Nem só de frevo vive Recife, visse?! Ícaro Matias, Greg e Dude abrem o case da cidade
A capital pernambucana é conhecida por sua grande riqueza cultural, pelas belíssimas praias e pelos ataques de tubarões. Mas quando se fala em música eletrônica, Recife é bem específica. A princípio, a cena se limitou lá nos anos 90 a boates como Doktor Froid e Fun House, que tinham espaços dedicados aos beats, além da Non Stop um espaço underground, que tocavam de um tudo (de rock a eletrônico).
Cansado de limitações e da espera por um único evento anual chamado Recife Beats, que durou quatro anos apenas, Eduardo Dantona (DJ Dude) e seu amigo Junior Goa criaram em 2002 um núcleo para atrair pessoas que realmente gostavam de boa música. Assim surgiu o Rec DJS, que posteriormente agregou nomes como DJ Mobil, Iceberg e Gustavo Holder. O projeto durou três anos. Nesta mesma época outro núcleo atuante na cena eletrônica era o DJs de Padaria, composto por Renato L, Bruno Pedrosa, Pateta, e Lala K, e que infelizmente também teve seu fim.
Recife Antigo at night

Isso não foi motivo para que os fascinados pela boa música e serelepiancias noturnas baixassem a guarda. Em 2005 começaram a surgir novos núcleos como a Cabaret, festa realizada na boate GLS Metropóle por DJ Móbil, e a Upbeats, que acontecia semanalmente no clube Hype organizadas por Dude, Mobil e Lucho Perez .
Nesta época rolavam todos os estilos em uma só festa: house, electro, techno , psytrance e drum'n' bass. O público aceitava bem essa mistura - a noite sempre começava "lenta" com house e terminava com o drum'n' bass de manhã, o pipoco do trovão.
Os freqüentadores eram sedentos de informação, e isso trazia segurança e incentivo aos DJS a pesquisar novidades. Com o passar dos anos e a proliferação das raves de psytrance em 2004, as pessoas já não eram tão "inocentes" assim e já sabiam que estilo explorar e qual tribo seguir, delimitando mais as fronteiras dos gostos na cidade.
CONVIDADOS PARA O CASEHoje Recife tem dois grandes comandos. Um deles é a festa
Putz! criada pelo DJ Lúcio Morais (sim, o do Database), comandada agora por Allana Marques e Lucas Logiovine. A festa comemora sua 15 ª edição hoje (21/ago) e faz no sábado edição especial em Natal (RN), contando com nomes como database, RRR e Fabrizio Martinelli em ambas as edições.
Outro foco de boa música é o Club Nox, no bairro Boa Viagem. A estrutura da casa é invejável e o som é mais voltado para a cultura pop, trance e afins. O Nox já trouxe nomes como Paul Van Dyk , Gui Boratto, entre outros, mas ainda assim dá uma abertura para vertentes mais alternativas, prova disso é essa edição da festa Putz! sendo realizada no clube.
Para o CASE dessa semana, convidamos três DJs de destaque locais em Recife hoje: Ícaro Matias, da Putz!, Greg, do Club Nox e Dude, bom DJ que transita entre ambas as casas e outros núcleos possíveis da cena da capital pernambucana.
Como foi que vocês começaram a curtir música eletrônica, e quando foi que começaram a viver isso em Recife?Ícaro

Ícaro: Bem, acho que sou o mais novo do pessoal que toca por aqui,. Desde novo escuto muito Björk, acho que esse foi o primeiro contato com alguma produção realmente eletrônica. Sempre escutei mais bandas 80s, produções mainstream da época. No final da década de 90 comecei a sair pelo Recife. Eu ia para baladas underground, sempre algo que misturava muito rock com música eletrônica. Na época eu detestava os clubs locais por se resumirem a uma produção muito pobre de música eletrônica: tribal, trance, hard techno ou house bem comercial que não faziam meu gosto. Mais tarde conheci alguns DJs que faziam a cena B e comecei a freqüentar estas festas e a me interessar mais pela produção eletrônica.
