apocalypso (leia aqui a resenha).

"Acho que escrevemos uma espécie de trilha sonora de uma pessoa que se preocupava com tais questões", explica Julian, "um cara que apenas queria dançar, transar e amar num tempo marcado por medo e ódio."

Já estabelecidos como uma das principais bandas australianas da década, o duo electrorocker Presets está se espalhando pelo mundo através de seu novo álbum e o single "My People", que saiu em janeiro. Vindos de uma carreira soul music sob o nome de Props, o Presets se formou de uma brincadeira de estúdio sete anos atrás, embora Julian insista que hoje eles continuam tão entusiasmados com sua "high energy pós- rave music" quanto eram com o Props.

"Não prefiro um mais que o outro", ele insiste, "Acho que eles alimentam dois lados diferentes de nossas personalidades."



Começando por Apocalypso: o press-release fala em vários estilos como techno, rock, pop e house. Vocês tinham uma idéia clara sobre um estilo ou som quando começaram a gravar?

Presets (Julian): Na realidade não. Nós geralmente deixamos que cada música dite seu próprio estilo, e isso mostra rapidamente se estamos indo na direção certa em cada música. Por exemplo, "If I Know You" originalmente era muito mais longa, soava mais para a house francesa, mas nós percebemos que esse estilo estava totalmente errado para aquela canção, então nós destrinchamos tudo e começamos de novo. E estou feliz por termos feito isso. Acho que uma coisa que nós sempre estivemos conscientes é que mesmo se tivéssemos estilos diferentes dentro do álbum, nós buscaríamos fazê-lo soar como algo uniforme - para que pelo menos soasse como se fosse a mesma banda tocando no mesmo álbum. Tentamos fazer com que tudo soasse claro, limpo e forte. "My People", "Aeons" e "A New Sky" são três músicas de estilos muito diferentes, mas esperamos que os sons e as texturas soem como nós mesmos. Tomara que a qualidade "presets" de cada uma delas faça com que elas se colem juntas.

Li uma entrevista em que vocês falam sobre serem tímidos com as garotas nos clubes: isso mudou depois que o Presets começou a fazer sucesso? As groupies são um bônus ou um problema?

Presets (Julian): Eu ainda sou muito fechado e tímido. Você não vai me achar num clube rodeado de pessoas. Tenho um ótimo relacionamento em casa, então embora tenha várias oportunidades com as groupies, eu realmente não me interesso.

Olhando para várias fotos suas vocês estão quase sempre vestindo gravatas e blazers. Há um porquê de se vestirem tão elegantemente?

Presets (Julian): É apenas nosso relações públicas tentando nos fazer parecer mais "inatingíveis"...

A imagem é algo importante para o Presets? O quanto vocês se preocupam com isso?

Presets (Julian): Nós apenas não queremos parecer aborrecidos e chatos - isso é muito importante para nós. Sempre usamos o mesmo designer, Jonathan Zawada, porque ele tem um jeito de nos fazer parecer "de outro mundo". As capas que ele faz para nossos álbuns são sempre geniais, e ele também faz o styling dos nossos vídeos e ensaios fotográficos. Ele faz um excelente trabalho criando o lado visual do nosso trabalho sonoro.

Vocês já trabalharam durante o dia usando terno e gravata?

Presets (Julian): Eu nunca tive que vestir um terno e nunca trabalhei num escritório. Já trabalhei durante o dia no passado, mas sempre foi com música. Enquanto eu estudava música, me matava trabalhando numa pizzaria durante os finais de semana. Depois eu dei aulas de piano para crianças por um bom tempo, aí comecei a produzir trabalhos de outras bandas. Agora me dedico apenas ao Presets. E isso é muito bom.

Com quais bandas vocês se sentem mais conectados?

Presets (Kimberley): Não existem muitas bandas que pensem como nós. Acho que bandas como o Cut Copy, Midnight Juggernauts e o Sneaky Sound System tem uma certa similaridade, mas olhando para o passado eu sinto que nós viemos do mesmo lugar que originou o Sparks e que foi visitado pelo Pet Shop Boys; pop com um senso de bizarrismo e algumas vezes uma leve melancolia, combinada com esperança. Eu basicamente sinto uma forte conexão com músicas, não com bandas.

Só agora comecei a entender as comparações com o Depeche Mode, eu nunca havia escutado muita coisa deles antes até pouco tempo, e posso enxergar o que as pessoas querem dizer. Eu só conhecia músicas como "I Just Can't Get Enough" então essa comparação me ofendia muito, agora não mais, eles tem coisas incríveis.

PresetsO quanto vocês se acham dentro da cultura clubber? Vocês alguma vez se definiram como ravers, ou rockers?

Presets (Kimberley): Eu acho que se tivéssemos que escolher, teríamos nos definido como ravers, mas isso foi muito tempo atrás. Digo, eu me vi entrando no mundo da dance music em 1993 mas ainda estava na escola e só pude ir numa rave em 95, e naquela época aqui em Sydney elas já estavam sendo fechadas na mesma rapidez que abriam. Sendo músico e depois artista que faz música eu acho estranho me definir embaixo de um único gênero ou estilo de música.

Quanto envolvimento você tem na escolha dos remixers de seus trabalhos?

Presets (Kimberley): Muito. Geralmente eu dou a sugestão dos artistas que estou ouvindo, ou produtores que estão chamando minha atenção para o Glen da Modular. Ele então coloca mais alguns nomes na lista e tenta entrar em contato com o maior número possível deles, pra ver quem se interessa.

O que me atrai num produtor é conjunto de seus trabalhos, se ele tem uma boa quantidade de produções de qualidade, se nós somos fãs dele há um bom tempo ou se ele tem um som interessante que seja fora do lugar comum do que está sendo feito no momento e que atraia nossos ouvidos.

Apocalypso, o novo álbum do Presets, acaba de sair pela Modular Records.

Jonty Skrufff
Jonty Skrufff (jonty @ skrufff.com)
comentários
Thiago Augusto
Thiago Augusto (04.07.08)
0AprovadoQueima
I Go Home I Go Hard! 4ever!
Augustuzs Neto
Augustuzs Neto (04.07.08)
-1AprovadoQueima
Comos esses caras são bons.
Qdo eu boto My People no iPod e vou pra rua, me dá a sensação de que, assim como eles dizem sobre o figurino que usam, sou inatingível, marchando como um trator.
O vídeo de MP é muito bom tb e me lembrou um coreógrafo da era de ouro de Hollywood, Busby Berkeley, que fazia as figuras se movimentarem de forma sincopada, super kitsch e divertido, mas agora, lendo a entrevista, me dou conta de que lembra mais ainda o vídeo dos Pet Shop Boys, Go West, com aquela cara de "regime totalitário". No caso do TP parece um exército de clones marchando sobre a superfície de um asteróide.
This Boy's In Love, por outro lado, é de uma melancolia tremenda, coisa pra emocionar e embalar mesmo, com aquele pianinho (?) delicioso.
Que tenham vida longa mas, se não tiverem, já valeu por terem feito o Apocalypso.
Muito bom Jonty.