Candidata do PPS abre plano do RRAURL.COM de entrevistar os principais candidatos à Prefeitura de São Paulo.
17.07.08 17:15
Ver a vereadora paulistana Sonia Francine Gaspar Marmo, 40 anos, entrar esbaforida na caótica e bagunçada sala que ocupa na Câmara dos Vereadores de São Paulo, usando camiseta, calça jeans e seu inseparável capacete de motociclista, é meio como encontrar um conhecido ou um amigo. Ela se desculpa pelo atraso explicando que teve de intervir em uma ação de desocupação da Sub-Prefeitura da Sé no Glicério (região central da cidade). Falando compulsivamente, emendando um assunto no outro, balançando mãos no ar, Soninha parece ter muito menos dos que os 40 anos atuais.
Personalidade midiática, ela comentarista esportiva, colunista, integrante do Saia Justa (GNT), budista praticante, adepta do combo transporte público + motocicleta para driblar o caótico trânsito diário paulistano e fã de Red Bull e pinga com mel. Mas apesar da imagem jovem causada pela bagunça, os palavrões e o jeito "gente como a gente", a vereadora discorre com ansiedade de ser séria
Soninha e a equipe da ESPN Brasil na Copa do Mundo da Alemanha (2006)
sobre suas idéia de ser prefeita, cargo que ela disputa pelo PPS, seu novo partido desde o ano passado.
RRAURL ENTREVISTA - ELEIÇÕES 2008 Soninha espera fazer bonito nos debates que virão nos próximos meses, mesmo que seu jeito prolixo e animado seja resultado de uma candidatura iniciante, com planos e propostas ainda sendo moldadas. Nas recentes pesquisas de intenção de voto, Soninha aparece num simbólico quinto lugar (1 - 2% de eleitores), atrás de Paulo Maluf (PP), do prefeito Gilberto Kassab (DEM), do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e da ex-prefeita e líder nas pesquisas Marta Suplicy (PT). Tal posição, no entanto, a credencia para os debates televisivos, de onde ela espera angariar novos eleitores.
Suas idéias e as propostas de sua chapa (o vice é o cineasta e ex-Secretário Estadual de Cultura, João Batista de Andrade) em relação a questões como a lei seca do trânsito, a ocupação do centro da cidade, a regulamentação das raves e descriminalização da maconha foram assuntos na tarde em que a vereadora nos recebeu para um longo papo.
A entrevista a seguir é parte da proposta do rraurl.com de entrevistar os principais candidatos às Prefeituras de São Paulo e Rio de Janeiro. Aguarde.
Qual o real poder de um vereador jovem, em primeiro mandato?
Costumam atribuir duas funções ao vereador: legislar e fiscalizar o poder executivo. Na verdade é muito mais do que isso. Tem a promoção de debates sobre a cidade - que são coisas que não tem um resultado imediato nem uma conclusão mensurável. Pô, a gente tem que discutir de verdade o trânsito, o aquecimento global, criança e adolescente, juventude, crise econômica, violência né? Os vereadores têm que promover debates que virem políticas públicas a médio prazo.
"Quando fui candidata a deputada federal sofri muito. Para a sociedade eu era candidata do PT e diziam "ah, vagabunda, mensaleira!". Inacreditável."
O vereador tem o poder ainda de interceder junto ao Executivo, de persuadi-lo na direção de determinadas ações. E isso certamente é o que eu mais faço aqui. No meu balanço geral de mandato as coisas mais importantes que eu fiz foi interceder para que o Executivo fizesse alguma coisa, tomasse providências.
O vereador tem o papel de ser essa ponte entre a população e a política, traduzir esse mundo que é muito cifrado e cheio de rituais. São coisas que eu fui descobrindo aqui, você não chega sabendo tudo como funciona. É muito surpreendente, aliás, o quanto você aprende. Eu achava que entendia muito de política porque lia jornal pra caralho, participava de debate, putz... É completamente diferente.
Curioso, porque até íamos perguntar 'quais foram seus maiores projetos na Câmara'...