Greg: Sou envolvido com música desde adolescente, estudava música e tocava alguns instrumentos. No começo da década várias bandas e projetos estavam explorando novos horizontes justamente com música eletrônica.. No meu caso foi o disco
Crystal Planet de Joe Satriani, que me fez olhar com outros olhos a música eletrônica. Aqui em Recife estamos vivendo com mais intensidade e consistência é de dois anos pra cá com os vários artistas e projetos internacionais que sempre tocam por aqui.
Dude: Eu comecei a curtir porque passei a frequentar uma pista de patinação que tocava Information Society, Pet Shop Boys, Kon Kan, dentre outros. Passei a viver no meio a partir de 1995 quando eu e alguns amigos montamos uma equipe de som. Ai resolvi aprender a discotecar.
Quais foram as festas, clubes ou pistas inesquecíveis da cidade, que ajudaram a formar a maturidade clubber de vocês? Ícaro: Aqui existia um coletivo chamado Rec-djs que acho que fizeram as festas mais memoráveis do começo dos anos 2000. Os DJs de Padaria era fenomenal, tocava muito house e techno, era divertido. Recife é uma cidade pequena, por isso todos os amigos e pessoas que valia a pena conhecer acabavam indo às mesmas festas. A rec-djs fazia algumas festas underground, o recife antigo (bairro histórico que temos aqui) era muito freqüentado na época e as maiores festas aconteciam ali. Também cheguei a freqüentar algumas baladas de electro rock e outros tipos de música que tinham elementos vindos da musica eletrônica.
Greg: Acho que maturidade vem justamente das várias experiências que tive com música desde pequeno, desde os shows de rock na adolescência até os grandes festivais eletrônicos e clubes mundo afora. E a pista inesquecível com certeza ainda vai ser a do Club Nox, estamos trabalhando pra isso(risos).
Dude: Doktor Froid e a Fun House abriram a minha cabeça mas quem tem maior espaço no meu coração foi o Club Hype.
Lembram de alguns hits (faixas ou artistas) que era sucesso por aí nessa época?Ícaro: Acho que nas festas que eu mais freqüentava, principalmente naquelas feita pelos amigos, uma música que sempre parava a pista era "Emerge" (Fischerspooner). Recife viveu por um longo tempo a ondinha electroclash, muitas festas tocavam isso, o pessoal gostava e demorou a deixar de lado. Graças a deus deixou, tardiamente, mas deixou. Eu gostava por um tempo, mas mastigaram demais essa goma.
Greg: Algumas faixas inesquecíveis da época: Eddie Amador - "House Music", Planet Funk - "Chase the Sun" e Iio - "Rapture".
Dude

Dude: Faithless e "Insomnia" num momento blackout na Fun House !
E quais os maiores hits que estão bombando por aí hoje? Ícaro: Eu não freqüento tanto os clubes daqui hoje em dia, principalmente por aqui ser atrasado - as pessoas pesquisam muito pouco e os maiores clubes são comerciais demais. Tipo escutar "Heater" do Samim, seis meses depois da música já ter estourado. É muito frustrante às vezes. Mas a gente tem feito muitas festas, e temos tido um retorno muito grande do pessoal. Hoje a gente faz festa underground em clube de playboy, é uma conquista bastante considerável por aqui. Tem alguns DJs que se preocupam bastante com a cena e passam a pesquisar mais. Uma música que tem bombado nas nossas festas é The Juan Maclean - "Happy House". Sempre que alguém toca é gritaria na certa.
Greg: Ah , tem vários e em vários estilos desde o hit mais comercial até uma coisa mais conceitual. Tem som para todos os gostos. Desde Fragma ("Toca Me") até Gui Boratto ("Eurásia"). Depende da festa, do DJ, da galera...
