Tittsworth, Vanguart, Melvins, Plasticines e The Hives na estréia do festival paulistano
Sábado, pontualmente às 18h, no Via Funchal, começou a primeira edição do Orloff five. Focado no rock e suas mais diferentes gerações e movimentos, o festival conseguiu deixar a cirúrgica casa de shows com um clima um pouco mais sujo entre riffs rápidos e baterias pesadas das quatro bandas que passaram por lá.
TITTSWORTHApós um set visto por poucos, o DJ baltimorense Tittswoth assumiria sua característica camuflagem e alternaria seu estilo musical que passeou desde os hits de rádio rock oitentista até remixes da geração novo rock enquanto a equipe montava os equipamento das bandas no palco. Vamos dizer que a capacidade do DJ não foi muito explorada, e um iTunes recheado de clássicos do rock em função shuffle entregaria serviço parecido. Não foi uma perda total pois a apresentação do DJ na festa do D-Edge no meio da semana foi bem comentada, e ele teve oportunidade de apresentar o seu B-more de batidas simplistas e vocal corrido.
VANGUARTApós ver o show do Vanguart algumas vezes eu aprendi algo sobre a banda: eles só funcionam se a platéia responder bem as suas músicas. Então ficou difícil a missão dos meninos de Cuiabá de ser a primeira banda da noite, pois as cabeças mal preenchiam a frente do palco.
Porém após algumas poucas músicas, cabeças balançavam no ritmo "Hey Yo Silver" e "Semáforo", até finalmente tomarem conta dos pés e encerrar, junto com a banda, sua participação com "Cachaça". Foi um show honesto, bom para a abertura de um festival, mas onde demonstraram que quando pouco cobrados, pouco monstram. Uma pena.
Raphael Caffarena
Melvins

MELVINSTantos anos de estrada - já são quase 25 - são o bastante pra deixar a banda à vontade em qualquer palco que passe pelo planeta afora. Não que isso seja sinônimo de simpatia. Mas, como o que interessava ao público do Melvins, era um bom show em sua primeira apresentação no país, a tal simpatia era o menos importante.
Tida como precursora do grunge, misturando punk, hardcore, metal e muito noise, a banda entrou com a atual formação que conta com dois bateristas, Dale Crover e Coady Willis - a sincronia da dupla impressiona, é ponto forte da parede sonora criada pela banda em sua apresentação, além de ser visualmente perfeito ter um baterista canhoto e um destro, tocando no centro do palco, como se um fosse o reflexo do outro.
Buzz Osbourne e Jared Warren, um em cada canto do palco, criam a atmosfera às vezes infernal, às vezes arrastada, mas sempre caoticamente organizada no show que foi focado nos últimos álbuns,
Nude with Boots e
A Senile Animal. O momento provocação ficou por conta do hino americano cantado na íntegra e solenemente por Buzz e Jared; não faltaram vaias e indignação do público presente, que em sua maioria não estava lá pra ver o show dos americanos. Teve uns virando as costas para o palco e outros arremessando objetos - foi o revide da provocação, que não ficou sem réplica. Mostrando muito bom humor, King Buzzo, cantarolava e apontava para o indignado arremessador: "I saw you, I saw you!", sem deixar de fazer seu show que ficou na memória dos fãs.
Rodrigo Roman
Plasticines

THE PLASTICINESVamos ser francos. As meninas do Plasticines não estão nem próximas de inventar a roda, afinal eles mal conseguem fazer o velho e gasto designe rodar com maestria. Mas então qual a relevância de uma banda de meninas que emulam um som já conhecido? A beleza. Aquela que abriu portas e pavimentou todo o caminho das longas pernas francesas até o palco do festival de rock do Orloff.
As músicas parecem algo que o Ramones faria num dia não muito inspirado, o vocal alterna entre Karen O (Yeah Yeah Yeahs) e Debbie Harry (Blondie) e os gritos de "let's rock" a qualquer outro clichê do rock. Mas a apresentação deles foi tão ruim assim? Não, foi agradável até. Senão aos ouvidos, aos olhos. Poderia ser mais curto, poderia ter uma tentativa menor de ser feroz e poderia ter faixas mais concisas, mas ah, elas são bonitas. E meninas bonitas francesas tocando guitarras nunca são o bastante - mesmo tocando rock descartável.
RC
Hives

THE HIVESNão à toa os suecos foram colocados como a atração principal do festival. Com muita presença e disposição o show do quinteto já pode ser colocado entre os grandes deste ano. "A Stroll Through Hive Manor Corridors" foi a intro para a saraivada rocks que viria a seguir.
Abra Cadáver! e em menos de dois minutos este humilde colaborador esqueceu-se ser mero espectador para então se jogar na roda de pogo que rolou de frente para o palco do início ao fim do show -
Two-timing touch and broken bones, right? "Bigger Hole to Fill", "Main Offender", muito empurra-empurra, as tradicionais performances acrobáticas do vocalista Pelle Almqvist e a bem-vinda "Diabolic Scheme"...ufa! os 30 anos que carrego nas costas precisavam de um tempo pra descanso. Mas ainda estávamos nos primeiros 30 minutos do show. Nesse momento Almqvist já pedia ao público para ensiná-lo a dizer algumas palavras em português, para então ele dizer ao público quem era que comandava o show - "Gritaí! Parem! Batam palmas! Parem!". Ok, o papel do frontman é mesmo esse, ser o showman!
E o show continuava com "Tick Tick Boom", It won't be long, a new song, uma baqueta voando na minha cabeça e o fim; ou não. "Olê Hives, Olê Hives..." era o público chamando a banda para o bis que trouxe uma long version de Return the favour - o momento mais empolgante para o pogo - e a essencial "Hate you say I told you so".
Creio que a banda saiu do palco com a sensação de ter cumprido a missão. Euforia, alegria e a sensação de que os problemas do cotidiano tornam-se menores quando a diversão é grande era o que se via estampado no rosto do público presente. E se essa é a função maior de um show ou festival, pode-se dizer que o Orloff Five cumpriu a sua.
RR