O que menos se faz aqui é legislar. E se você pensar bem, ótimo né? Porque é de uma cultura latina isso de criar lei, é algo que eu aprendi aqui. (Vitor, chefe de gabinete interrompe e explica que o problema dos desabrigados seria resolvido ainda esse mês: eles poderão ficar, mas não receberão os cinco mil reais de ajuda, só a moradia e o encaminhamento. Soninha o parabeniza e agradece).
Então, há no Brasil uma cultura louca de legislar, um impulso legisferante.. A cultura anglo-saxã é completamente diferente: lá são meia dúzia de leis há 300 anos, o resto eles arrumam de outra maneira: o costume vira lei. A gente tem a mania de legislar para resolver, mudar os costumes por força de lei!
No começo eu fui completamente a favor: beber e dirigir não pode, e olha que sou uma pessoa que não milita contra o uso de drogas, e ponto! Eu tomo café, pinga com mel, caipirinha, eventualmente Red Bull (risos), e acho que a maioria dos esforços para as pessoas não usarem drogas é inútil. Mas sou contra o uso indevido de drogas, e um dos exemplos clássicos disso é beber e dirigir.
Então a princípio eu fui bem a favor da lei. As pessoas não estão proibidas de beber, elas só não podem beber e dirigir depois. Mas já tenho quase certeza que essa lei é exagerada em dois pontos: no limite de álcool que ela tolera e na punição. São duas coisas exageradas e desnecessárias, não precisava ser um limite tão baixo e nem uma pena tão rigorosa. Que ótimo que o número de acidentes, vítimas e atendimentos em pronto-socorro diminuíram. Mas provavelmente se a lei anterior tivesse blitz, bafômetro, imprensa e fosse cumprida à risca, isso já teria acontecido há anos! Não precisava dessa nova lei mais rigorosa.
Minha impressão é que ela deveria ser um pouco menos rígida - desde que a fiscalização continue sendo rigorosa. Já têm algumas liminares e medidas judiciais contra e, se você começar a esburacar a lei, desmoraliza, perde a eficácia.
Não é mais uma vez o Poder Público jogando a polícia contra a população?
Quando um dano existe (um dano pessoal ou social), e a medida é correta, você tem que tentar implantar mesmo com o risco da corrupção, do jeitinho, da marmota, entendeu? Mas muitas vezes a repressão piora as situações, como no caso da maconha, por exemplo. Se fumar maconha fosse permitido, a sociedade sofreria menos do que ela sofre agora, exposta à luta contra a maconha.
MACONHA Em 2001 Soninha participou de uma polêmica reportagem da Época sobre a maconha, que virou capa (e outdoor) da revista com os dizeres garrafais EU FUMO MACONHA. As declarações de Soninha ocasionaram sua demissão da TV Cultura, onde ela apresentava um programa jovem, fazendo-a ser a protagonista da polêmica, mesmo com outros nomes conhecidos na matéria (Beto Lago, Angeli, Otto).
Falando em maconha, em entrevista à revista Piauí você disse que a maconha é "um problema seríssimo?" Não que o Brasil vai virar a Holanda do dia para a noite, mas será que não dá para a sociedade, mais do que legalizar, admitir e entender que se fuma maconha?
O problema não é a maconha. O problema é o comércio e a produção de maconha serem considerados crime, e a Polícia e o Exército serem encarregados de tentar impedir o uso de maconha. Esse é o problema seríssimo, a ilegalidade do comércio. É o uso de armar para impedir fumar maconha - é matar formiga com bala de canhão, você destrói o ecossistema inteiro.
Em ato pró-Tibet
É completamente desproporcional. "Ah, mas tem gente que fica dependente de maconha, destrói famílias"... Putz, nada disso justifica o exército para impedir que as pessoas plantem, comprem e fumem maconha - é muito pior a troca de tiros. Então o comércio ilegal se arma para disputar ponto, cobrar dívidas e se proteger. E a repressão, em resposta, só pode ser armada. Surge daí uma escalada: o comércio ilegal tem muito dinheiro, o problema da compra de armas fica muito pior, e morre um monte de gente por bala perdida. Esse é o problema sério.
Em nível municipal, tanto vereadora ou prefeita, como poderia ser tratada a questão da maconha? O que se pode fazer?
