Björk é uma das artistas que mais simbolizam o velho ditado do "ou oito ou oitenta". É difícil conhecer alguém que goste "um pouco" dela. Ou é idolatrada, ou muito odiada. Sem meio termos. Tem gente que acha que ela é a mais importante artista da atualidade, enquanto outros acham que Björk é um tremendo pé no saco.

Mas não há como negar que ela é única. Não há ninguém que se pareça com ela, ou alguém com que ela se pareça. Seu trabalho segue o mesmo rumo: quando ouvimos uma faixa da Björk, sabemos que é dela.
Seu primeiro álbum solo,
Debut, completa 15 anos agora em 2008 e hoje, 15 de agosto, homenageamos este CD no mesmo dia que ela encerra, 14 meses depois da estréia no Coachella 2007, a extensa turnê de
Volta na Espanha.
Debut foi o álbum que introduziu
Björk Guðmundsdóttir com carreira própria, e não como a "vocalista do
Sugarcubes". As principais características do seu trabalho já estavam lá, e sofreriam uma grande evolução a partir dele: a voz inconfundível passeando pela instrumentação cheia de referências, o sotaque islandês tentando fazer palavras inglesas soarem compreensíveis, seu flerte com o experimentalismo, letras que pareciam retiradas de livros de contos de fadas...
Debut é seu disco mais acessível, uma vez que seus trabalhos foram ficando cada vez mais experimentais com o passar do tempo. É também, junto com seu sucessor
Post (1995), o mais eletrônico de todos. Produzido em parceria com
Nellee Hooper, que também fez os álbuns de estréia do
Soul II Soul (Club Classics Vol. I) e
Massive Attack (Blue Lines), embora bem longe do clima mais deep que seus trabalhos seguintes teriam e sua verve pop,
Debut consegue ter seus momentos de brilhantismo na discografia da islandesa.
BJÖRK DEBUTA O melhor de
Debut está, sem dúvida nenhuma, nas faixas que se tornaram
sinônimo de Björk até hoje, como "Big Time Sensuality", "There's More To Life Than This" e "Violently Happy", que nos fazem sentir saudades da época em ela produzia ótimas faixas dance. Juntas fizeram a alegria das pistas mais animadas e renderam ótimos remixes.
Flash Content
Björk - Big Time Sensuality (mp3)
"Human Behaviour", uma das melhores faixas de toda sua carreira. É como um filme infantil, contando a história de uma chapeuzinho vermelho que exagerou no ácido. Batidas tribais dão destaque ao vocal de Björk, numa faixa que começa misteriosa e termina quase apoteótica. "Venus as a Boy" parece ter sido tirada de dentro de uma caixinha de música, daquelas em que você levanta a tampa e uma bailarina dança embalada por um som percussivo e doce.
Flash Content
Björk - Human Behaviour (mp3)
Flash Content
Björk - Venus As A Boy (mp3)
"One Day" é atmosférica, balearic no máximo, com direito à assobios e passarinhos voando. "Aeroplane" tem instrumentação jazzy bem simples, e as duas valem mais pela ótima amostra do poder vocal de Björk, cuja voz é uma das mais interessantes do cenário pop mundial - apesar de que seus "desafetos" achem que essa é justamente a coisa mais irritante da cantora...
Claro que nem tudo é perfeito em
Debut: algumas faixas mais experimentais, como "The Anchor Song" e "Like Someone in Love", começam bem mas depois acabam ficando repetitivas. Servem mais como prova da evolução do som da islandesa, que em trabalhos posteriores conseguiu atingir ótimos resultados fazendo uso deste mesmo exotismo e experimentalismo.
O álbum fecha com "Play Dead", em clima de filme. Os créditos finais sobem na tela. Algumas pessoa aplaudem, outras torcem o nariz e saem bravas do cinema. Mas todos tiveram consciência de que Björk passou por ali. E essa é a melhor qualidade de seu trabalho.
Flash Content
Björk - Play Dead (mp3)
(PS: Sim, fãs graduados em Björkologia, eu sei que ela gravou
um disco solo quando criança e que
Debut não é teoricamente o seu primeiro disco, mas esse não conta né?)
OS VÍDEOS DE DEBUT
Björk é uma das artistas que mais inovou a linguagem dos vídeos em todos os tempos. Sempre cercada por diretores e artistas talentosos, foi justamente com seu álbum Debut que ela deu início a sua marcante trajetória na área da video-arte. O álbum deu luz a cinco vídeos:
HUMAN BEHAVIOUR
Dirigido pelo celebrado Michel Gondry, que viria a trabalhar com ela em vários outros vídeos. É uma espécie de conto de fadas envolvendo um urso gigante, uma floresta misteriosa, caçadas e, é claro, Björk. Genial.
VENUS AS A BOY
Dirigido por Sophie Muller (que já trabalhou com Beyoncé, No Doubt e Mika). Björk ensina como fritar um ovo, de seu próprio jeito.
PLAY DEAD
Dirigido por Danny Cannon, famoso por produzir diversos episódios da série de tv CSI:Miami. Björk canta no meio de cenas do filme Young Americans (93), também dirigido por Cannon.
BIG TIME SENSUALITY
Dirigido por Stephane Sednaoui, que também já dirigiu outro vídeo da cantora ("Possibly Maybe"), além de Madonna, Depeche Mode e U2. Big Time Sensuality traz Björk em preto e branco, fazendo tudo o que lhe vem a cabeça em cima de uma espécie de caminhão em movimento, enquanto a câmera fica parada capturando tudo.
VIOLENTLY HAPPY
Dirigido por Jean Baptiste Mondino, aclamado fotografo francês responsável por vários clipes da Madonna ("Open Your Heart", "Justify My Love", "Don't Tell", "Human Nature"). É um vídeo estranho, com Björk e outros personagens mais estranhos ainda enclausurados num ambiente de paredes verde-piscina, aparentemente loucos.