"Como mecânico, você percebe como as coisas funcionam, e passa a se interessar em como a variedade de coisas podem funcionar juntas", contou o recém estrelado produtor
Osborne em entrevista ao blog
Little White Ear Buds, na semana passada. Responsável pelo melhor álbum de house/techno de 2008 até agora (que você já ouviu boa parte aqui), Osborne é mecânico de aviões, e já desenhou até armas para a Força Aérea americana. A variedade de intenções e idéias nas 16 faixas do álbum/coletânea é resultado de um processo criativo semiótico, nerd, do engenheiro eletrônico, que também curte criar timbres próprios a partir de circuit bends e garimpos analógicos.
Mesmo saudosista do vintage, Todd Osborn não cai na espécie de armadilha dos clássicos, e adora novidades da produção musical em softwares. A única faixa 100 % analógica do álbum é o break ácido "Junk Food".
Flash Content
Osborne - Junk Food (Original Mix) (mp3)
Com esta curiosidade em ver por dentro como as coisas funcionam, Osborne oferece novas sacadinhas para a clássica sonoridade melódica de Chicago e Detroit, este último no qual nasceu e vive até hoje em Michigan. Com potencial pop, assim como os lançamentos de
Matthew Dear pelo mesmo selo (Spectral), o disco contempla as diversas facetas que Osborne vem aprontando em estúdio nos últimos cinco anos, quase que sem pretensão.
Suas habilidades em breaks esquizofrênicos (como Sound Murderer, lançada pela mítica Replhex, do Aphex Twin) não tiveram espaço. Ainda bem. Só entraram as fofas na seleção que ficou por conta de Sam Valenti, o bem articulado dono dos selos
Spectral/Ghostly. O próprio Orborne, tão desencanado de ações de promoção e afins, não saberia quais colocar e quais omitir, e deixou o ofício para o "chefe".
Com um approach tecnológico de total insider (ele escolheu softwares de áudio "open source" - de código aberto - para configuração própria de parâmetros internos), Osborne poderia ser mais um geek da era minimalista de bleeps e ruídos digitais. De minimal, o álbum oferece uma nuance ou outra, como na crueza rítmica de "Detune". A faixa hipnótica é pra se dançar de olhos bem fechados e, com suas linhas melódicas, voar tão alto quanto os vôos de testes diários do cara. Faltou pouco pra se chegar ao espaço, mas anote aí que cairá bem em sets de space disco.
Flash Content
Osborne - Detune (mp3)
Com timbres orgânicos para além dos kicks e claps das drum-machines, "Osborne" abraça mesmo o fenômeno plural da nu-disco. Ainda mais com os hits "Outta Sight" e "Ruling", que chega a lembrar quando os manos de Chicago colocavam as primeiras notas sobre bases de disco music que acabavam de esticar e robotizar nas primeiras machines.
Flash Content
Osborne - Ruling (Original Mix) (mp3)
Flash Content
Osborne - Outta Sight (mp3)
Muito feeling, tudo azul mesmo (como a capa).... mas nem tanta safadeza "jackin", expressão muito usada na época para jogação e sexo na fase mais sintética e rápida - que a Chicago (acid) house tomava no final da década de 1980. Abrindo a roda para os b-boys se jogarem no chão, "Our Definition Of a Breakdown" é a única faixa que teve participação especial. A colaboração veio do MC e produtor de electro-bass, o safado Ed DMX (aka
DMX Krew), cujo groove não dá para ouvir sem rebolar até o chão (à Nego Moçambique).
Flash Content
Osborne - Our Definition Of A Breakdown (Feat. Ed DMX) (Original Mix) (mp3)
DETROIT HOUSE?Detroit não é sinônimo apenas de oldschool techno ou techno-jazz, como parece, e uma figura que se situou fisicamente e musicalmente muito bem entre Chicago e Detroit foi o norte-americano Mike Grant, cujo selo
Moods & Grooves foi importante na consolidação do que é (pouco) conhecido como Detroit house. Pela tangente da soul music na segunda metade da década de 1990, o espirituoso Mike e sua turma somaram muito dos synth pads de Detroit techno (notas ou acordes longos que seguram a harmonia, geralmente em tom menor, associado como "triste"), aos baixos gordos e levadas (disco)funk da deep house de Chicago.
A Detroit house se formou com esta panela de houseiros cheios de amor pra dar e vender -
Chez Damiez,
Atom Miller,
Boo Willians,
Ron Trent e o próprio
Mike Grant -, que nasceram no mesmo estado de Kevin Saunderson, Juan Atkins, Underground Resistance, etc e etc... Abaixo, confira as relações entre Osborne e a galera da Detroit house do selo Moods & Grooves, do Mike Grant.
Flash Content
Osborne - Downtown (mp3)
Flash Content
Osborne - Fresh (Original Mix) (mp3)
Flash Content
Andres - Just A Player - Original Mix (mp3)
Flash Content
John Tejada, Arian Leviste - Hazy Faces - Original Mix (mp3)
Flash Content
Boo Williams - Summer Love - Original Mix (mp3)