Quanto a mudar a forma como a lei enquadra a maconha, não tem absolutamente nada que a Prefeitura possa fazer. Mas, que tipo de campanha educativa a Prefeitura deveria endossar? Qualquer uma contra o uso indevido de qualquer droga e qualquer substância.
Mas só dizer 'não fume maconha' na escola municipal?
Não, você não vai dizer isso. Vai dizer "Você não precisa ficar chapado pros teus amigos te acharem moderno". Você tem que ser engenhoso e criativo para combater esse uso indevido. E não é muito difícil. Por exemplo, fumar cigarro para parecer mais velho. Meu, um menino de 13 anos querendo parecer mais velho fumando só vai parecer um menino de 13 anos querendo parecer que tem 18 anos! Só isso! Do ponto de vista de campanha eu faria nesse tom.
O poder público municipal tem que oferecer alternativas. Alternativas do quê? De prazer, de lazer, de auto-afirmação e de construção de uma identidade. Porque se o único modelo de adulto, de sucesso que um moleque tem é o cara que enche a cara, fuma, cheira, tem mais dinheiro, respeito e cata todas as minas, se esse é o repertório de vida adulta oferecido, não adianta porra nenhuma fazer uma campanha "diga não".
E a Marcha da Maconha, por exemplo, que foi proibida esse ano. Qual teria sido sua medida como Prefeita?
A mesma coisa que a administração atual fez. O Eduardo Jorge (Secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente) autorizou a marcha, é uma manifestação completamente legítima das pessoas em defesa de uma mudança na lei.
REDUÇÃO DE DANOS E a redução de danos, você aplicaria como? Usaria aqueless folhetos explicando como usar direito as drogas?
Assim como o combate às drogas não é só "Diga Não!", a redução de danos não é necessariamente dizer para as pessoas 'cheire com seu canudinho'. Isso já foi feito há dois anos atrás naquele material distribuído na Parada Gay. Eu acho que tem que ser mais cuidadoso. Você realmente pode se dirigir a um público específico dessa maneira, mas não à população de um modo geral, não no rádio e na televisão.
"O problema não é a maconha. O problema é o comércio e a produção de maconha serem considerados crime, e a Polícia e o Exército serem encarregados de impedir o uso de maconha. Esse é o problema seríssimo (...) o uso de armar para impedir fumar maconha - é matar formiga com bala de canhão, você destrói o ecossistema inteiro."
Eu defendi os folhetos porque era para um público específico da parada. Mas será que hoje o público da Parada é tão específico assim, se são três, quatro milhões de pessoas? Será que não foi inábil produzir um material com grande chance de chocar e ser incompreendido?
Tem que ter a política de troca de seringa e tudo mais, mas não é só isso. Tem que ter uma rede de atendimento às pessoas que usam drogas injetáveis - isso é política de saúde. O dano é o uso indevido de qualquer droga, inclusive cigarro, inclusive Red Bull, inclusive cerveja. Penso numa política de promoção de valores que previnam o uso indevido. Não precisa ser tão polêmico, confrontar a sociedade toda dessa maneira, não precisa comprar uma briga nesse caso.
Aliás, é pior, é como a matéria da Época, que se propunha a fazer uma discussão séria, esclarecida, sobre o uso de maconha e a legislação e virou um escândalo. Então você tem que ser cuidadoso, né? A idéia não é escandalizar a pessoa, a idéia é reduzir o dano.
TEMPOS CONSERVADORES A gente acredita que estamos numa época de forte cultura restritiva, tempos muito policialescos, em todos os níveis administrativos. Você concorda?
Olha, aí acho que não é nem um problema do Kassab, do Serra ou do Governo Federal. É a sociedade em movimento de retração, e isso se reflete no Parlamento e no poder executivo. Tem exemplos contrários, em que o Ministro da Saúde se manifesta a favor da descriminalização do aborto, mas aí a sociedade consultada em pesquisa diz que não, que aborto deve continuar sendo crime.
É um movimento preocupante da sociedade: conservador e individualista. É um individualismo fruto da descrença nas instituições, de quando as pessoas dizem "eu sei o que é bom para mim, o que é certo ou errado, estou bom para dirigir (mesmo que não esteja), não venha o Estado se meter". No caso do aborto, é sintomática a típica opinião "se eu precisar fazer um aborto é uma coisa, mas não pode liberar para todo mundo. Se liberar vai sair todo mundo por aí abortando, a mulherada vai sair dando pra todo mundo e evitando filho."
