Um panorama dessa sonoridade synth-funk originário da sueca, uma promessa a se atentar

Foi aqui no site, num
RRTV especial do Sónar 2008, que eu descobri o Synthetic Skadinavian Funk, ou melhor, o
Skweee. De cara foi das coisas desta edição do festival que me chamou mais a atenção. Esta nova sonoridade, estranhamente quebrada e sintetizada - com grande potencial pra fazer a gente balançar o esqueleto, é, sem muita surpresa, que se tratava de um gênero criado por suecos. Mais uma vez os suecos!
A proliferação de idéias musicais no país escandinavo nas últimas décadas é algo que merece atenção e tem material para uma grande pesquisa, coisa de nível acadêmico. Não vou
Pavan

nem me dar o trabalho de enumerar aqui os artistas dos mais variados gêneros que têm ganhado destaque em inúmeros informativos musicais ao redor do planeta. O Skweee talvez seja o primeiro gênero genuinamente criado na Suécia. O nome, que lembra bem o grunhir de um porco (skweeeeeeee), foi dado pelo primeiro DJ do gênero, o também produtor
Kool DJ Dust. Segundo Pavan - outro pai do gênero, dono do
Flogsta Danshall, primeiro selo especializado - o estilo ganhou esse nome por ser onomatopéico, o que reforça a idéia de ter alguma coisa de natureza suína nisso.
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Pavan - War Again (mp3)
ELECTRO HIP HOP DE BAIXO BPMMas, afinal, o que é o Skweee? O funk sintético escandinavo faz jus ao nome, trazendo influências das bases sintetizadas da música negra americana de meados dos 70's e do hip hop old school -
Kool Moe Dee parece ser discografia básica para todos dessa crew. Aqui o hip hop ganha um make-up electro, coisa que vem tornado-se freqüente ultimamente. Mas não soa como o club rap de A-Trak e Kid Sister, nem como os Ed Bangers Feadz e Uffie. E também não é limitado, porque em certas produções notaremos um flerte com dubstep; em outras é ainda perceptível uma roupagem 8-bit - menos exagerada, talvez mais minimal do que o costumeiro entre os chip tunners. Aliás, minimalismo é característica predominante entre os produtores do estilo, além da baixa velocidade das produções, normalmente entre os 80 e 100 BPMs (com raras exceções). Sendo assim, algumas produções poderão encontrar paralelo com o glitch dos alemães Siriusmo, Modeselektor e Jahcoozi. O finlandês Claws Costeau é um bom exemplo dessa relação.
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Claws Costeau - The Franzzz Conncection (mp3)
Fato é, que mesmo com pouco tempo de existência - o primeiro release oficial data de 2004, mas foi somente a partir de 2006 que houve maior número de produções lançadas pelo Flogsta Danshall, levando à conseqüente consolidação da cena - o Skweee rapidamente ganhou força e identidade o bastante para atravessar a fronteira de seu país de origem e ganhar adeptos na Finlândia, onde o selo
Harmönia é seu representante oficial desde 2006 (ano emblemático para os seguidores do estilo). De lá pra cá, ambos os selos lançaram compilações -
Harmönia Presents Skandinavian Skweee Vol. 1 e
Vol. 2, do lado finlandês, e
Museum of Future Sound 1 e
2, dos suecos - além de diversos EPs em vinil formato 7" (outra marca dos escandinavos).
OS NOMESMesak, Randy Barracuda, Fresh DJ, Eero Johannes

Além dos já citados Pavan e Kool DJ Dust, outros nomes comuns na cena são Beem, Mesak, Randy Barracuda, Rigas den Andre, Boys of Calígula, Claws Costeau, Mrs Qeada, Slow Hand Motem. Este último, por sinal, é uma grande exceção: não é um produtor local, já que é canadense e permite-se ser um dos poucos cantores da crew escandinava. Outra característica ainda marcante no Skweee é a ausência de vocais na grande maioria de suas produções. Salvo as aparições de Pubs P., sueco radicado na Califórnia e MC oficial dos skweeers, as rimas não são elemento comum no gênero, o que pode torná-lo um tanto cansativo para ouvidos mais acostumados à presença vocálica.
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panseno/motem - hood is good (mp3)
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Beem - The Famous (mp3)
Mas, o clima de união visto no Sónar deste ano, e no vídeo "Skweee Like a Pig" (assista abaixo), deixa a sensação de otimismo em relação à cena. Já começa a surgir frutos do colaboracionismo entre os membros de cada selo: Markis Sage é a dupla formada por Mesak, do Harmönia e por Rigas den Andre, do Flogsta Danshall. Além dessa união, está previsto o lançamento de um
split dos selos, comemorando a bem sucedida apresentação no festival espanhol.
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Markis Sage - The Mighty Vallatron (mp3)
SKWEE LIKE A PIG
Suécia, Finlândia, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Holanda, Canadá e Estados Unidos já se renderam ao novo som que vem da Escandinávia. Os primeiros passos já foram dados e o caminho ainda é longo. Então, avante SKWEEE!!!