Dude: Gui Boratto - "Beautiful Life"
Deadmau5 - "Faxing Berlin"
Popof - "Dust Storm"
Tem algum tipo de música que pipoca o trovão por aí, mas dificilmente o faria em outra cidade? Ícaro: Nossa, se tem! (risos) Tem algumas festas meio exóticas, algumas DJs (sim, mulheres) bem ecléticas que fazem um set bem cheio de referência, algo meio brega com um pouco de indiano e árabe. As festas da Catarina Dee Dja e da Ladie Khekhe são sempre engraçadas e divertidas, pelo exotismo e pela zorra. Acho que sem o clima e o bom humor da população isso dificilmente daria certo em qualquer outro lugar.
Greg: Hehehehe...acontece muito o contrário!! A musica bomba no mundo todo e aqui nem tanto, foi assim com Samim ("Heather") que apesar de ter tocado exaustivamente no mundo todo teve uma passagem "discreta" por aqui. Mas as músicas do ex-projeto Gabriel & Dresden sempre foram muito bem aceitas aqui.Tanto que foi nossa primeira grande atração no clube que superou as expectativas.
Dude: Pra mim não, tanto aqui como em Natal por exemplo as pistas costumam responder da mesma maneira.
De todo o Nordeste, Recife se destaca em que sentido em termos de música e noite? Ícaro: A gente está em contato com outras festas do nordeste, viajamos para as capitais vizinhas e acompanhamos a cena de algumas. Creio que Recife tenha uma cena mais forte, acho que pelo esforço de alguns coletivos daqui de sempre trazer as tendências de fora pra cá e fazer algo diferente desse estigma de tribal/trance/psy que ficou tão forte por muito tempo.
Greg

A PUTZ! está começando a virar mainstream. A gente hoje tenta não perder o foco, agora que a festa explodiu de vez. Às vezes as festas aqui se perdem quando ficam famosas, por querer agradar a todos.
Greg: Recife é uma cidade muito forte culturalmente , muito musical. Desde o frevo e o maracatu, passando pelo mangue beat e chegando agora na musica eletrônica. Isso faz com que nosso público seja um entusiasta da música e isso se reflete na pista de dança.
Dude: Aqui ainda rola uma forte resistência "underground", por mais que essa palavra soe suja para muitos daqui. Mas a realidade é que por conta desses outros circuitos a cena costuma dar uma renovada, tanto no cenário de DJs como de bandas. A noite aqui já foi das mais atrativas, mas ainda é bem interessante.
Se vocês fossem dar uma dica para um forasteiro prestes a se jogar na noitada recifense, e que não conhece a cidade, qual seria? Ícaro: Se algum amigo viesse pra cá eu indicaria a NOX, por ter uma estrutura incrível, tanto de som como de iluminação - acho que a NOX não perde em nada pra D-edge nesse sentido. E tem lugares como o Quintal do Lima, que é bem agradável e com música legal. Hoje temos ainda o Iraque, onde rolam festinhas mais descoladas.
Greg: Sem medo de errar, de quinta a sábado vá para a melhor pista da cidade, vá para o Club Nox.
Dude: Se você estiver afim de conhecer o lado mais alternativo da cidade lhe recomendo alguma festa ou barzinho no bairro do Recife Antigo ou Olinda. Se quiser algo mais sofisticado recomendo o Club Nox.
amei qdo lembraram ga Hype! realamente..o melhor club q Recife ja teve...o upbeats era simplesmente foda!! =D
reabre a hype que a gente faz mil putz! lá!
seria tão lindo...aaahhh REABRE! hahahaha
a hype tá no coração
Salve meu brother DJ Dude, que sempre colaborou com o underground. E obrigado pela lembrança do nosso eterno Club HYPE, onde por quase 3 anos me dediquei e foi a melhor casa que trabalhei.
Mega-sena me aguarde!! Se eu ganho eu abro a HYPE...eheheh.
Abraços à todos!!
É muita magia!