Nesse caso do aborto tem uma excelente campanha que fizeram perguntando para as pessoas: você é a favor do aborto, que mostra a típica contradição individualista.
Campanha "Criminalizar o aborto resolve? Vai pensando aí" - IPAS BRASIL
Eu não estou sozinha no mundo. Não tem só as pessoas conservadoras, individualistas. Mas essas pessoas serão o suficiente para te eleger prefeita?
Provavelmente não dessa vez, mas não é impossível, só bastante improvável no momento. Teve a Erundina que ninguém acreditava e virou prefeita. Agora, ainda sim essas pessoas têm que estar representadas, o que elas pensam tem que ser dito e a política tem que guardar um lugar para quem pensa como eu, né? Se eu tivesse fora daqui eu procuraria quem me representasse.
Onde soninha quer estar no Tratado de Tordesilhas político de SP
Não é uma coisa matemática apenas, a disputa em si é participar - não é só ganhar ou perder, eu quero ganhar essa merda, claro, mas não faço qualquer coisa para ganhar. O Lula virou presidente depois de perder quantas eleições? A Marta foi prefeita depois de quantas eleições? O Serra perdeu quantas? O Alckmin já perdeu para a Prefeitura, inclusive.
Isso é um defeito sério na política, muitas coisas só entram na pauta quando está certo que terá vitória. Então há centenas de projetos prontinhos, que só serão votados quando tiver acordo para aprovar. Tudo é condicionado pela disputa eleitoral e de que lado você está. Tem um Tratado de Tordesilhas que coloca basicamente PT de um lado, PSDB do outro, e daí te perguntam de que lado você está.
PROGRAMA DE GOVERNO Eu li no seu blog que você odeia ter apenas 30 segundos na TV para falar o que pretende fazer, mas é justamente esse tempo que muitas pessoas têm para entender quem é você e quais suas pretensões. Como fica?
A gente está fazendo um super programa de governo que agora incompleto já tem 25 laudas, num eixo central de propostas que é o seguinte: São Paulo precisa ser reconfigurada, dar um F5, sabe? A cidade precisa ser reorganizada porque a ocupação do território foi caótica, por causa disso todos os problemas são piores. Tem um centro da cidade dotado de tudo (coleta domiciliar 100%, água encanada, esgoto, iluminação pública, bibliotecas, hospitais), só que com cada vez menos gente morando. Nos últimos 11 anos deixaram a região central 400 mil pessoas. Havia uma Santos morando no centro que se deslocou.
Ao mesmo tempo a população da periferia cresce assustadoramente, lá onde não tem coleta de lixo nem água encanada, esgoto, escola, parque, museu, biblioteca. Tem que resolver isso, repovoar o centro da cidade - é algo que os urbanistas estão cansados de dizer. Há milhares de imóveis desocupados, vazios e deteriorados que prejudicam o entorno. A Prefeitura tem como repovoar o centro de várias maneiras: mecanismos do plano diretor, comprando um prédio e incentivando a habitação, deduzir IPTU como incentivo, dar subsídios, financiamento, carta de crédito para uma família que procura imóvel e muito mais.
À medida que você repovoa o centro, alivia a pressão na periferia. Então se não tem mais tanta pressão por causa da periferia, você ganha espaço para fazer quadra, praça, creche. Tudo é inter-relacionado, e esse é nosso ponto de partida: repovoar o centro e ao mesmo tempo desenvolver a periferia. Todas as outras propostas estarão em torno desse eixo.
NOITE A gestão da Marta foi bem elogiada em sua atuação para a vida noturna, algo que mingou na gestão seguinte, de Gilberto Kassab. Você tem propostas específicas para a noite?
Eu acho que é mais um caminho de não proibir como ponto de partida. Talvez não seja
Soninha e Clau Assef
atribuição da Prefeitura oferecer alternativas de balada, mas deixar que a sociedade ofereça. Claro que você pode criar condições para isso, mas é essencialmente deixar o mercado se viabilizar, a sociedade organizar os seus eventos.
