BOOM Festival
psy trance em Portugal
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Boom festival (13-18/ago) Portugal
28.08.08 11:45
Boom festival (13-18/ago) Portugal
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BOOM Festival
Nata do trance piscodélico se reúne em Portugal.
28.08.08 11:55
Entre 11 e 18/ago ocorreu em Portugal a 7º edição do Boom Festival, maior evento da agenda de cultura psicodélica mundial.

A meca do psytrance reuniu artistas e colaboradores de todos os continentes trazendo cinema, teatro, circo, culinária internacional, exibições, terapias, moda e muita música marcando os 7 dias do evento que teve público recorde e chegou pela primeira vez em sua lotação máxima, 25 mil pessoas de 57 nacionalidades diferentes.

O PRÉ-BOOM
boomLogo ao chegar na pequena cidade de Idanh-a-Nova podíamos sentir o peso da internacionalidade do evento, carros e caminhões se abasteciam nos mercados, na estação neo-hippies vindos de diversos lugares do mundo desembarcavam em cada novo trem e ônibus. Há alguns metros da entrada um pré estacionamento foi feito para facilitar o trânsito de carros oficiais(na edição de 2006 uma enorme fila se formou 2 dias antes do evento bloqueando a estrada de acesso).
Caravanas, camping vans, pequenos caminhões e até ônibus equipados com sala, cozinha e banheiro. A cultura de viajar com esse tipo de veículo está em todos os países da Europa, mas na França é um must-have traveler accessory e pela proximidade entre os países era fácil de entender porque o pré parking estava dominado por franceses.

Na noite do dia 10 aconteceram pequenas festas de soundsystems independentes, já haviam também bares montados pelo próprio público onde se encontrava cerveja e água gelada.

Às 9 horas da manhã do dia 11 os portões foram abertos, e mesmo com o Pré Parking, criou-se 9 km de fila na estrada, durante todo o dia boomers foram chegando e pouco a pouco ocupando a cidade que todos nós viveriamos pelos próximos 7 dias.

CARAVAN PARKING
Localizado há 1 km do main stage e com uma vida independente o espaço reservado para caminhões e camping vans era um espetáculo a parte, boomers montavam chill outs, chai shops(espaços de chá indiano tipico de festivais), tendas de comida, bares e todas as noites soundsystems espalhados pelo estacionamento faziam festas. O anúncio da proibição de animais no evento não foi o bastante para mudar o modo como as pessoas vivem festivais pela Europa e muitos trouxeram seus cachorros.

Mais uma vez o quesito banho foi deixado de lado e só havia um ponto de chuveiros no festival, para os moradores da caravan parking e campings ao redor a cada banho uma caminhada de 1,5 km, mas isso definitivamente não é um problema quando se fala de hippies na Europa, o assunto geralmente era mais abordado por brasileiros, nesse ponto a cena européia se difere da brasileira, de certa forma nós temos esse contato direto com produtores através dos forums e sempre policiamos falhas e preços abusivos em nossas festas.

Por todos os lados sorrisos, pessoas que estavam ali pela primeira vez em meio a rostos conhecidos de outras épocas, amigos que correm o mundo atrás de festivais, former boomers que participaram de todas as outras edições.

DANCE FLOOR
boomÀs 17:00 do dia 12 o tão aguardado main stage teve sua cerimônia de abertura e a partir daquele momento seriam 5 dias com artistas do mundo todo revezando no palco.

As noites frias(inesperado já que em 2006 fazia calor mesmo nas horas mais altas da madrugada) com o ambiente sempre muito colorido preenchido por projeções visuais, neons, lasers e decoração impressionante. Madrugada a dentro grandes nomes do dark trance davam as caras e faziam com que o stage borbulhasse em ecstasy através de bass lines pesados e dinâmicos, ao amanhecer full on music e quanto mais o sol esquentava o dance floor da cidade psicodélica se enchia de progressive, funk e groove beats em geral.

Elaborado pelo crew brasileiro Sagaz o main stage comportava 20 mil pessoas, caixas de som distribuídas em quatro pontos e com um sistema de irrigação espalhado por todos os cantos refrescava o forte calor do sol de verão, em alguns pontos havia lama debaixo do que pareciam ser chuveiros(e isso é o mais tradicional que se pode quando se fala de festa trance) onde pés sujos e dread locks molhados faziam a festa, em outros pontos do mesmo stage a poeira subia a medida que criaturas psicodélicas rodopiavam e batiam o pé descalço no chão. Todos os elementos funcionando juntos para um público profissional em diversão psicodélica.



