Empolgado com o show no Brasil, Jens Moelle conversou rapidamente com o rraurl.com sobre a aguardada vinda da dupla ao país
O Digitalism foi o primeiro ato internacional a se entregar como participante do Skol Beats desse ano por sua
página no Myspace. Quando as pessoas finalmente começaram a celebrar a vinda da dupla alemã após aquela irritante cancelamento em cima da hora em 2007, descobrimos que os nomes do festival ainda passariam por uma votação do público. Após algumas semanas de tensão, o line-up oficial foi divulgado e ao lado dos franceses maximalistas do Justice estava o rock digital de Jens "Jence" Moelle e İsmail "Isi" Tüfekçi.
Formados em 2004 em parte do semi-estrelado casting da maison Kitsuné, a dupla alcançou status de líder de movimento com seu aclamado álbum de estréia
Idealism. Tendo remixado de The Cure até White Stripes sem nunca perder a fórmula de desenhar linhas comum ao rock em camadas sintéticas, eles, além de terem influenciado uma série de projetos futuros, irritaram também uma gigantesca cena muito comum no lugar que surgiram, o minimal. Porém, ao contrário de seu esquentadinho amigo Boys Noize (Jence foi ao colégio com Alex), os meninos não compraram briga com ninguém. Afinal, como Jence mesmo explicou nesta entrevista feita por telefone, os dois vieram de um background estritamente eletrônico - como bem sabemos a música eletrônica já possui inimigos suficientes para perder tempo brigando entre si.
Entre promessas de show inesquecível (um dos últimos da turnê de
Idealism) confissões de paixão com um nada respeitável som tropical, e projetos paralelos que não devem ser levados a sério. Jence se mostrou muito animado de finalmente vir ao Brasil. E pelo que já vimos do Digitalism ao vivo, estamos mais animados ainda por recebê-los por aqui.
Primeiro de tudo, eu tenho que dizer que uma das nossas matérias com mais comentários de todos os tempos foi a de cancelamento da vinda de vocês ao Brasil. As pessoas ficaram furiosas.Eu fiquei sabendo disso.
Jence em ação

E agora eles estão esperando um excelente show de desculpas! Quais serão as novidades para o show no Brasil?Nós iremos fazer um set estendido para o Brasil porque será um dos últimos shows do
Idealism. Será uma grande celebração, porque estamos felizes de finalmente ir para o Brasil.
Eu li numa entrevista você dizer que gosta de Ivete Sangalo e Daniela Mercury e poderia tocá-las no seu set. É verdade? Você realmente gosta delas?Não, mas eu tenho um amigo que tem o DVD delas e ele sempre coloca ele. Eu gosto bastante, é música pop. Toda vez que eu ouço Ivete Sangalo me dá vontade de ir para o Brasil correndo. Eu amo esse clima tropical.
Os meninos do Bonde do Rolê disseram que vocês fizeram shows no Japão juntos, como é viajar o mundo inteiro? É a melhor coisa que você pode imaginar. Você conhece pessoas novas, tipo o Bonde do Rolê. Viaja bastante ao redor do mundo e conhece novas culturas.
Você consegue ver a diferença entre públicos?É um pouco diferente. Depende de como e quanto somos conhecidos nos países. Na Alemanha as pessoas são mais frias, eles observam todos os seus movimentos. Já os japoneses ficam loucos, eles copiam todos os seus movimentos. Eu espero que os brasileiros sejam animados também.
Como foi trabalhar no álbum de estréia? Demorou muito para modelar o som do Digitalism?Demorou uns dois anos para definirmos o nosso tipo de som. Algumas músicas velhas foram regravadas e alguma delas foram deixadas de lado. Levou um tempo para ficarmos totalmente satisfeitos com todas as músicas, mas uma vez que conseguimos chegar a esse som mais agressivo o álbum ficou pronto.
Você se sente parte de alguma cena?Sim, nós temos amigos como o Justice, Boys Noize, que eu fui na escola junto, Soulwax e Mixhell que fazem um som similar ao nosso e algum deles dividem até mesmo a mesma agência. Todos somos artistas que misturamos gêneros, somos independentes.
"(O show no Brasil) Será uma grande celebração, porque estamos felizes de finalmente ir para aí"
Você consegue ver os imitadores?Claro, nós moldamos o nosso som do jeito que gostávamos e ver que existem pessoas te copiando é uma honra. E isso nos incentiva a seguir adiante procurando novo modos de nos expressar.
Eu tenho uma cópia da coletânea Kitsuné's Tabloid e o press release disse que as músicas presentes são as influências para o seu próximo álbum. É verdade?Na verdade, a compilação reflete o que ouvimos em casa e nosso DJ set. Tem noise, oldskool e coisas que nos influenciaram a criar a nossa música.
Como vai o Palermo Disko Machine (projeto solo do Jence)? Você irá lançar mais coisas?Ele é mais que um projeto-piada. Não é pra ser nada sério, é bem influenciado pela ítalo-disco cafona, sabe? Eu só usei o tempo entre gravações para gravá-lo. Daí a Kitsuné decidiu lançá-lo e eu não falaria não para isso. Eu provavelmente farei mais coisas com ele.
Você já teve uma banda de rock?Não! Nós dois viemos de um background eletrônico. Quando começamos com o Digitalism não conseguíamos tocar nada. Fomos aprendendo aos poucos e hoje não nos imaginando fazendo um show sem tocar as coisas ao vivo.
Quando você começou a cantar, então?A principio íamos falar só algumas frases em cima das batidas, daí eu pensei "foda-se não vou chamar ninguém de fora pra fazer isso" e comecei eu mesmo a falar. Depois as melodias ficaram mais complexas e eu comecei a acompanhar com o vocal.
Pogo! Pogo!
E que seja excelente como estão dizendo que vai ser!