A gente fez uma tentativa de intermediação do pessoal do Noite Viva com a Prefeitura para organizar eventos, para oferecer oficina de mão-de-obra noturna (garçom, bartender, DJ, operador de áudio etc). A princípio houve interesse da Prefeitura, mas não foi muito adiante. Essa porta aberta para que a sociedade diga o que ela quer já é uma boa disposição.
E a gestão do Secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, como você avalia?
É um pouco como a Lei Seca, algumas coisas são compreensíveis porque não é tudo bonito na noite: tem irregularidades, exploração sexual, lavagem de dinheiro, incômodos para a vizinhança, crimes, casas noturnas que não respeitam normas, fora os conflitos de interesse. Tem que ter alguma mediação, conciliar os interesses e combater práticas ilegais, protegendo as pessoas.
Mas tem que ter uma medida pra isso. Quando se passa a ter um rigor e uma intolerância ao intolerável, surge o problema. Essa medida que eu creio que a Prefeitura não tem: do rigor e do exagero.
Vivemos intermediando negociações em que a Prefeitura foi de um rigor ridículo, em que mandou fechar uma casa porque a planta dizia que tinha uma parede e na hora não tinha. Putz, daí "fecha a casa!". Muitas vezes quem está em dívida é a Prefeitura, por exemplo: um proprietário teve 15 dias para dar entrada em todos os papéis do bendito alvará, mas a Prefeitura está há seis meses com os papéis e não deu a resposta definitiva, só uma autorização provisória de funcionamento. Aí a fiscalização da Prefeitura aparece e reclama que a provisória já se extinguiu. Mas era justamente a Prefeitura que estava devendo a autorização definitiva! É uma esquizofrenia da Prefeitura.
Não é nem o Andrea, mas sim a administração pública que bate-cabeça, que ao mesmo tempo que é muito rigorosa com os outros não é consigo mesma.
ALVARÁS Isso muda de gestão para gestão? Como seria essa relação numa gestão sua?
Ué, claro que sim! O que for justo e tiver de ser feito, será feito. Se há uma casa completamente irregular que se pegar fogo morre todo mundo lá dentro, sem nenhum isolamento acústico no térreo de um prédio residencial, o errado tem que ser corrigido.
Essas regras de alvará e segurança, é tudo absurdo de tão confuso. O cidadão que quer fazer tudo certo está ferrado! É muito mais fácil fazer do jeito errado e pagar uma propina ao fiscal, que aí morre o assunto. Talvez essa parte (sobre o alvará de casas noturnas) já esteja sendo bem encaminhada, porque uma das reuniões que tivemos com o Noite Viva foi na Secretaria Especial de Desburocratização, e o Secretário está ciente desse problema, de que as regras não estão claras.
O Studio SP, por exemplo, ficou fechado um tempão. O fiscal apareceu lá na quinta véspera de feriado, para exigir providências? Tá de sacanagem, na véspera de feriado?!?!! Uma das irregularidades da casa era não ter pára-raio, sendo que vizinho ao clube era um prédio enorme com pára-raio. Enquanto não instalou um para-raio não pode reabrir a casa. Tem que melhorar a regra.
SONINHA QUER FLEXIBILIZAR NORMAS PARA OBTENÇÃO DE ALVARÁS
"Tem uma proposta para a questão dos alvarás que eu gosto. Alguns países concedem o alvará e aprovam a planta a partir do perímetro e da área total construída. Se lá dentro vai ter uma divisória ou colunas quadradas e triangulares, isso é problema do proprietário e e seu engenheiro responsável - não é atribuição de técnicos da Prefeitura. É conceder a planta baseado no contorno, na implantação do terreno e da área construída, não da divisão interna da planta. Isso é algo que vou estudar, já falei com vários engenheiros e arquitetos que me disseram ser um projeto possível.
Outro ponto é na hora de pedir a aprovação de uma planta e tem que fazer a romaria: bombeiro, CONTRU, etc. O Estado agora criou agora um balcão único em que você entrega a planta, e lá tem gente da Secretaria do Meio Ambiente, da CETESB e tudo mais para avaliar ali, todos juntos na hora. Se houver problemas você já recebe a lista de defeitos, sabendo o que tem que arrumar."
