Patrulhar sem censura para manter o nível. Agir quando o limite (estabelecido por nós) é excedido. Tudo dentro nos conformes de um estudo da Columbia University.
Tivemos uma desagradável situação essa semana na matéria
Lula defende união civil entre gays. Deletamos o perfil de um usuário que, no alto da calorosa discussão partidária, concluiu em definitivo:
"E por falar em bichas... não gosto. É doença. Ponto final." A lei pode não punir declarações homofóbicas do tipo. Mas se este site publica a notícia de que o presidente apoia o casamento gay (arriscando a sempre delicada discussão partidária), é óbvio que apoiamos o movimento LGBT e que vamos coibir declarações preconceituosas.
ENQUANTO ISSO,
NA CHINA...
40 mil
cyber-policiais monitorando os internautas
29
jornalistas atualmente presos
180
jornalistas estrangeiros presos ou processoados em 2007
2700
sites fechados desde 2007
20 milhões
de blogs chineses
(Reporters Sans Frontières/The Project for Excellence in Journalism, by Columbia Journalism Review)
Então permitir o que o usuário disse seria tão sério para nossos padrões como deixar alguém dizer "preto é uma raça nojenta", algo que, aí sim, seria questionado por lei. Criminalizar a homofobia custa esse preço: acabar com o tratamento sectário, sexista e piadista, o que até para algumas pessoas pode parecer politicamente correto (as bees são temas eternos de piadas). No fim, não é um preço muito caro, não?
Enfim, homofobia/casamento gay a parte, este editorial serve para a) ressuscitar os próprios editoriais e b) falar de um estudo recente que tem tudo a ver com tema. A edição set/out 2008 da revista
Columbia Journalism Review, da renomada Faculdade de Jornalismo da Columbia University (Nova York, EUA), traz uma matéria sobre os
hate comments (comentários odiosos, em inglês), tão conhecidos do nosso leitor.
O texto discorre como sites de jornais e portais informativos se viram diante de um dilema: a queda do nível das discussões online causadas pelos hate comments, ao mesmo tempo que o jornalismo online emerge como um gigante dono do futuro, mas ainda palco de tantas incertezas, principalmente no que tange a questões mercadológicas. "A dúvida em como balancear a interatividade com o desejo de um debate educado e civil é mais uma
questão ética do que uma questão legal."
FERRAMENTAS DE CONTROLE = SELEÇÃOOu seja, o controle de comentários ofensivos e alienantes deve ser feito pela ética da própria empresa. Foi o caso aqui da expulsão do leitor Carlos. E foi o caso extremo do
Washington Post em 2006, quando suspendeu por definitivo os comentários de sua versão online, atitude essa que o rraurl não pretende nem quer tomar.
Algumas saídas: revisar todos comentários antes de serem postados (caso do
New York Times; esperar reclamações para a remoção de opiniões; ou criar ferramentas onlines para listar e cadastrar os leitores, coisa que o
Washington Post acabou fazendo, seguido pelo
USA Today. É o nosso querido rraurlkut, onde além de darmos uma "cara" para cada um de nossos leitores, podemos saber quem é dono de cada opinião e criar uma interação mais íntima. Fora o fato de que a não existência de posts anônimos (eu sei, talvez perca um pouco a graça) desencoraja comentários ofensivos e de baixo calão.

Um dado interessante do estudo é sobre o
New York Times. Os alunos da faculdade apuraram que após o jornal criar políticas de comentários anônimos, a porcentagem de comentários dentro do padrão de qualidade da empresa passou de 13 para 21%. E o dado mais interessante: a porcentagem de pessoas que passaram a opinar opiniões contrárias ao que era publicado passou de 38 para 42%. Ou seja, o controle e a perfilação de usuários não inibe a expressão de opiniões contrárias, mas sim nivela as discussões além do "que merda, isso é uma porcaria". Perguntamos para Lúcio Ribeiro, um casca-grossa dos hate comments (muito, mas muito mais que o rraurl), sobre o assunto. "Isso existe desde sempre, então não assumo a coisa pessoalmente, do tipo 'eles me odeiam'. O 'legal' é que tenho certeza que alguns deles podem vir de pessoas próximas, ou de gente que eu sei quem é, talvez porque eles escorreguem e eu percebo", diz Lúcio, lembrando como isso é um questão sempre humana.
Claro que comentários velados e fake users sempre existirão (aqui dentro até acreditamos que o tal Carlos era fake, diante de tais idéias), e claro que parte disso traz até algum divertimento, mas o controle é necessário. Para que o site e, principalmente as opiniões suscitadas pelos nossos leitores, sejam um nome forte por aí. A gente pode não ter pesquisa da Columbia pra comprovar tal afirmação, mas a gente sabe o que se fala por aí.
É a única forma que vejo de um controle mais abrangente de quem anda por aqui.
O site perde muito já que o anonimato muitas vezes serve como meio de expressão mas se a preocupação com o conteúdo dos comentários se transformou em meta, então não vejo outra saída.
Poderiam criar tb uma espécie de figura de ombudsman online em tempo integral mas francamente, seria muito difícil chegar a consensos no que diz respeito ao que é realmente impróprio.
Eu não queria estar na pele de vcs, por isso não julgo a atitude que tomaram, só discordo.
Internet é mesmo de extremos, pode ser a melhor ou a pior coisa que já inventaram.
Estudamos mudanças pro site cedo agora em 2009...
Aposto que, a menos que o Rraurl tome medidas para refinar o registro de novos usuários, a coisa vai é pegar fogo daqui pra frente.
Vale mais ignorar um do que ter que lidar com vários.
Espero estar errado.