Onde estão as festas de Floripa?
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Onde estão as festas de Floripa?
Um guia atual (e um pequeno histórico) da vida noturna e alternativa da capital catarinense. Na baixa temporada, sobra público, mas faltam espaços.
18.09.08 16:20
Florianópolis no verão pode ser o paraíso (ou o inferno, se você não gosta de points famosos). Mas no resto do ano, no dia a dia, a vida noturna por lá ainda é adolescente. Então responda rapidamente: você está na cidade e pretende dançar ao som de Klaxons, Daft Punk, Yelle ou Black Ghosts, qual é o local correto para procurar? Uma sorveteria, um iate, um restaurante, uma boate GLS, um bar de blues ou um puteiro? Por mais que tenha uma oferta de público consolidada, Floripa ainda passa por uma série de dificuldades para fazer eventos de música alternativa, começando pela carência de lugares.

Há cinco anos, a primeira edição da festa Devassa surgiu por causa da falta de baladas que tocassem música eletrônica fora do circuito comercial. "Nenhuma casa tinha uma pesquisa musical aprofundada", explica o produtor Tiago Franco, que, desde 2006, vive exclusivamente de organizar festas. Além da Devassa, cuja proposta é tocar música eletrônica, Tiago organiza a Rocket (rock); a Rave Metal (trash); e discoteca todas as sextas no Blues Velvet, no centro da cidade. Já realizou festas em diversas casas noturnas, boates gays, em um iate e uma uisqueria - eufemismo da legislação para prostíbulo. Geralmente, a escolha de um local para a festa se dá pela falta de opção. "Se tivessem vários lugares legais, seria muito mais fácil. Ficaria muito feliz se pudesse fazer uma festa por semana."

DE SORVETERIAS A ROTAS MARÍTIMAS
Florianópolis já teve uma festa semanal, a Pelvis Shaker, produzida por quatro DJs da ilha. Nessa sexta-feira (19/nov - saiba mais), a Pelvis vai comemorar seus três anos de aniversário desatracando do Hotel Veleiros, passando por baixo da maior ponte pênsil do Brasil e navegando pela baía norte da Ilha de Santa Catarina. Os organizadores acharam que a locação de um iate era a melhor escolha para uma edição comemorativa. Pode parecer extravagante, mas em 2005, a opção era fazer a festa em uma sorveteria chamada Tulipa, que abria durante a noite para qualquer tipo de evento.



Os (hoje) DJs Alê, Dão, Leo e Calvin13 costumavam organizar shows no Tulipa e foram chamados pelo proprietário para fazer uma festa nas quintas-feiras, dia em que não havia público. Assim, a Pelvis Shaker passou a acontecer toda semana, um dia antes de eventos como a "Sexta do Pagode". Planejavam sets repletos de bandas que eles gostavam como Pavement, Smiths, Joy Division e Strokes. Naquela época, o rock predominava e a entrada era de graça até a meia-noite. "Chamávamos o máximo de amigos de cada um dos quatro. No começo, as festas boas tinham cerca de 200 pessoas e as ruins, vinte", lembra Dão. Recebiam, pela discotecagem e organização de cada festa, 50 reais de consumo na comanda - para dividir entre os quatro.

Conforme alguns hábitos inconvenientes do dono do Tulipa - como marcar bebidas a mais nas comandas - foram irritando o público, a Pelvis se mudou para uma casa GLS, completa com bar e porão, chamada Galileus. A festa se consolidou, no final de 2005, como o evento alternativo de quinta-feira. Os DJs começaram a ganhar 70% da bilheteria. Ficaram mais envolvidos e passaram a pesquisar mais músicas.


SUPERPOSE @ DEVASSA


Na nova casa, também tiveram problemas com o dono. Diferentemente do proprietário do Tulipa, que não tinha preferência por nenhum público, o dono do Galileus queria freqüentadores gays, não os Pelvis Shakers usuais que pulavam no porão. No final de 2006, desistiu. Antes de fechar definitivamente, o Galileus foi arrendado para três pessoas e teve nomes diferentes: Flowers, enquanto estava nas mãos de uma drag chamada Kitkitana; Plaza, enquanto Tiago Franco administrava o prédio; e Jura Rock Bar, quando foi regido pelo segurança da casa, Juarês. Atualmente, é um almoxarifado do PMDB, onde ficam armazenados os panfletos da reeleição do prefeito Dário Berger. As Pélvis agora são mensais e costumam acontecer no Casarão da Praça XV de Novembro, um restaurante que funciona como bar de samba durante a noite. O som está cada vez mais eletrônico.

"FLORIANÓPOLIS TEM UMA CENA, SÓ NÃO TEM LUGAR"
Mesmo não sendo suficientemente gay para contentar o proprietário do Galileus, o público alternativo de Florianópolis também não é suficientemente hétero. A última Devassa estava prevista para acontecer em uma boate chamada Cosmopolitan, mas o dono ouviu dizer que se tratava de uma balada gay e cancelou o negócio. Acabou sendo no Mix Café, que abriga uma festa GLS toda sexta-feira. "É verdade. Os lugares gays nos acham muitos héteros e os lugares héteros nos acham gays. Mas as únicas coisas que importam nessas festas são a música e a diversão, não coisas como sexualidade ou questões políticas", reflete Tiago.

"Falta um lugar específico para nossos eventos, sempre temos que ficar procurando um puteiro, um barco ou um restaurante. A proposta inicial do Blues Velvet era ser um bar de blues e jazz, mas, com o fim do Galileus, começou a ser freqüentado pela galera alternativa. Florianópolis tem uma cena, só não tem lugar", desabafa Alê. Desde o fechamento do Bar Underground, em 2004, os músicos da cidade sofrem com a falta de estabelecimentos voltados especificamente para música alternativa.