Aqueles que estavam ali dançavam em perfeita sintonia com os artistas, timbres potentes e nítidos explodiam dos grandes P.A's de som hipnotizando a todos e desencadeando um transe coletivo através de dança free-style com movimentos que usavam todos os membros do corpo. Essas mesmas pessoas completavam a decoração, muito couro, roupas rasgadas, dread locks, tons de terra e todo o exotismo neo-hippie.

Destaque para Beduim and Hamish duo britânico que em um mesmo set mesclaram tracks de full on groove e funky beats da progressive music de uma forma tão espetacular nunca vista antes, Ocelot(USA) abriu uma madrugada com spaced beats que ao contrário da dark music traz uma atmosfera ritmada e pesada ao mesmo tempo, Burn In Noise(BR) se apresentou durante a última tarde e trouxe um live act bem fiel ao seu estilo único de full on trance agradando muito a pista naqueles que eram os últimos momentos de uma semana cheia de grandes apresentações. Fechando com chave de ouro Psynema(Alemanha) coletivo que mistura circo, dança, projeções e dark psychedelic trance fez um live act tão completo e inesperado que deixou o público em dúvida se dançava ou assistia congelados aquela última e grande apresentação. No momento que a última track do dance floor acabou, me sentei no chão e tentei entender o que foi aquilo que acabara de acontecer, uma experiência audiovisual extremamente psicodélica.

Todos os dias a partir das 17:00 havia uma pausa no palco principal de 3 horas para aqueles que estavam por lá desde a noite anterior pudessem descansar e também aproveitar outras atrações.

GROOVE BEACH

A beira da represa e abrindo espaço para outras vertentes da música eletrônica podia se ouvir Dubstep, Electro, Minimal, Tech-house, Techno, House, Breakbeats. Funky, Reggae, Hip Hop e Experimental Music e apesar de ser o ponto oficial para aqueles que queriam continuar a dançar durante os intervalos do main stage a Groove Beach Arena trouxe grandes nomes em diversos momentos. Far Too Loud(UK) fez uma apresentação inesquecível com beats gordos e redondos típicos do breakbeat londrino, outra grande atração muito esperada foi o Extrawelt(Cocoon Rec) duo de Hamburgo que trouxe ótimas tracks de house, techno e spaced music.


Groove Beach


AMBIENT FOREST
Falar em Chill Out talvez não seja o único ponto desse espaço já que haviam muitos chill outs espalhados pelo festival, com um line-up voltado para beats mais calmos era ao por-do-sol o ponto de encontro dos malabaris. Sentar-se para descansar um pouco e recarregar as energias era uma ótima desculpa para fazer novos amigos.


performance na Ambient Forest


SACRED FIRE
Espaço voltado para world music cercado por restaurantes, jardins, instalações interativas e uma área de terapia chamada Sacred Healing onde diversos massagistas estavam à disposição através de doações.
Foi ali às 6 horas da manhã da segunda-feira 18 onde foi tocada a última música do festival.


Pedra Branca (Brasil) @ Sacred Fire


A Healing Area, outro espaço de terapias com diversos especialistas do mundo todo fazendo seções de meditação, yoga e outras atividades que trabalhavam o corpo e a mente.

LIMINAL VILLAGE
Espaço cultural onde workshops de diversos temas entre Artes, Biodinâmica, Yoga, Kung-Fu, Biodiversidade, Sustentabilidade e Permacultura aconteceram. Martina Hofmann, artista plástica e filha do pai do LSD fez um discussão sobre a Arte Terapia e ícones femininos da antiguidade, no mesmo espaço foi exibido o Paradigms Film Festival com filmes alternativos entre eles Post Modern Times de João Amorim e Nikos Katscomis em parceria com a Curious Pictures, um grande jardim de permacultura foi cultivado e se podia checar informações técnicas sobre a biodiversidade presente. A Vision Gallery, uma galeria de arte psicodélica exibia peças de diversos artistas plásticos.

Um grande Teatro ao ar livre foi montado e diversas trupes se apresentaram durante o evento. O coletivo de artistas circences Crème de la Crème foi uma das atrações.

