Dupla é bom nome da safra minimal melódica de Hamburgo, junto com Efdemin e Pantha
A polonesa Magda avisou aos brasileiros do
Click Box: o minimal estagnou demais no mainstream, é hora de uma renovação, de um diferencial. Esse é um conselho que urge na engrenagem eletrônica atual, em que a palavra MINIMAL é tão utilizada, lembrando o tempo em que o nome techno se confundia com a música eletrônica em si. Alguns artistas se utilizam de
operetas em cubos, outros flertam com o
folk - as saídas devem ser variadas, já que a idéia de minimalismo hoje é tão forte que o ouvido viciado chama de minimal até a
disco music e o
hip hop.
Dois artistas lá da Alemanha, capital do gênero, mostraram que a simplicidade criativa e a despretensão ainda são boas saídas para manter o vigor do gênero. David Moufang (Move D) e Benjamin Brunn lançaram em abril seu segundo álbum,
Songs from the Beehive, disco tão acessível às pistas quanto conceitual, em que a cadência é minimalista, a atmosfera é deep house, o ápice é acid e a abstração, claro, é experimental.
Essa parece ser a receita do angu da boa safra que tem surgido em Hamburgo, norte do país. Move D e Benjamin são amigos (dividem até o flat) com Efdemin, um
Benjamin e Move D

protagonista do mininal techno harmônico e de narrativa musical frondosa - talvez um dos maiores diferenciais ao minimal goteira. Pantha du Prince, também da turma, é o mais melódico, e expoente máximo dessa galera. Esses dois últimos
vêm ao Brasil ainda esse ano.
Songs from the Beehive tem sete longas músicas de arranjos tão orquestrados que quase criam vida (música orgânica), sensação que nos remete a Aphex Twin e seu
Selected Ambient Works 85-92. Caso de "Mothercorn", líquida e hipnótica, e "Come In", destaque absoluto do disco com seu balanço linear e gordo (
bouncy) e soturna ambientação cinematográfica, ocasionada pelo techno abafado ao fundo, um loop que evoluiu de forma industrial, como a marcha do trem ao longe.
WE'RE THE HUMANSA influência deep house chega até ao nome das faixas, nada tecnológicas, espaciais ou futurísticas. Move D e Benjamin são humanos e falam como e para tal, com o disco abrindo numa faixa que aconselha bem "Love The One You're With". Seguida de "Velvet Paws", são as músicas mais femininas, etéreas e (de novo) líquidas (forçando a barra, o som da duplalembra um pouco as trilhas das fases aquáticas do
Donkey Kong). Mais ambientação e melodia, menos beat e loop - as máquinas também fazem música quando estão em
standby.
A parte "adulta" do disco é seu ínterim, com o proto-hit "Honey", que ao contrário do nome é corrosiva, tem o chimbau em sacolejo histérico e o gordo synth ácido cerceando os ouvidos em alcance surround. Alguma doçura vem de leve, como já dito, com a ambientação emprestada do lado mais
chill da house music.
"Radar" encerra o disco com interferências computadorizadas desconexas sobre o techno abafado, que vai ficando límpido no crescente - técnica corrente no trabalho da dupla. Tanto Efdemin e Pantha quanto Move D & Benjamin Brunn fazem sucesso porque sabem equilibrar a dose entre 4x4 e pista, entre experimental e canções etéreas acessíveis. Fora isso, mostram sinais de que os anos 90 acabaram e fogem da regra futurística e mineral do techno antigo, fazendo ao coro 2008 de -
pomposamente ou não -, dar uma cara mais artística à sonoridade eletrônica. Um exemplo é a bonita e colorida capa do disco, primeiro lançamento em álbum do selo Smallville Records.