TRANSPORTE NOTURNO Em tempos de Lei Seca, você tem proposta para o transporte noturno?
Sim, é plataforma de campanha que eu insisto: melhorar o transporte de madrugada, no fim de semana e também melhorar a informação sobre o serviço. Porque, digamos, você já tem ônibus de hora em hora fazendo a linha do metrô. Mas e daí? Você chega no ponto e não sabe que horas ele passa, se ele já passou, etc.
Se melhorar a informação, já ajuda muito o cidadão. Porque o cara não fica 40 minutos no ponto de ônibus, ele fica na boate ou no bar e vai para o ponto sabendo que horas o ônibus vai passar. Tem que melhorar a informação, as pessoas podiam usar o SMS para traçar rotas, dizer onde está e para onde vai, para então receber a informação de ônibus, ponto e horário aproximado.
"Não tem o menor cabimento você enquadrar um tipo de festa como proibida, dizer que não pode só porque é ao ar livre e toca música eletrônica! Vai virar aparelho como nos tempos da ditadura?"
Eu fiz pressão no Governo do Estado para o Metrô funcionar a noite inteira de fim de semana. Só que o Metrô para a noite para atividades fortíssimas de manutenção, por necessidade e por cagada. O Metrô da linha azul, o mais antigo, precisa de mais manutenção do que ele precisaria se já tivesse sido modernizado. Tem que trocar peças e trilhos que nem existem mais. Talvez com o tempo isso melhore, criando e modernizando as linhas.
Eu acabei conseguindo o trem da meia-noite, que é no sábado o último trem saindo à uma da manhã. Então já é um ganho, a sessão de cinema das 22h que termina à meia noite já dá para pegar o trem depois. É um pequeno ganho.
RAVES NA CIDADE Voltando à questão da noite, fomos à audiência pública do deputado estadual Fernando Capez (PSDB) que pretende regulamentar as raves, e o Secretário Municipal de Habitação estava lá, se dizendo em nome do Prefeito Gilberto Kassab para apoiar qualquer iniciativa do projeto. Ele afirmou ainda que "em São Paulo rave não tem mais, se tem me avisa porque é irregular."
Ai meu Deus, que isso?? Mas baseado em quê ele alega isso?
Apoio político da Prefeitura contra essas festas. Como você vai tratar essa questão das raves, que é um problema sério agora com o crescimento do consumo de ecstasy, e a transformação disso em escândalo na imprensa.
Escuta, e no forró não tem pinga e facada? No baile funk não tem farinha, É um absurdo! Carnaval, micareta, carnafacul! Carnafacul, gente, meu deus! Como fica?
Tinha lá um assessor do (deputado federal) Walter Feldman (PSDB) sugerindo incluir as festas universitárias, mas a sugestão não foi acatada pelo deputado, que reforçou ser um projeto para as raves.
(alterada) Mas não tem o menor cabimento você enquadrar um tipo de festa como proibida, dizer que não pode só porque é ao ar livre e toca música eletrônica!! É ridículo, é impossível, é inútil e contraproducente. Porque você vai fazer o quê? Vai virar aparelho como nos tempos da ditadura? Vai mudar o nome - não vai chamar mais rave - aí, vai surgir festas clandestinas feitas sem o menor controle e a menor fiscalização. É óbvio de tão ridículo, um desastre.
Tem que combater o uso indevido de drogas, a violência, a exploração sexual, a insegurança, o diabo a quatro, não a festa! Senão acaba com o carnaval, meu Deus.
MOVIMENTO LGBT E a plataforma política para o movimento LGBT?
Temos um capítulo inteiro, é política pública, mas o melhor lema do movimento LGBT é "nem menos, nem mais, direitos iguais". Resume muito bem qual é o dever do poder público: ele tem o dever de assegurar a todos, independentemente da orientação sexual, os mesmos direitos. Não importa o que seja feito em nível federal, o município pode avançar bastante nessa área e, reconheçamos, avançou. Os servidores agora têm vários direitos garantidos a companheiros: luto pelo falecimento - isso está em lei, por exemplo.
