Ele estava bem sonolento, começou falando pouco, mas acabou rindo e fazendo piadas sobre as cidades do interior do Brasil que, segundo ele, são maiores que a maioria das cidades suecas. Ele começou com tecladista na banda que leva o seu nome e dos outros dois integrantes (mais um & e sem uma vírgula), e hoje é um dos mais importantes produtores da música pop. Lykke Li, Primal Scream e Taken By Trees são só alguns dos artistas que tiveram a produção do responsável pelo hit monstruoso "Young Folks" e indiretamente de trazer o melhor da nova música sueca para a mídia.
Björn Yttling, que na banda que não dá espaço nem para a vírgula, perdeu a trema e virou o Bjorn do Peter Bjorn and John, principais atrações da edição 2008 do festival Invasão Sueca, que passam por São Paulo no dia 23 e 24 de setembro com Shout Out Louds no Studio SP, e dia 20 no segundo dia do NO AR COQUETEL MOLOTOV 2008 ao lado do Final Fantasy (
Clique aqui para conferir a programação completa), falou com o rraurl via telefone na tarde desta segunda-feira sobre a cena sueca, o novo álbum (instrumental) da banda e sobre suas produções.
Bjorn & Jack

Qual foi a maior diferença que vocês notaram entre os shows da turnê do primeiro álbum para essa?Nós não tínhamos muitas pessoas na platéia e agora temos. E outra, quando começamos ninguém ouvia nossos álbuns para ir em nossos shows. Hoje em dia é o contrário, as pessoas ouvem nossa música e vão ver como ela soa ao vivo. E isso é muito gratificante. Ah, e nos primeiros shows eu tocava teclado e hoje em dia eu toco baixo.
Após dois álbuns relativamente desconhecidos do grande público, como foi a reação de ser descobertos por causa de uma música? Vocês esperavam isso?Não e nem planejamos. Nós sempre fomos focados na música, então podemos dizer que por mais que a gente não esperava isso foi meio natural que algo assim acontecesse. "Young Folks" é uma excelente música, e
Writer's Block é um melhor álbum que os anteriores.
Te incomoda o fato que algumas pessoas só e sempre os conhecerá como a banda do assobio? Muitas pessoas nem chegarão a nos conhecer. Então se algumas delas nos conhecerem como a banda do assobio já é um lucro. Como eu disse, é uma ótima música e não temos porque não gostarmos de ser relacionada a ela.
Acho que essa foi a única música de vocês que foi remixada, né? Ela durou uns bons dois anos aqui nas pistas do Brasil! Pois é, os remixes dela funcionam muito bem na pista, do mesmo jeito que a versão original. Ela tem algo bem dançante nela. E sim, foi nossa única faixa que teve um remix como lançamento oficial.
YOUNG FOLKS, O CLIPE
Porque vocês estão lançando um álbum instrumental agora (Seaside Rock)? É algum tipo de reação ao hit gigantesco que "Young Folk" foi?Olha, você pode dizer que lançar um álbum instrumental agora é algum tipo de relação ao hit que tivemos, mas acho que na verdade foi só nosso modo de criar um outro álbum de forma mais rápido. Ele é mais um resultado de experiências da extensiva turnê de
Writer's Block. Afinal, estávamos desde 2006 viajando com esse álbum, e era muito mais rápido entrar em estúdio e gravar só faixas instrumentais do que pensar em letras. Foi um álbum entre em turnês, sabe? Queríamos material novo e assim nasceu
Seaside Rock.
O que vocês criam primeiro: letras ou base?Não há uma ordem para isso. Às vezes as letras vem primeiro, às vezes vem o instrumental. Mas para ser sincero, as melhores faixas nascem da união comum de letras e instrumental. E tem sido assim desde o começo da banda.
Você pode dizer as influências por trás de Seaside Rock?Nós nos inspiramos em filmes velhos como James Bond e Shaft, mas como um toque do melhor da música sueca. É uma mistura doida de tribal africano com a calma sueca. Parece improvável, mas eu acho que o resultado foi muito bom e bem único.
Vocês decidem o tema do álbum antes de o gravarem?Meio que sim. Afinal somos uma banda, e precisamos saber o que os outros estão pensando, mas muitas vezes alteramos algo que já havíamos planejados. Tudo depende do clima de criação e se as coisas estão dando certo.
Qual é a causa de tantas bandas boas estarem saindo da Suécia? A alguma causa natural para isso?Hmm, talvez. A cena sueca é bastante extensa e diversa, mas o modo de compor e pensar na música é muito similar, e é diferente de países como Estados Unidos e Inglaterra. Acho até que é mais similar com a música brasileira. Nós pensamos no poder de cada instrumento, em como eles irão agir. Ambos [Brasil e Suécia] gostamos bastante de trabalhar com o baixo, ao invés de jogar todos os elementos de uma só vez como os ingleses e sua confusão.
