Califórnia pare outro álbum de noise rock digno de estar entre os melhores do ano
Enquanto a Europa ainda celebra a fase do punk do rock, em que bandas flertam com o lado mais dançante e gritado da coisa, os Estados Unidos, mais especificamente a Califórnia, vê a valorização do noise rock esculpido em torno de uma sensível aura pop. E se os (in)tensos sons das carregadas camadas de guitarras sobrepostas tendem a afastar um ouvinte mais delicado (desacostumado com "barulho"), as características adquiridas de outros gêneros musicais o seguram pela melodia. E é dessa cena que surgiram bandas como
HEALTH, Mika Miko e a dupla Randy Randall e Dean Allen Spunt, o No Age.
Apesar de experimental,
Nouns não se mostra pedante. Talvez por nunca permitir que uma faixa ultrapasse os três minutos e meio (a maioria não atinge nem dois minutos e meio), talvez pela efeito imediato causado pelo ambiente low-fi que preenche de som até o mais opaco ambiente, ou simplesmente pela imensa qualidade das faixas que passeiam pela repetição de fórmulas (ou formação de identidades, o que soar melhor) sem nunca cair em qualidade.
"Miner" vem reverberando timidamente e no encontro com a bateria forte e ecoada se torna um mantra anestesiado tão denso que dá quase para pesar o som. Há tempos uma música com tão poucos segundos não te passavam tanta informação sobre a identidade de um grupo. Quando você ainda procura a parede sonora que te atingiu, "Eraser", a faixa mais pop do álbum, deslumbra com seu deturpado desenho de anti-folk (que me perdoem os puritanos). Além de agradável aos ouvidos, a canção ganhou um dos melhores clipes do ano, tornando a experiência muito mais completa.
No Age - EraserE na dificuldade de indicar as melhores faixas guitarreiras para evitar de encurtar o caminho proposto pelo No Age a míseros minutos, "Cappo", "Sleeper Hold" e "Ripped Knees" pulam a frente por serem as mais energéticas e diretas, remetendo ao som sujo de Seattle
circa 88 com sua sonoridade dissonante que desemboca em abismos de guitarra.
"Things I Did When I Was Dead", "Keechie" e "Impossible Bouquet" desaceleram a viagem, mas não o efeito que ela traz; o caleidoscópio de sensações se divide entre o soturno caminho dos poucos acordes, os vocais chapados quase-zumbis e os jogos de distorções empilhadas.
Encerradas as doze faixas de Nouns em 30 minutos, não acaba a extensão da reverberação que ecoará pelo seu cérebro te implorando por mais meia hora do melhor modo que o noise experimental encontrou para se expressar:
o POP.