Pelvis Shakers, alguma época no passado
Pelvis Shakers, alguma época no passado
No final de 2007 e começo desse ano, os DJs Alê e Dada faziam a festa Disorder nas quintas-feiras no recém aberto Deluxe Studio, voltado especificamente para a cena de música independente. O espaço abriu como um estúdio e lounge, acabou virando também uma casa noturna, recebeu uma advertência e fechou por falta de documentação. Clive Mund, um dos donos do Deluxe, explica que a intenção inicial era abrir um estúdio onde os músicos pudessem tomar uma cerveja entre as gravações. "Já tínhamos experiência com isso e nunca faltou nada para que o Deluxe fosse um estúdio bom. Mas não tínhamos experiência com bar e lounge. Começamos a ter festas aqui e íamos dormir as cinco da manhã." Clive julga que ele e o sócio foram ingênuos e que deveriam ter acompanhado melhor o trabalho do contador para conseguir os alvarás. O estúdio provavelmente vai reabrir em menos de um mês, com toda a documentação. "Vamos insistir em abrir e fechar mais cedo. Quero que o Deluxe seja uma opção de happy hour, com preço barato e entrada de graça, para ser o lugar que as pessoas vão antes de ir para Devassa."

RELAÇÃO COM AS AUTORIDADES
Clive, Tiago, Alê e Dão julgam que a Prefeitura dificulta em excesso a vida noturna da cidade. "Uma das coisas que atrapalha é o público que fica amontoado na entrada das festas, mas se os estabelecimentos já têm que cuidar do bar, como que vão cuidar da rua inteira? As casas pagam impostos e a Prefeitura podia colocar um policial para fiscalizar a entrada", reflete Clive. Com o Deluxe fechado, as Disorders aconteceram até julho na Whiskeria Fênix e o público alternativo gay/hétero passou a ter um poste para pogo-dancing à disposição.

O Espaço Célula, aberto desde janeiro, foi fechado pela Polícia Civil em abril, no dia da apresentação da banda carioca Autoramas, e teve que lidar com prejuízo das passagens, hospedagem e cachê. Gastão Moreira, ex-VJ da MTV e sócio do estabelecimento, explicou que a casa só tinha o protocolo de requisição do Alvará da Polícia Civil e que conseguiram o documento no dia seguinte. "Agora já superamos isso", garante. O espaço é sede do Clube da Luta, festa criada por bandas locais que fazem shows com composições próprias todas as sextas-feiras. Esta semana, o projeto faz dois anos de aniversário.

NINGUÉM QUER PAGAR MAIS CARO
As Devassas e Rockets já receberam diversos músicos locais e de fora da cidade. Bonde do Rolê, CSS, Killer on the Dance Floor, Forgotten Boys e Lúcio Ribeiro foram alguns dos visitantes. Tiago explica que é muito difícil trazer pessoas de fora porque
Mix Café, tradicional reduto gay, já sediou a Devassa
Mix Café, tradicional reduto gay, já sediou a Devassa
a margem de risco é muito grande. "O público não entende por que o valor da entrada aumenta. Eles não têm a obrigação de entender, mas eu não tenho a espectativa de que uma atração fará com que uma Devassa mais cara venda ingressos." Por isso, ele utiliza uma lógica que é o contrário daquela que acha adequada: "Eu calculo os custos que posso ter segundo o valor da entrada. Tive que dispensar muitas bandas por causa da questão da bilheteria."

A Pelvis tira de casa uma média de 400 pessoas e a maior teve mais de 700 shakers. Faz mais de dois anos que a Devassa não tem menos de 500 pessoas e os cálculos mais pessimistas para orçar a Rocket e a Rave Metal contam com um público de 300 pessoas em cada. Tiago acredita que conseguiria fazer uma festa para três mil pessoas. "Já passei pela tentação porque faço festas há cinco anos e ainda ando de ônibus. Mas tenho medo de acabar fazendo festas para pessoas que se preocupem mais com o evento do que com música e o contexto artístico."

Paula Reverbel
Paula Reverbel
sorria, vc está sendo tirado
comentários
feof
feof(31.12.08)
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Bom diante de tanta reclamação tomamos uma iniciativa! Dia 7 estréia um projeto no jivago lounge. é a festa fullhouse. Serão 8 edições durante janeiro e fevereiro (sempre as quartas). sou o residente com o andre victor e receberemos convidados da house e vertentes!

para a primeira recebemos:

fernando ribeiro // downtempo, house
http://myspace.com/fernandoribeiro

charles spencer (loveslap! recordings - US) // house
www.myspace.com/loveslaprecordings
www.loveslap.com

as projecoes serao dos vjs transparence e splatter bit

sejam todos bem vindos!
Neto Krüger
Neto Krüger(23.09.08)
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feof, sobre tudo que tu disse. assino embaixo.
acho que em novembro passo pela cidade e aproveito pra ver como anda a cena. que nunca chegou a ser maravilhosa, mas já foi melhor e ainda tem muita gente fazendo força pra noite de floripa realmente acontecer.
feof
feof(22.09.08)
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quando disse som me referi a soundsystem estrutura mesmo, nao em gosto musical
feof
feof(22.09.08)
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so lendo os comentarios voce ve que nao cara

normal cara
Dão
Dão(22.09.08)
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Mas ai me vem uma pergunta a cabeça, será q é só aqui q a grande maioria do públco não tem nem ai pro som e se importa muito mais com a jogação?
 
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