Com uma programação tão eclética o clima não podia ser mais intimo, crianças, bebes, mulheres grávidas e famílias inteiras circulavam pelos diversos chai shops, bares flutuantes e praias à beira da represa.


vibrações positivas no Liminal Village


Havia também o Babyboom, um espaço de recreação para os pequenos com diversas atividades.

Nessa edição o Boom contou também com ajuda de ongs voltadas para o consumo consciente de drogas, representantes do site Erowid junto a uma ong espanhola trouxeram folhetos e discussões sobre doenças sexualmente transmissíveis, além de panfletos sobre o consumo consciente de substâncias faziam testes com drogas que o público trazia pára analisar os componentes presentes.

Em uma conversa com um voluntário descobrimos que a maioria das drogas testadas no evento eram de boa qualidade com algumas alterações em MDMA, Cocaína, Speedy e Ketamina que possuíam misturas como Cafeína, Paracetamol e até açúcar.

Ao lado dessa tenda havia um espaço com psicólogos a disposição daqueles que estivessem em bad trips.

Expositores do mundo todo formavam o Flea Market com roupas e acessórios, um hospital, telefones públicos, internet café, área com free wireless internet, mercado de comidas e frutas, mini farmácia, Boom Radio que transmitia programas e notícias sobre o festival com um alcance de 5 km e há coisas que só no Boom Festival podem ser vistas como alguém sentado no meio do dancefloor lendo jornal, o Daily Dragon, impresso e distribuído diariamente trazia destaques da programação, entrevistas e depoimentos.

Pela primeira vez na história do festival uma vida foi perdida, à caminho do hospital da cidade um francês de 38 anos morreu de ataque cardíaco, nesse dia um representante da organização veio ao palco principal comunicar o fato e um luto de 15 minutos foi proposto em todo o festival.

SUSTENTABILIDADE
Atento aos impactos inevitáveis que um evento desse porte causa à natureza(motivo que mudou a frequência do festival anual para bienal) em parceria com o brasileiro Ecocentro IPEC(ipec.org) foi desenvolvido uma tecnologia de compostagem do lixo orgânico re-utilizando para adubos em campos de cultivo portugueses e em parceria com o governo local todos os geradores do Boom funcionaram a base de óleo vegetal usado. Muitos jardins foram criados para tentar ao máximo chegar há um festival carbon-free.

Apesar disso ao final do evento as áreas de camping eram a prova de que muitos ali não absorveram nada do que estava sendo passado e muito lixo foi deixado para trás.

ANTI-BOOM
boomerSem controle da polícia e totalmente underground, logo ali do outro lado da represa techno-heads, punks e freaks faziam um free technival em protesto aos preços ditos abusivos do Boom Festival, ao moldes da velha rixa psytrance x techno, que diferente do Brasil aparece muito forte em países como França e Inglaterra, com duração de 10 dias ao som de hard tech e drum n bass essa festa é tão tradicional para os techno-heads como o próprio Boom Festival para os boomers e no momento que a música parou do nosso lado da represa podia se ouvir nitidamente o soundsystem do Antiboom.

Infelizmente esse ano o corpo de um inglês que estava no Antiboom apareceu boiando na manhã do dia 11.

O Boom Festival com toda sua complexidade e consistência foi realmente um evento único, intercultural e completamente internacional. Como que num piscar de olhos o festival acabou, após 7 dias vivendo essa experiência, com todas as roupas sujas de poeira e a alma lavada.

Em alguns dias estaríamos todos de volta às nossas realidades, parecia hora de colocar o relógio que estava guardado e começar a pensar naquele banho quente e cama do hotel, relembrar os momentos através das fotos e ter certeza que não se perdeu aquele papelzinho com e-mails e facebooks dos novos amigos.

Para nós, festival hunters, o próximo grande destino será o Universo Paralello na Bahia em dezembro, para os aussies uma parada no tradicional Rainbow Serpentine que acontece em Janeiro na Australia e em julho de 2009 o tão aguardado Festival do Soulclipse no Japão.

Com um sorriso de satisfação, um último adeus aos amigos que moram tão distantes de mim e aquela velha frase que funciona tão bem nessas ocasiões, amo todos vocês e nos vemos no dance floor!

Confira fotos do festival em nossa GALERIA!


vitor milito
vitor milito
estudante de comunicação, não frequenta mais festas trances mas resolveu ir até Portugal por que sabia que essa vale a pena