Mas não é só isso, a Prefeitura precisa combater a homofobia, e com educação - cartaz, slogan, educação dos servidores, da GCM, dos professores, funcionários da saúde e da educação e até o cara do balcão da subprefeitura. Assim você promove a educação da sociedade, os professores têm que estar preparados para lidar com essas questões de diversidade sexual, para coibir preconceito e violência na escola.
Eu reapresentei o projeto depois que o Kassab vetou alegando problemas de ordem legislativa. A gente só refez sem aqueles itens que ele reclamou. Mas ele está parado na Câmara, não aprovou e se depender dos meus colegas não vai aprovar. Naquela ocasião passou a muito custo, e porque eu estava no PT. O partido ajudou a bancar, e com 12 e 13 vereadores comigo, fez a diferença.
Agora que eu não estou mais no PT, não é garantido que esses 12 vão me apoiar, tem todo um confronto com o centrão, enfim, vai ser muito difícil aprovar agora
A Prefeitura tem algum poder de criminalizar na parte administrativa, em relação a estabelecimentos, era o que a lei propunha. Usar o poder da Prefeitura de conceder licenças e alvarás para punir locais em que houvesse a discriminação. Sou a favor disso, apresentei o projeto como vereadora e, se eu for eleita, vou apresentar como Prefeita.
Mas tanto em nível municipal, estadual e federal, você acredita que um dia a homofobia será criminalizada, como o racismo?
A gente discute muito até sobre o termo homofobia. Ele nos deixa vulneráveis, tem gente usando o termo para desmoralizar a proposta, dizendo o seguinte: "homofobia é doença. Fobia é doença e deve ser tratada, não é crime". É algo muito hábil e inteligente da oposição.
E a gente que é militante tem que cuidar da linguagem: não é opção sexual, é orientação sexual, por exemplo.. Estão usando isso contra o movimento, mas tudo bem, repensaremos a palavra homofobia - até porque tem gente dentro do movimento propondo "lesbofobia, transfobia!". Mas enfim, sim, sou a favor da punição.
ROTINA DE CANDIDATA E a eleição, como tem sido a rotina de candidata, é difícil?
Estou gostando. É menos estressante do que ser candidato a vereador, que é muuuuito difícil. Quando você aparece como candidato a vereador, é mais um que apareceu entre 900 outros. No contato com o eleitor é comum ele perguntar "o que é que você vai me dar? Porque outro candidato veio aqui e prometeu que vai contratar minha família para fazer campanha". E são mil candidatos a vereador, você que não é conhecido e não tem mandato, disputa eleição com 950 outros e os 55 vereadores que passaram quatro anos construindo um eleitorado.
Para prefeito é outro tipo de conversa, a expectativa é mais real e as pessoas tem uma noção melhor. E você disputa só com poucos candidatos. Por mais que eu seja uma mosca perto dos outros - eles são o Carrefour e eu sou o mercadinho (risos).
E quando eu fui candidata a deputada federal eu sofri muito, mas aí foi por causa do PT. Eu no partido já estava muito infeliz, tudo muito desandado, no PT eu era a traíra, eles diziam. E para a sociedade eu era candidata a federal pelo PT e diziam "ah, vagabunda, mensaleira!". Inacreditável.
Catarina, não sei o porquê desse linguajar tão século XIX seu, com tu e vós como pronomes que nem existem mais em nosso vernáculo. Se for me atacar, ataque diretamente, sem volteios barrocos.
Mas eu gostei de você, apesar de você ser "iibertária" --------eu não sou libertário, sou conservador, como dizem por aqui, tá bom, mas quando penso que os libertários gostam de andar nus em cima de bicicletas, então penso em você com carinho e nhanmmm!!!
Ter uma candidata nos moldes da Soninha já é um avanço. Se ela vai resolver tudo, eu não sei, mas é a mais coerente com a realidade moderna de uma cidade como SP. Quer dizer, moderna como metrópole, mais atrasada na gestão e conservadora na maioria da população, inclusive no meio jovem.
P.S.: e mand um beija pra tua, ok?
Mas eu gostei de você, apesar de você ser "iibertária" --------eu não sou libertário, sou conservador, como dizem por aqui, tá bom, mas quando penso que os libertários gostam de andar nus em cima de bicicletas, então penso em você com carinho e nhanmmm!!!
Você tem msn?
beijo