Você sempre cita o Brasil como influência, quais são seus artistas/álbuns favoritos?Ai, agora você me pegou. Eu adoro a música brasileira, eu tenho alguns CDs aqui, mas não consigo lembrar de nenhum nome. Eu gosto do kraut disco rock do CSS, gosto mesmo. Mas de coisas mais velhas, deixa eu ver.
(Bjorn fica xingando no telefone enquanto procura discos na sua coleção por uns cinco minutos)
Ah, esqueça. Invente qualquer nome e eu assino embaixo. Eu realmente não estou conseguindo lembrar de nada! (risos)
Algo te irrita sobre a visão estrangeira sobre a cena musical sueca?Essa nova geração ainda é pouco vista. A visão das pessoas a Suécia se resume a Roxette e Abba, o que não me agride nem um pouco. Eu por exemplo tenho alguma simpatia pelo Abba.
Bjorn ao vivo

Você pode dizer que há um pouco de ABBA no som do PB&J?Claro. Há um pouco de Abba no som do Peter Bjorn & John. Eu não conheço muito de ABBA, mas nós dois buscamos boas melodias nas músicas. Eu adoro refrões pop, eu gosto de músicas que as pessoas possam cantar juntas. E eles também. Basicamente é isso.
Quais outras bandas a Invasão Sueca deve trazer em suas próximas edições?Lykke Li é fantástica. Eu produzi seu álbum de estréia e o show dela é simplesmente lindo.
Como foi trabalhar com ela?Foi uma ótima experiência bem intuitiva. É engraçado como ela consegue alcançar boas críticas dos mais diferentes públicos. Excelente garota.
E o Taken By Trees? Eu produzi o álbum.
Jura? E como ele soa?Eu não sei que faixa você conhece, mas ele soa bem low fi, mas ao mesmo tempo diferente do som indie tradicional. Acho que ela tem mais uma cara de verão, apesar de ser bem delicada ao mesmo tempo. A Victoria é muito talentosa e me lembra bastante a Nico.
Outro artista que deveria vir é a
Anna Ternheim. Você deveria ouvi-la.
E você produziu o novo do Primal Scream também, né? Como foi?Eu produzi metade do álbum. Na verdade foi mais fácil do que parece. Eu aprendi bastante trabalhando com uma banda que está a tanto tempo na estrada.
Mas eles são bem diferentes dos artistas que você costuma trabalhar, não?Talvez pela experiência deles, mas o som não foi tão diferente assim. Nós nos demos muito bem e saiu tudo bem rápido.
Que bandas não deveriam vir para o invasão sueca?Hmm, isso é difícil de dizer. Backyard Babies? Eles são terríveis!
Ah, o Invasão Sueca jamais traria o Backyard Babies. Pega algum artista menos cafona!Ok, o
Embassy não deveria vir.
Mesmo? Eu acho o álbum deles bem bom.Eu também, mas o problema é que eles ao vivo são bem ruins. Parece que eles estão cantando num karaokê. E você pode publicar isso!
E como é o Shout Out Louds ao vivo?Eles são muito bons. Na primeira vez que eu os vi, acho que há uns cinco anos, eu os achei tão bom que resolvi trabalhar com eles e acabei produzindo seu álbum. Você vai ver como o show deles é bom. É bem legal estar viajando com eles e é bem fácil fazer com que eles te paguem almoço.
Jura? Me ensina o truque que eu posso tentar.É só chegar assim e falar algo "nossa, eu percebi que eu estou totalmente sem dinheiro aqui comigo". Dai eles vão vir e falar algo simpático como "não tem problema, eu acerto a conta pra você". (risos)
Você costuma baixar música?Eu até tenho uma conta no iTunes, mas não sou muito bom nisso. Eu ainda prefiro comprar um disco do que baixá-lo, mas as vezes eu simplesmente compro o álbum pela internet. Depende de quanto tempo eu tenho, da minha vontade de ouvir tal coisa e do catálogo - tanto do iTunes quanto das lojas físicas.
Como é ter seu álbum vazado na internet? Você fica bravo com isso?Seaside Rock vazou uma ou duas semanas antes do lançamento. Não tem como ficar bravo, né? Não há nada que realmente possamos fazer. Talvez isso leve nossa música a pessoas que não nos conhece, e esse sempre foi nosso objetivo.
O que devemos esperar do próximo álbum de vocês, o PB&J pop?Ele será mais dançante que nossas outras coisas. Nós já gravamos algumas músicas bem fortes e espero que as pessoas gostem. Espero lançá-lo em breve.
O que você espera dos shows no Brasil?Eu ouvi que as pessoas daí dançam bastante e gritam!
Gritam?Eu só estou dizendo o que eu ouvi. Mal podemos esperar para começar a turnê brasileira.
Detesto achismos mas fica difícil não considerar essa afirmação meio chapa branca.